Cotações de trigo em Chicago tem queda
Relatório acabou reduzindo os números da safra estadunidense.
As cotações do trigo, que se mantinham praticamente estáveis em Chicago até o anúncio do relatório de oferta e demanda do USDA, recuaram bastante no dia 10/08, sob efeito de tal anúncio. Assim, o bushel do cereal fechou esta quinta-feira (10) em US$ 4,40, contra US$ 4,57 uma semana antes. A cotação deste dia 10/08 não era vista desde o dia 12/06 passado.
Os preços estiveram sob pressão da grande oferta mundial e pelo fraco desempenho das exportações estadunidenses de trigo. Todavia, preocupações com o clima nas regiões produtoras do trigo de primavera impediam novas baixas. Assim, mesmo com o avanço da colheita deste trigo, a expectativa para com o relatório de oferta e demanda do USDA segurava as cotações, pois muitos analistas apostavam em mais redução na produção de trigo dos EUA.
O referido relatório acabou reduzindo os números da safra estadunidense, porém, de forma tímida em relação a julho. Além disso, o forte recuo da soja e do milho puxaram igualmente a cotação do trigo para baixo. O relatório indicou o seguinte:
1) A produtividade média nos EUA foi reduzida para 3.066 quilos/hectare, contra 3.106 quilos em julho e 3.537 quilos/hectare em 2016/17;
2) A produção final dos EUA, para 2017/18, foi reduzida para 47,3 milhões de toneladas, contra 47,9 milhões em julho e 62,9 milhões de toneladas em 2016/17;
3) Os estoques finais estadunidenses pouco se alteraram, ficando em 25,39 milhões de toneladas para 2017/18, contra 25,53 milhões em julho, lembrando que em 2016/17 os mesmos atingiram 32,2 milhões de toneladas;
4) Com isso, o patamar de preços médios aos produtores de trigo dos EUA, para o ano 2017/18, permaneceu entre US$ 4,40 e US$ 5,20/bushel;
5) Em termos mundiais, a produção global foi aumentada para 743,2 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais mundiais subiram para 264,7 milhões, servindo como componente baixista às cotações;
6) A produção e a exportação da Argentina, para 2017/18, ficaram respectivamente em 17,5 e 11,5 milhões de toneladas;
7) A produção e a importação do Brasil, para o novo ano comercial 2017/18, ficaram respectivamente projetadas em 5,2 e 7,2 milhões de toneladas.
Por sua vez, em relação ao plantio de trigo, para a safra 2016/17 na Argentina, o mesmo chegava a 96% da área no início desta semana, com a Bolsa de Cereais de Buenos Aires estimando uma área final de 5,4 milhões de hectares, ou seja, 5,8% acima do efetivado no ano passado.
Neste contexto, os preços da tonelada FOB de trigo para exportação no Mercosul permaneceram entre US$ 200,00 e US$ 220,00.
No Brasil, os preços do cereal se mantiveram estáveis, com o saco no balcão gaúcho fechando a semana na média de R$ 32,32. Já os lotes continuaram na média entre R$ 38,40 e R$ 39,00/saco. No Paraná os mesmos ficaram estáveis em R$ 42,00/saco, enquanto no balcão giraram entre R$ 35,00 e R$ 36,50/saco. Em Santa Catarina o balcão ficou entre R$ 34,00 e R$ 36,00/saco e os lotes permaneceram em R$ 37,80/saco.
Enquanto o plantio chegava a 97% da área no Rio Grande do Sul, notou-se que as chuvas da semana anterior neste Estado não foram suficientes para muitas regiões e a seca continua preocupando os produtores locais e também do Paraná, sem falar nos efeitos da geada de julho. As perdas começam a ficar irreversíveis no sul do país.
Muitos operadores no mercado, avaliando as atuais condições, já vêm repercutindo possíveis quebras ainda não confirmadas e aguardam preços mais elevados para o decorrer da temporada. Isso faz com que os mesmos segurem, em parte, o produto ainda disponível, esperando negociar em um melhor momento.
Mas há contradições neste movimento atual de preços! Isso porque, no curto prazo, já há indicações de possibilidade de redução dos mesmos, diante da iminência do ingresso da nova safra que, mesmo com quebras, deverá potencializar o viés baixista no Paraná. Apenas no Rio Grande do Sul, que colhe em novembro, se espera firmeza nos preços neste curto prazo (cf. Safras & Mercado).
Este raciocínio comercial se deve ao fato de que as perdas ainda não foram confirmadas, e a indústria nacional está bem abastecida. Além disso, o câmbio segue desfavorável ao trigo nacional, podendo manter um cenário de elevadas importações para a próxima temporada, potencializada por uma produção maior na Argentina, que poderá ter boa parte escoada para o mercado interno brasileiro (cf. Safras & Mercado).
FONTE: CEEMA / UNIJUI.

