Cepea: Custos de produção de aves e suínos

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CUSTOS AVES/CEPEA: CUSTO DE PRODUÇÃO SE MANTÉM ABAIXO DA INFLAÇÃO EM 2016.

O aumento no Custo Operacional Efetivo (COE) médio da avicultura integrada ficou abaixo da variação na taxa de inflação em 2016, segundo indicam cálculos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, realizados em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Enquanto o IGP-DI (FGV) neste período registrou alta de 7,15%, o COE médio brasileiro para a produção de frango de corte calculado pelo Cepea/CNA subiu 4,26%, em termos nominais.

Este cenário evitou margens ainda mais apertadas em 2016, já que os avicultores integrados de regiões pesquisadas pelo Projeto Campo Futuro relataram queda na receita anual decorrente da diminuição do total de aves entregues no ano.

Segundo pesquisadores do Cepea, desconsiderando-se os efeitos da inflação, o resultado foi ainda mais favorável ao avicultor integrado, com redução real do custo de produção. Se deflacionados pelo IGP-DI os valores desembolsados, o custo de produção em todas as regiões pesquisadas se reduziu, em média, 2,7%.

Quanto aos gastos que são de responsabilidade do produtor integrado, cálculos do Cepea/CNA mostram que o item que mais teve aumento em 2016, em termos nominais, foi a manutenção de implementos, com alta de 27,8% de dezembro/15 a dezembro/16. O valor da mão de obra, entre contratados e terceirizados subiu 11,9% no mesmo período. Quanto aos combustíveis e lubrificantes, em um ano, houve elevação de 5,79%.

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A maravalha, insumo derivado da serragem de madeira tratada, utilizada na composição da cama de frango, se valorizou 3,52% em um ano. Segundo agentes consultados pelo Cepea, houve alta na procura por maravalha tratada por exigência das integradoras, o que contribuiu para a valorização do produto. Nos últimos meses do ano, no entanto, a baixa demanda pelo insumo gerou queda nas cotações. Por outro lado, o gasto com energia elétrica recuou 2,55% em um ano, ainda conforme cálculos do Cepea/CNA. Com o aumento no nível dos reservatórios, as bandeiras tarifárias se alteraram, reduzindo o valor por kwh em todas as regiões pesquisas. A manutenção com benfeitorias também apresentou queda de 3,13% no período.

CUSTOS SUÍNOS/CEPEA: CUSTO DA SUINOCULTURA INTEGRADA SOBE QUASE 5% EM 2016.

Levantamentos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, realizados em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), apontam que o Custo Operacional Efetivo (COE) da suinocultura subiu 4,79% na “média Brasil” ao longo de 2016, com destaque para a alta registrada na UT (Unidade de Terminação) da região de Santa Rosa (RS), de 8,23% no período.

No topo dos itens com maior participação no COE, a mão de obra subiu 10,88% de dezembro/15 a dezembro/16, também na média das regiões brasileiras, consequência do reajuste do salário mínimo. Os gastos com combustíveis, embora representem apenas 1,34% do COE de 2016 na média Brasil, foram um dos que mais aumentaram em um ano, 8,38% na “média Brasil”, ainda conforme cálculos do Cepea/CNA. Em Santa Rosa (RS), a elevação desse item chegou a 22,41%.

A alta nos preços dos combustíveis também reflete em outros custos. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, houve forte elevação de 15,59% no item transporte de funcionários (locomoção) no sistema UPD entre dezembro/15 e dezembro/16. No sistema UPL (Unidade de Produção de Leitões) de Mato Grosso, esse item subiu 5,6%. Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo), os aumentos de preços nas bombas foram de 11,55% para o etanol, de 4,83% para a gasolina C e de 4,45% para o diesel (aqui foram consideradas as variações de preços em regiões levantadas em painel pelo Cepea) entre dezembro/15 e dezembro/16.

Os gastos administrativos, que representaram 8,34% do COE, subiram 2,95% de dezembro/15 a dezembro/16. Já a energia elétrica, responsável por 9,24% do COE do suinocultor em dezembro/16, apresentou queda de 2,85% nos valores, justificada pela mudança nas bandeiras.

Nesse cenário, de acordo com pesquisas do Cepea/CNA, a mão de obra segue com a maior participação no COE, de 38,23% em dezembro/16 frente aos 36,13% no mesmo mês de 2015, na “média Brasil”. A maior representatividade desse item no COE, de 58,44%, foi verificada no sistema de produção de terminação (UT). Para o grupo de manutenções totais, que engloba as manutenções com benfeitorias, máquinas, implementos, equipamentos e ferramentas elétricas, também houve diminuição na participação deste item no COE, passando de 8,24% em dez/15 para 7,88% em dez/16, na “média Brasil”.

Nesse contexto de custos elevados, pesquisadores do Cepea indicam que o produtor mais uma vez teve dificuldades em realizar quaisquer investimentos, como reposição de matrizes, troca de equipamentos, manutenção de benfeitorias e máquinas. A expectativa de melhora recai sobre os preços menores do milho esperados para 2017 e o bom desempenho das granjas.

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações por meio da Comunicação Cepea, com a pesquisadora Camila Ortelan e com o analista de mercado Marcos Iguma: (19) 3429-8836 / 8837 e cepea@usp.br


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