Do Campo para a Cidade: a expectativa de produção
As estimativas da CONAB são muito criteriosas, envolvendo pesquisas, informações sobre a área de cultivo, condições de crédito e outros itens significativos. Estas técnicas de projeção, trazem muita confiabilidade aos dados. O risco de quebra na safra causado por incertezas climáticas existe, porém, a análise de clima é variável que também integra estas estimativas. O setor agrícola brasileiro tem se desenvolvido em termos de produtividade, atualização financeira e representa importante contribuição à renda de toda a população brasileira. É um setor que recebe pouco subsídios do governo e com isto também fornece importante contribuição à política fiscal.
As culturas acompanhadas pela CONAB são o algodão em caroço, algodão em pluma, amendoim, arroz, feijão, girassol, mamona, milho, soja, sorgo e outras culturas de “grãos de inverno” como a aveia, canola, centeio, cevada, trigo e o triticale. É novamente conveniente indicar que estão contempladas nesta projeção apenas os grãos. Estão excluídas culturas que também acrescentam significativa renda para o campo como o café, açúcar e ainda outras consideradas relevantes como a laranja e o fumo. A empresa reitera que a soja e o milho permanecem como os principais grãos produzidos no país. Os dois produtos correspondem a quase 90% do que é produzido.
Uma das estimativas realizadas pela instituição mostra que a receita bruta obtida apenas com a produção das safras de algodão, arroz, feijão, milho e soja atinge o valor de R$194 bilhões, um acréscimo próximo a 23% com relação à safra passada.
Apesar das dificuldades ligadas à infraestrutura, como a ausência de rodovias e da dificuldade de uma logística integrada, a contribuição do setor agrícola à renda da população será significativa. Como observado pela CONAB, “a cadeia do agronegócio contribui para a manutenção de emprego e distribuição de renda entre seus componentes e também para a geração de impostos”. Adicionalmente, é relevante indicar, que as exportações dos produtos agrícolas garantirão uma importante fonte de receita cambial em um ano de possíveis e grandes oscilações nesta taxa.
Por Agostinho Celso Pascalicchio, professor de Economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Mestre em Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo. É professor nas áreas de economia e finanças.
Fonte Revista Cultivar
