Melhoramento genético para que e para quem?
Vários fatores determinam o sucesso da atividade pecuária, nutrição, sanidade e genética, nos últimos anos a bovinocultura tem experimentado uma avalanche de tecnologias, principalmente em relação a suplementações, uso do confinamento de forma estratégica, utilização dos recursos forrageiros de forma mais eficiente. Todas estas tecnologias encontraram um produtor preocupado com a rentabilidade da atividade, e as pressões advindas da reforma agrária e órgãos ambientais e sabendo que tinha que garantir a sustentabilidade da sua fazenda.
Porem este mesmo produtor encontra-se em uma encruzilhada, utiliza melhores vermífugos, melhor sal mineral, espécies forrageiras adequadas e bem manejadas, por vezes faz integração lavoura pecuária, faz inseminação artificial (convencional ou em tempo fixo), confina no período de escassez de forragem, e o resultado desempenho dos seus animais em relação a idade, peso e qualidade da carcaça ao abate, idade ao primeiro parto, índices de fertilidade, pesos ao desmame não é o que ele gostaria.
Surgindo alguns questionamentos em relação as margens de lucro da atividade e a viabilidade dos investimentos e até mesmo avaliando outras alternativas como arrendamentos, venda da propriedade. As respostas a estas perguntas passam por ferramentas de gerenciamento, compra e venda de forma eficiente e baseada em informações de mercado e principalmente melhoramento genético do rebanho.
Porque o melhoramento genético baseado em características produtivas não se popularizou entre os produtores?
· Não é um “produto” palpável que se compra e leva para a fazenda.
· Resposta a médio longo prazo.
· Pouca atuação da iniciativa privada, tendo instituições de pesquisas e universidades como divulgadores e beneficiários.
· Grande propaganda de material genético não adaptado ao sistema de produção a pasto.
· Crença que o melhoramento animal é só para quem produz touros ou tem rebanho PO.
· Carência de profissionais que entendam de melhoramento genético de rebanho.
· Acasalamentos feitos de forma empírica.
· Acham que é caro e difícil de ser implementado.
Posto isto nos próximos assuntos farei comentários sobre estes temas, demonstrando que melhoramento do rebanho bovino passa a ser uma exigência para sustentabilidade da fazenda, que é uma tecnologia de resposta se bem feita rápida e duradoura e que é acessível a todos os produtores, principalmente aos que realmente produzem carne.

