Cana-de-açúcar sofre com estiagem no pr e no país
A previsão inicial de safra recorde de cana-de-açúcar no Centro Sul, 596 milhões de toneladas, no ciclo 2010/11, já foi revista em agosto para 570,2 milhões por conta da estiagem que em algumas regiões já caminha para o quarto mês. No Paraná, a situação não é diferente. As 50,8 milhões de toneladas estimadas foram revistas para algo em torno de 46 a 47 milhões de toneladas, segundo informou o superintendente da Alcopar (Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná), José Adriano da Silva Dias. Em todo o Brasil são previstas 630 milhões de toneladas de cana.
A possibilidade de uma quebra significativa da safra em andamento e da próxima foi um dos assuntos discutidos nesta quarta-feira (22) durante a reunião do Fórum Nacional Sucroenergético, em Maringá (PR). Foi a primeira vez que o Fórum se reuniu no Paraná desde que surgiu, em 2004, sendo integrado por entidades representativas de 14 Estados que, juntos, somam 98% da produção brasileira de etanol e açúcar.
Além de discutir temas relacionados ao momento do setor, como a evolução da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul e no Nordeste do País, abastecimento e mercado externo, os participantes prestaram uma homenagem ao ex-coordenador e um dos fundadores do Fórum, o paranaense Anísio Tormena, falecido em maio.
Apesar da previsão de quebra da safra em andamento, o presidente da Alcopar, Miguel Rubens Tranin, disse que a perspectiva de menor produtividade no campo está sendo ainda compensada pela maior concentração de sacarose na cana, o que resulta em maior rendimento industrial. “À medida que o período sem chuva se amplia, aumenta a preocupação e os números podem ser revistos”, alertou.
Para a safra do ano que vem, ainda por conta da estiagem, da falta de investimentos na renovação dos canaviais e no trato cultural adequado, o coordenador do Fórum, o mineiro Luiz Custódio Cotta Martins, prevê uma safra igual ou menor que a atual: “A seca pode afetar duramente a próxima safra".
Mas tanto Miguel Tranin quanto Luiz Custódio descartaram a possibilidade de desabastecimento do mercado de etanol. “Nossa maior preocupação é a produção de álcool anidro, que é misturado à gasolina. Quanto ao hidratado, mesmo se houver menor oferta, a tecnologia flex permite que o próprio mercado faça a regulagem de oferta e procura, sem qualquer risco de desabastecimento”, disse o coordenador do Fórum.
A possível redução na oferta de cana e, consequentemente, de etanol e açúcar, em volumes que ainda não podem ser estimados, tem influenciado na recuperação de preços desses produtos, recompondo o fluxo de caixa das usinas. “Mesmo em plena safra, o mercado tem pago entre R$ 0,86 e R$ 0,87 sem impostos o litro de etanol. No mesmo período, no ano passado, o preço do litro pago às usinas girava ao redor de R$ 0,60 a R$ 0,70, ficando, em alguns períodos, abaixo do custo de produção”, comentou o superintendente da Alcopar.
Com 30 indústrias e 634 mil hectares cultivados com cana-de-açúcar, o Paraná é o terceiro maior produtor nacional, perdendo para São Paulo, que sozinho detém metade da área cultivada com cana no Brasil (4,4 milhões de hectares) e Minas Gerais (706 mil).
fonte:Agrolink

