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Abiove quer negociar cotas de exportação de farelo

POR RAPHAEL SALOMÃO, DE SÃO PAULO (SP)
Queda na produção de carne levou a menor demanda por farelo de soja em 2016 (Foto: Ormuzd Alves/Ed. Globo)

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) planeja negociar em conjunto com o governo brasileiro cotas de exportação de farelo de soja para países asiáticos. A China é o principal alvo, mas a direção da entidade acredita ser possível também chegar a países como Vietnã, Tailândia, Mianmar e Coreia do Sul.

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“Queremos sensibilizar governos asiáticos a colocar cotas de valor agregado nas suas importações”, diz o presidente da Abiove, Carlo Lovatelli.

A indústria busca garantir mercado prevendo maior oferta de farelo de soja do Brasil nos próximos anos. Esse volume adicional do subproduto seria consequência da elevação da mistura de biodiesel – que tem no óleo de sojasua principal matéria-prima – no diesel fóssil.

Nos próximos três anos, essa proporção deve chegar a 10%. Já em março de 2017, passará de 7% (B7) para 8% (B8), o que já demandará mais 400 mil toneladas de óleo. Significa mais 2 milhões de toneladas do grão para processamento, resultando em 1,5 milhão de toneladas de farelo para vender no exterior.

“O volume de farelo vai aumentar em função do óleo a mais para o biodiesel. Vai sobrar mais farelo e a gente tem que exportar”, resume Lovatelli.

No caso específico da China, as conversas já começaram, garanto o presidente da Abiove. Ele considera “plausível” estabelecer uma cota de 5 milhões de toneladas de exportação de farelo. Atualmente, toda a produção chinesa é local, boa parte suprida por soja importada, inclusive, do Brasil.

Carlo Lovatelli acredita em um acordo, ressaltando que há uma relação de confiança entre brasileiros e chineses. “É preciso haver vontade política. O governo se dispôs a visitar mercados asiáticos, onde há um potencial de complementação da cadeia de exportações”, afirma, destacando que a participação do governo é importante, já que será necessário discutir contrapartidas.

Balanço e perspectivas

Nesta quarta-feira (14/12), a direção da Abiove apresentou, em encontro com jornalistas, em São Paulo (SP), os números para o encerramento de 2016. Em um ano de quebra da produção brasileira de soja, a indústria processou 3,34% menos, totalizando 39,2 milhões de toneladas do grão.

A produção de farelo encerra este ano com um volume 3,46% menor, em 29,7 milhões de toneladas. As exportações caíram 3,35%, para 14,3 milhões, e o consumo interno do produto foi 4,5% menor, de 15,3 milhões de toneladas.

Segundo Fábio Trigueirinho, secretário geral da Abiove, a retração de demanda no mercado doméstico foi consequência da menor produção de carnes, especialmente a de frango. “Houve a quebra na safra de milho, que encareceu a matéria-prima para a indústria de carnes. Soja e milho andam juntos e a indústria de soja sentiu isso.”

A Abiove registrou ainda uma redução de 3,39% na fabricação do óleo de soja. Em 2016, 7,8 milhões de toneladas saíram das processadoras. O consumo interno encerra o ano praticamente estável em relação a 2015 (-0,3%), em 6,5 milhões de toneladas. A exportação de óleo fica 18,92% menor, em 1,35 milhão de toneladas.

Para 2017, a expectativa da indústria é de uma situação melhor, a começar pela oferta maior de soja. A Abiove projeta uma colheita de 101,7 milhões de toneladas do grão na safra 2016/2017 no Brasil.

O esmagamento deve aumentar 4,59%, para 41 milhões de toneladas. Esse volume deve resultar em 31,1 milhões de toneladas de farelo e 8,1 milhões de toneladas de óleo, principalmente por causa da elevação da mistura de biodiesel.

No entanto, a maior parte da produção brasileira de soja ainda deve ser exportada na forma de grão. Nas projeções da Abiove, os embarques devem somar 58 milhões de toneladas, com a China mantendo a liderança entre os compradores.

A despeito do volume recorde no Brasil de da grande produção nos Estados Unidos, Fábio Trigueirinho espera que os preços internacionais de soja se mantenham acima de US$ 10 por bushel na Bolsa de Chicago. “A oferta é maior, mas a China não para de comprar. A demanda está respondendo rapidamente.”

fonte revista globo rural

gustavo henrique leite mota piesanti

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