A expectativa de uma colheita abundante de trigo para a Argentina só aumentou quando a Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA) também aumentou as suas perspectivas.
A BCBA – que com uma estimativa da produção de trigo argentina de 12,5 milhões de toneladas em 2016/17 fez parte das previsões mais negativas – aumentou sua estimativa para a colheita, agora de 15 milhões de toneladas.
A atualização – que ficou acima das previsões do Conselho Internacional de Grãos e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), mas permaneceu abaixo da estimativa da semana passada do próprio Ministério da Agroindústria da Argentina – refletiu uma avaliação melhor da área semeada.
Os resultados preliminares de imagens de satélite “incluíram uma área maior plantada com trigo” nesta temporada, com a estimativa aumentada em 400 mil hectares, chegando assim a 4,7 milhões de hectares.
As estimativas de área foram feitas nas regiões compreendendo o sudeste da província de Buenos Aires e o Núcleo Norte, no cinturão do trigo, onde a estimativa do plantio foi aumentada por 230.000 hectares, alcançando 730.000 hectares.
‘Impacto positivo’
O aumento no plantio reflete “uma mudança no regulamento, que gerou um impacto positivo nas intenções de plantar o cereal”, disse a BCBA, uma referência à suspensão por parte do novo governo de tarifas de exportação e controles de volume do trigo.
No entanto, apesar das estimativas crescentes para a produção, com a Argentina tendo maior probabilidade de registrar sua maior colheita em seis anos, os suprimentos do país sul-americano não foram oferecidos desta vez a um leilão da Gasc, órgão do Egito, que é o principal país importador de trigo.
Das 11 cargas oferecidas à Gasc, todas vieram do Mar Negro, principalmente da Rússia, que tem dominado as vendas para o órgão em 2016/17.
No leilão anterior da Gasc, na semana passada, foram oferecidas duas cargas de trigo argentino – ambas compradas pelo órgão, com o baixo custo das ofertas compensando o aumento dos custos de frete do transporte do grão por meio do Atlântico.
A Argentina pode ser competitiva?
O fracasso de oferecer trigo argentino desta vez pode ser uma indicação de que o país não tem pressa de receber os lucros de uma boa colheita de trigo.
“O baixo preço do trigo oferecido no último leilão foi um bom anúncio de que a Argentina pode competir”, disse um trader britânico ao site Agrimoney.
“Mas pode ser que a Argentina tenha vendido o suficiente por agora e não queira continuar com o preço mais baixo.”
Acredita-se que o trigo argentino também tenha tido uma ordem por parte da Argélia de 490 mil toneladas há duas semanas, o que teria influenciado a não-participação no leilão, além de ser o fornecedor padrão do cereal para o Brasil.
Tradução: Izadora Pimenta
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