Arredondaram a nota – NOTÍCIAS DO FRONT

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Arredondaram a nota, mas continuamos igual a “surdo em bingo”.

NOTÍCIAS DO FRONT (NF2R)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”

Um cachorro que caiu do caminhão de mudança o que teria a ver com um surdo em um bingo? A resp.: ambos estão absolutamente perdidos e retratam com fidelidade como estão se sentindo os pecuaristas, notadamente os de engorda, neste exato momento.

Nesta semana passada, mais uma vez o boi subiu e atingiu valores “redondos”, o que é psicologicamente importante, pois significam resistências sendo quebradas. Normalmente isto seria motivo de muita comemoração. Mas, estranha e ineditamente, o sentimento que “paira no ar” é outro, bem diferente. Está todo mundo “meio sem gração”, como se estivesse “dançando com a irmã”. Vejamos o porquê disto…

1) COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?

Iniciamos com o indicador Esalq/BVMF em R$ 152,60/@ a vista (variando de R$ 151,50 a R$ 153,50) e terminamos a sexta com ele em R$ 154,26/@ a vista (variando de R$ 153 a R$ 156). Além da alta na mínima e na máxima, tivemos novamente uma quebra do recorde nominal da arroba, que foi o valor de quinta: R$ 155,19/@ à vista. Foi a 6ª semana seguida de alta.

Entretanto, no nosso BeefRadar, há ainda considerável espaço para correção do indicador. Não entendemos porque já não está mais alto e até caiu no fechamento de sexta. Pegamos negócios de R$ 155/@ (frigos maiores) até R$ 158/@ (menores) a vista, inclusive com negócio já identificado de R$ 160/@ a vista para boi EU (o tal do “arredondamento da NF, citado). Forte reação também foi vista na “Terra do Tuiuiú”, com preços de R$ 145/@, na condição de a vista ou a prazo, na dependência da fome do comprador. Já tem pedida de pecuarista sul mato-grossense à 148/@ a vista, na busca de R$ 10/@ de diferencial de base.

O padrão de escala curta segue, até piorando um pouco. Em SP, as escalas estão entre a próxima terça (23) e a quinta (25). O “DIA D” segue na quarta (24), com o placar cravado em cerca de 3d úteis. O STATUS DO BEEFRADAR segue inalterado:

15% queda : 50% estabilidade : 35% alta

2) E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?

Na mesma “batida”, o boi goiano segue “trelado no paulista feito cano de garrucha” e agora tem preço balcão de R$ 147 a 148/@ a prazo, com negócios de “notas arredondadas” de até R$ 150/@, na condição de a prazo e até a vista.

Incrivelmente, entre a próxima segunda até a próxima quarta, estava a data de abate do boi que era comprado no final da última sexta-feira nos cerrados do pequi. Um caso de indústria com muito boi próprio é a exceção (está para o dia 29/fev).

Quanto ao diferencial de base, mesmo com este aperto, ele se apresenta estável, mas querendo passar dos R$ 10/@, na média do ano. Quanto ao deságio das vacas em relação aos bois, nada de novidade: cerca de -5%.

3) HORA DO QUILO: o artigo deste americano fez muita polêmica na última semana. Um bom time de conhecidos nossos a favor e outro bom time contra. E você? Escute o texto, nas palavras da Bel Pesce. Veja: https://www.youtube.com/watch?v=hWo4XbleLuQ

4) TO BEEF OR NOT TO BEEF: uma frase dita em curral por um avô de um amigo do Heise, retrata bem o nosso momento. Ao chegar no curral do vendedor e se deparar com um gado de extrema qualidade, certa vez ele disse: “Ei que gado bom! Tá facinho de eu fazer um negócio ruim”! (Geraldo Cândido)

RAPIDINHAS DO BOVINO BRASILEIRO

5.1) Consumo de sal rebaixado: para quem mede consumo e foi atingido pela chuvarada de janeiro, pode reparar: o consumo deve ter sido baixo naquele mês, mas está em recuperação agora. Nem o boi e nem o peão gostam de chegar perto de cocho numa condição de chuva extrema. Desafio grande para quem quer “nutrição pesada” nas águas todas.

