Brasil precisa melhorar competitividade dos produtos
Acordo Mercosul-UE: Brasil precisa melhorar competitividade dos produtos agrícolas.
Sucesso do acordo entre os dois blocos está condicionado com a aprovação das reformas no Brasil, diz Rubens Barbosa.
A exportação de produtos agrícolas do Brasil pode ganhar ainda mais impulso após o anúncio de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. No entanto, para que esse resultado seja alcançado, o País precisa melhorar a competitividade de seus produtos agrícolas. A afirmação é do ex-embaixador do Brasil em Londres, e em Washington, Rubens Barbosa.
“A melhora dos produtos brasileiros está condicionada com a aprovação das reformas, especialmente a da previdência, além da tributária”, destaca Barbosa, que também é presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Trigo (Abitrigo).
Para o presidente da entidade, as reformas são fundamentais para que o acordo seja de fato benéfico para o Brasil. Superadas essas dificuldades, ele acredita que, de maneira geral, toda a cadeia do agronegócio pode sair beneficiada com o entendimento entre os dois blocos. “O acordo coloca novamente o Brasil no mercado internacional”.
Segundo o ex-embaixador, agora com o acordo Mercosul-UE prestes a sair do papel, o Brasil precisa agora focar em novas alianças internacionais. Como exemplo, o especialista ressalta que agora o foco dos países sul americanos deve ser a busca por um entendimento com os países europeus que estão fora da aliança com a UE, bloco conhecido como a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), – formado Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.
Rubens Barbosa ainda ressalta outras possibilidades de acordo de livre comércio que devem ser almejadas pelo Brasil. “Nós precisamos voltar a fazer negócios com a Ásia (além da China), além de outros mercados importantes, como Canadá e Singapura.
Recentemente, o chanceler brasileiro Ernesto Araújo, informou que um acordo com a EFTA está muito próximo de acontecer. Ainda de acordo com ele, as negociações com o Canadá devem ser concluídas no segundo semestre deste ano.
Segundo o presidente Jair Bolsonaro, o acordo de livre comércio firmado na semana passada pode entrar em vigor nos próximos três anos, após ser chancelado pelas Câmara dos Deputados e também pelo Senado Federal. Ainda segundo estimativas do governo, o entendimento entre os dois blocos deve gerar um ganho de R$ 500 bilhões para o PIB brasileiro nos próximos dez anos.
Produtos em destaque
As negociações entre os dois blocos foram celebradas pelo Ministério da Agricultura, que projeta vantagens para os produtores brasileiros, entre elas a eliminação da cobrança de tarifas para itens como café solúvel e também carnes, que terão isenção de taxas por um ano.
Com a oficialização do acordo, os embarques de suco de laranja também podem sair ganhando. A Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) destaca que hoje as tarifas médias para entrada do produto na União Europeia variam entre 12.2% e 15%, dependendo do produto. A entidade ressalta que o fim das taxas melhora a competitividade do suco de laranja em relação a concorrentes como o México, que aumentou sua participação no comércio mundial de forma significativa.
Para a carne de frango, as negociações resultaram em uma cota total de exportações de 180 mil toneladas, válida por 12 meses, além das liberações das vendas de carne suína e ovos processados, segundo informações da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Em relação a um dos principais produtos do agro brasileiro, a soja não deve ter um ganho direto tão expressivo como os dois citados anteriormente. No entanto, o subproduto, o farelo, deve ter sua demanda impulsionada a nível interno. Isso deve acontecer após o acordo prever a isenção de tarifas sobre a importação de carnes por parte dos europeus, como ressalta o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), André Nassar.
Atualmente, 24% das exportações brasileiras entram na UE livres de tributos. Com o acordo, o fim das tarifas de importação chegará a quase 100% das exportações do Mercosul.
FONTE: DATAGRO.

