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Brasil negocia com os russos, tarifas nas vendas de carnes

O Brasil negocia com a Rússia a redução das tarifas de importação impostas às vendas de carnes bovina, suína e de frango. As autoridades brasileiras, que tratam de subsídios e o comércio de açúcar e café, também tentam um acordo para elevar cotas de importação, compartilhar a administração do sistema ao Brasil e baixar alíquotas sobre essas vendas privilegiadas.
Os negociadores realizaram, sexta-feira, teleconferência para ajustar o foco desses entendimentos bilaterais, o que deve permitir à Rússia ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC). Os russos disseram que ainda não avançaram nas negociações com seus principais parceiros comerciais, a União Europeia e os EUA. Mesmo assim, iniciaram sondagens para identificar as reivindicações brasileiras.
O setor privado nacional tem pressionado o governo a forçar uma redução das tarifas e acabar com o favorecimento a EUA e UE nas cotas fixadas por Moscou. Mas alguns empresários não descartam aceitar uma ampliação "substantiva" das cotas, desde que tenham alíquotas mais baixas. As cotas para o Brasil têm sido reduzidas e divididas com outros países enquanto UE e EUA mantêm grandes cotas específicas.
Para entrar na Rússia, a carne bovina do Brasil paga 15% na cota limitada a 73 mil toneladas e 40% no extra-cota. No frango, a cota é de 25% para apenas 12,4 mil toneladas e 95% fora. Em suínos, os russos cobram 15% na cota de 177 mil toneladas e 95% no extra-cota.
Em público a negociação é tratada como uma "retomada" nas relações comerciais. "É um ponto de partida porque havia uma indefinição sobre as negociações em razão da união aduaneira da Rússia, Cazaquistão e Bielorrúsia", informou o diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, Carlos Márcio Cozendey. "Mostramos que estamos engajados na discussão e repassamos alguns pontos. Eles deram respostas intermediárias, dizendo que o governo russo está dividido entre os que acham melhor manter cotas e outros que querem avançar mais", disse. Um ponto central ao Brasil, segundo o diretor, é a redução dos subsídios agrícolas russos de US$ 9 bilhões.
Fonte: Valor Econômico – Mauro Zanatta, de Brasília

Luiz Carlos

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