Problema climático

Compartilhar

Mato Grosso descobriu viabilidade e lucratividade no cultivo anual de duas safras agrícolas, sendo a primeira a safra de verão e a outra conhecida por safrinha, porque a princípio registrava baixa produtividade, o que deixou de acontecer em razão de uma série de fatores e dentre os quais o avanço da ciência agronômica colocado a serviço do produtor rural.
 

As duas safras anuais são altamente positivas por vários aspectos incluindo a rotatividade de culturas, sendo que tradicionalmente Mato Grosso planta soja na safra de verão e milho safrinha, assim chamado por ser cultivado na safra que lhe empresta o nome. O algodão herbáceo, também ocupa lugar de destaque sendo tradicionalmente plantado após a colheita da leguminosa que é âncora da agricultura no estado. Nesse contexto também há espaço para lavouras de arroz.

Agricultura se faz com chuvas ou irrigação. O modelo agrícola mato-grossense com lavouras que ocupam a maior área explorada pelo cultivo nacional não sobrevive sem regularidade climática. Acostumado a semear na época recomendável, o agricultor nunca se deparou com tamanha estiagem, porque até então, sua grande preocupação climática era com o excesso de chuva, que quando ocorria dificultava a colheita da soja e em alguns casos causava prejuízos.

Em alguns dos principais polos da agricultura mato-grossense não chove há cinco meses. Essa adversidade climática afeta todos os municípios indistintamente. Porém, as regiões que cultivam a safrinha são as mais atingidas, porque há retardamento na semeadura da soja de verão, que somente é lançada ao solo após a terceira chuva.

Quando mais demorar o plantio agora, mais inviável se tornará a safrinha, porque a colheita da safra de verão avançará por 2011. Esse deslocamento do calendário compromete seriamente o bolsão agrícola do Médio-Norte, onde a colheita da soja começa entre o Natal e o Ano Novo, o que não ocorrerá na safra agrícola 2010/11.

Anuncio congado imagem

Redução de área plantada com milho safrinha e quebra de produtividade nas lavouras desse cereal serão inevitáveis. Resta saber até que ponto o cultivo será afetado. Esse cenário é sombrio para a economia mato-grossense, porque o milho é matéria-prima âncora para a transformação da proteína vegetal em proteína animal nas agroindústrias da suinocultura e da avicultura em Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Campo Verde, Tangará da Serra, Rondonópolis e outras cidades.

A lei da oferta e da procura sempre prevalecerá nos mercados livres. Se a oferta do milho cai, seu preço sobe. Quem arcará com a alta é o consumidor final, sem que a majoração do preço se transforme em lucro para o produtor, que receberá mais pelo quilo do produto, mas em compensação terá produção menor.

Os efeitos da estiagem na saúde humana são visíveis. Os danos ambientais também. Resta agora saber o prejuízo que a adversidade climática causará à cadeia do agronegócio mato-grossense, da qual, direta e indiretamente toda a população participa.

O milho é matéria-prima âncora para a transformação da proteína vegetal em proteína animal
fonte: Diário de Cuiabá


Compartilhar

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *