Os contratos futuros do café encerraram o dia em alta na sexta-feira, com a divulgação de queda nos estoques pelo 20º mês consecutivo. Os estoques do grão arábica certificados pela bolsa de Nova York têm recuado todo mês desde novembro de 2008, acumulando uma queda de 54%. "Estamos ficando sem opções", disse Kona Haque, analista da Macquarie Group, em entrevista à Bloomberg. A baixa se deve sobretudo a problemas climáticos na Colômbia e América Central. Em Nova York, os papéis para entrega em dezembro encerraram a US$ 1,7680 por libra-peso, alta de 305 pontos. No mercado interno, a saca de 60 quilos do café ficou em R$ 317,39, com alta diária de 1,68%, segundo o indicador Cepea/Esalq. No mês, a commodity acumula alta de 2,44%.
Contágio externo. A valorização de outras commodities no mercado americano na sexta-feira acabou impulsionando também os preços do cacau. Na bolsa de Nova York, os contratos com vencimento em dezembro ficaram em US$ 3.119 por tonelada, com alta de US$ 48,00. Segundo analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires, os preços da amêndoa têm oscilado entre US$ 2.900 e US$ 3.200 por tonelada durante o verão no Hemisfério Norte, quando o comércio é geralmente mais fraco. Analistas, no entanto, apontam para uma retomada das compras entre setembro e outubro. Em Ilhéus e Itabuna, o preço médio da arroba do cacau ficou em R$ 87,00, segundo a Central Nacional dos Produtores de Cacau. No dia anterior, a arroba havia sido negociada a um preço médio de R$ 86,33.
Clima ruim. Os contratos da soja com vencimento em setembro encerraram o pregão de sexta-feira, em Chicago, com alta de 19,25 centavos de dólar, a US$ 10,12 por bushel. Como em outras vezes, a seca em países produtores de milho alavancou as demais commodities, com a expectativa de uma alta na demanda de grãos dos Estados Unidos. "As pessoas subestimaram os estragos provocados pela seca e as lavouras continuam encolhendo", disse Mark Schultz, analista-chefe da Northstar Commodity Investment. , em entrevista à agência Bloomberg. De acordo com o analista, os preços também foram influenciados pelo calor e pela chuva excessiva no próprio território americano. No mercado interno, a saca de 60 quilos da soja ficou em R$ 40,05, alta de 0,81%, segundo o Cepea/Esalq.
Seca preocupa. Os contratos futuros do trigo fecharam, mais uma vez, em alta na sexta-feira, nas bolsas americanas. A alta é sustentada pelas perspectivas de safras ruins na Rússia e na Europa, assoladas pelas temperaturas mais altas em décadas. Segundo o Conselho Internacional de Grãos, em Londres, os estoques globais de trigo deverão cair para 192 milhões de toneladas até 20 de junho de 2011, queda de 2,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na bolsa de Chicago, os papéis para dezembro fecharam a US$ 6,9375 por bushel, alta de 34,25 centavos. Em Kansas, o mesmo vencimento fechou a US$ 6,915 por bushel, alta de 28,25 centavos. No mercado paranaense, o preço médio do trigo ficou estável em R$ 22,65, segundo o Deral, da Secretaria de Agricultura do Paraná.
Fonte: Valor Econômico
