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FAPESP e Koppert anunciam acordo para pesquisas

    Por Jaqueline Antonio

A FAPESP e a Koppert do Brasil Sistemas Biológicos, empresa de origem holandesa especializada no controle biológico de pragas na agricultura, anunciaram hoje um acordo de cooperação para pesquisas, com foco no desenvolvimento de produtos que garantam o controle de pragas e doenças em diferentes culturas agrícolas, por meio do controle biológico.

Com duração de dez anos, o acordo é o primeiro assinado pela Fundação voltado exclusivamente aos temas relacionados ao aprimoramento do controle biológico na produção agrícola, com foco de atuação da Koppert, que atualmente mantém em sua sede, em Piracicaba (SP), um departamento próprio de Pesquisa e Desenvolvimento, onde uma equipe de pesquisadores busca aperfeiçoar tecnologias de controle biológico para a agricultura tropical.

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Ao todo, ao longo dos próximos dez anos, serão investidos R$ 20 milhões, divididos em partes iguais pelas duas instituições. A proposta é de que diferentes pesquisas ajudem a desenvolver um sistema voltado para soluções naturais, com o manejo integrado de pragas e doenças na produção agrícola, visando a saúde do cultivo, sua resistência e produtividade.

Para tanto, está prevista a realização de uma chamada de propostas de pesquisas nos próximos meses, e a criação de um Centro de Pesquisa Aplicada em Controle Biológico, na esfera do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), da FAPESP. O acordo deverá impulsionar ainda o desenvolvimento de um modelo de controle biológico apropriado às características da agricultura brasileira, que apresenta plantios ininterruptos de diferentes culturas em grandes extensões, com o desenvolvimento de novas cultivares e o frequente surgimento de pragas.

A pesquisa e desenvolvimento em controle biológico avançaram no Brasil nos últimos anos. No entanto, diferentemente de países de clima temperado, no Brasil o controle biológico é feito em áreas abertas e extensas, fazendo com que sua utilização dependa de alta tecnologia – o que envolve conhecimento, produtos de alta qualidade e tecnologia de aplicação, características que serão desenvolvidas e coordenadas pelo Centro. Nesse sentido, as pesquisas deverão resultar em maior conhecimento sobre os macrorganismos (insetos e ácaros) e os microrganismos (bactérias, vírus, protozoários e nematoides) presentes na biodiversidade brasileira com potencial de uso no controle de pragas e doenças em diferentes culturas.

Para o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, trata-se de um tema essencial para a agricultura do Estado de São Paulo, e no qual a pesquisa paulista tem muito a contribuir.

“O acordo com a Koppert permite à FAPESP criar oportunidade para que a comunidade de pesquisa em São Paulo, em universidades e institutos de pesquisa, se associe à empresa para descobrir novos conhecimentos e aplicações na área de controle biológico. O modelo de Centros de Pesquisa em Engenharia, criado pela FAPESP, é inovador e tem poucos paralelos internacionalmente, permitindo que a equipe de pesquisa da empresa se entrose e desenvolva uma real colaboração com a equipe da universidade ou instituto de pesquisa, dado o longo prazo do contrato”, diz.

Atualmente, a Koppert tem pesquisas em andamento com ácaros predadores, nematóides entomopatogênicos, parasitóides e diferentes microrganismos para controle de pragas e doenças. “Publicamos apenas pesquisas feitas em colaboração com universidades, uma vez que grande parte do que produzimos internamente tem um cunho técnico para gerar resultados de campo”, diz Danilo Scacalossi Pedrazzoli, diretor industrial da Koppert.

Para ele, o acordo com a FAPESP deve trazer proximidade e melhoria ao relacionamento empresa-universidade, realidade comum na Europa e Estados Unidos, sobretudo porque as tecnologias introduzidas no Brasil vieram de países com clima e culturas diferentes, o que as inviabiliza ou diminui suas possibilidades locais de exploração.

“O acordo trará retorno rápido no desenvolvimento de conhecimento focado em soluções sustentáveis em agricultura tropical, o que é inédito no mundo. O Centro FAPESP-Koppert trará ao mercado conhecimento prático no manejo de pragas e doenças, catalisando o conhecimento desenvolvido nos últimos 40 anos pelas universidades paulistas, precursoras no setor”, afirma.

Internacionalmente, a utilização de controle biológico na agricultura tem aumentado entre 15% e 20% ao ano. Dados da Koppert indicam que o Brasil apresentou crescimento da produtividade em mais de 200% nos últimos 30 anos, com apenas 45% de aumento da área cultivada. “O foco e o desafio atual são aumentar ainda mais esta produtividade, sem expansão de área. O manejo integrado, onde se encaixa o controle biológico, pode contribuir para este aumento de produtividade, promovendo o uso racional e mais eficiente de ferramentas de proteção de plantas e redução de custos”, finaliza.

Revista Cultivar

gustavo henrique leite mota piesanti

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