Diniz quer que os produtores paguem mais impostos
No Estadão : ‘Estou esperançoso, o impeachment é um fato novo; o Brasil tem uma nova chance’, diz Abílio Diniz ao Estadão
Às vésperas da aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o empresário Abilio Diniz, ex-dono do Grupo Pão de Açúcar (GPA), e hoje terceiro maior acionista do Carrefour global, diz estar esperançoso com as mudanças que estão por vir. Abilio diz que foi próximo dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, mas que agora o País está diante de um “fato novo”.
Para o empresário, o Brasil tem de passar por uma ampla reforma – que inclui cortes nos gastos públicos, revisão tributária, política e da Previdência. E defende abertamente um assunto espinhoso: aumento dos impostos. “Se a atividade econômica cresce, aumenta a receita. Enquanto não cresce, tem de aumentar o imposto. E é aí que vão dizer: De jeito nenhum! Não podem aumentar imposto. Isso é contra o País, é hipocrisia”, diz o dono da Península, gestora de investimentos com cerca de R$ 10 bilhões em ativos, incluindo participações na gigante de alimentos BRF (dona da Sadia e Perdigão); Anima Educação e outros negócios. A volta da CPMF e o fim da guerra fiscal entre os Estados estão entre as bandeiras de Abilio.
Na Folha: A ficha não caiu, por Valdo Cruz
Valdo Cruz é reporter especial da Folha. Cobre os bastidores do mundo da política e da economia em Brasília.
BRASÍLIA – Desacreditada, sob suspeita, boa parte da classe política brasileira emite sinais de que, mesmo assim, está de costas para o país. A ficha parece que não caiu no Congresso, em especial na Câmara dos Deputados, para a situação de penúria das contas públicas.
Na semana passada, pressionados por corporações, deputados não tiveram coragem de aprovar medidas para facilitar o ajuste fiscal dos Estados e derrubaram o veto temporário a reajuste de servidores. Ficaram de bem com este eleitor em detrimento dos demais.
Foi um sinal negativo preocupante. Se já foi assim agora, como será quando forem analisar a reforma da Previdência? Sem falar que tem deputado querendo derrubar o teto dos gastos na proposta de renegociação da dívida dos Estados.
Encastelados em Brasília, nossos políticos são reféns, com muito bom gosto, de todo tipo de corporação. Uma minoria consegue gritar alto e manter seus privilégios. Enquanto isso, fora da capital, a maioria corre risco do desemprego e de ter sua empresa fechada.
Leia a coluna na íntegra no site da Folha de S. Paulo.
Na Folha: Falácias sobre o ajuste fiscal
Por Fernando de Aquino Fonseca Neto
Nestes tempos de aguda polarização política, o elevado valor alcançado pelo deficit público é irrefletidamente, ou maliciosamente, denunciado como culpa, unicamente, do governo afastado (falácia 1).
O ajuste fiscal é uma necessidade que se autoalimenta -quanto mais é alardeado, menos os agentes econômicos compram, menos é produzido, mais trabalhadores são demitidos, menos é arrecadado e mais o deficit aumenta.
Na realidade, antes de todo esse alarde por parte dos opositores ao governo eleito, o deficit mantinha-se em magnitudes controláveis, sem maiores transtornos.
Atualmente, quando medidas mais fortes se tornaram necessárias, insiste-se em outras falácias. Por exemplo: é mais justo e benéfico para a economia que o Estado “corte na própria carne”, pois foi ele quem gastou o que não tinha, por isso não deve mandar a conta para a população (falácia 2).
O Estado nada mais é do que uma ficção jurídica. Não tem “carne para cortar”, apenas transfere recursos, para realizar serviços e investimentos públicos ou para agentes econômicos. Assim, importa avaliar quem o ajuste fiscal irá afetar.