5.2) Importação rebaixada: A Rússia resolveu que não vai mais importar milho dos EUA por questões fitossanitárias, pelo menos em teoria. Advinha quem deve suprir esta demanda? Resultado: o milho “acordou” novamente e teve uma semana aquecida na BMF…

5.3) Economia rebaixada: novamente passamos por uma revisão e a agência internacional S&P, rebaixou a nota da dívida brasileira e ainda a manteve em perspectiva negativa. O que mais preocupa não são mais os números péssimos que toda hora saem, como o Índice de Atividade Econômica (que veio com retração de 4.11% em 2015, sinalizando que deveremos ter um PIB com a maior retração das últimas décadas). Mas sim a inércia em que o governo brasileiro está metido e a ausência de notícias em sentido contrário. Alguns analistas já falam abertamente em calote (moratória), como não sendo mais um fato absurdo, coisa impensável alguns anos atrás;

5.4) Sistema de produção em alta: trata-se da ILPF, um sistema de produção “agronomicamente eficiente, socialmente justo, ambientalmente preservador e economicamente rentável” (João K, Embrapa). Segue o link de uma matéria recentemente reprisada pelo Globo Rural: http://g1.globo.com/natureza/noticia/2016/02/tecnica-revolucionaria-faz-sucesso-na-recuperacao-de-areas-degradadas.html

5.5) Diferencial de base é caso de CPI? Eu não sei, mas em Rondônia foi aberta uma CPI para analisar o porquê de os bois daquele estado estarem tão mais baixos que outras praças pecuárias. Esta semana, falando com um agente da indústria frigorífica, ele nos alertou para coisas interessantes, envolvidas nesta questão, tais como:

*questão tributária: a monetização dos créditos de ICMS tem diminuído consistentemente, o que faz os pequenos frigoríficos do interior de SP “baterem” menos fora do estado, deixando de comprar no MS, MG, sul de GO e assim por diante. Assim, a demanda teria caído e o diferencial aumentado. Para complicar mais, as pautas do imposto foram reajustadas. Assim, estamos vendo, além de RO, o estado do MS estar com diferencial de base “fora de base” da sua relação histórica;

*questão de produção: o grave ajuste feito no ano passado pelos frigoríficos teve o seu menor grau no estado de SP, que praticamente não perdeu plantas e em comparação com o MS. Assim, proporcionalmente, no MS p. ex., há menos “portas” de escoamento da produção e o agendamento de bois se tornou menos difícil do que em outros locais, fator que concorre para o mesmo fato (DF aberto);

*questão safra capim: estados com o MS foram abençoados com maior chuva no arranque da safra de capim 15/16, o que potencializa o efeito de escala mais folgada que outros locais;

De toda a forma, há muito tempo não se via o boi do MT e do MS sendo disputado para embarque para SP. O “DF” aberto passou a compensar, o que por si só se transforma numa barreira natural para que este DF de base “abra mais”. Porém, perspectiva de fechamento, não vemos no cenário atual.

6) CONTINUAMOS IGUAL A SURDO EM BINGO:

O que está ocorrendo no mercado de hoje é simplesmente o aprofundamento do cenário listado nos últimos NF2R e que levou, nesta última semana, o boi a “sair da mão” dos compradores, como reza o comum jargão de mercado. Em outras palavras: o preço ficou “fora de controle” por parte dos compradores dos frigoríficos.

Também já dissemos aqui que a “causa raiz” da ocorrência deste fato é a oferta restrita, a qual, por sua vez, é o sumo extraído de uma batida de vários ingredientes no liquidificador chamado mercado. Estes ingredientes, isoladamente e/ou em conjunto, levam o pecuarista a reter seus animais, que além de tudo, ainda são poucos. Exemplos destes ingredientes:

* BMF em alta;

* pastagens em bons níveis de produção devido às chuvas de janeiro (exceção feita aos sistemas intensivos que vivenciaram um veranico no início de fevereiro);

* reposição que não cede (e até volta a esquentar um pouco);

Assim, o pouco de gado que tem condição de ser abatido, não vai para o abate… Do lado do comprador, tudo isto causa profunda incerteza… A carne tem faceado, no pós final de ano e pós carnaval (datas em que a vendas até que surpreenderam positivamente), com um péssimo escoamento para o mercado interno. Além disto, a compra de animais do MT e do MS tem propiciado a venda de carne a preços menores, sendo “desovada” no mercado dos grandes centros consumidores.

Mesmo com o enorme ganho de competitividade que a carne bovina está experimentando nos últimos quinze dias em relação ao “canela amarela” (frango), não é o mercado interno que tem salvado a pátria. Tem sido a exportação que vem numa parcial muito positiva neste mês no comparativo YoY (alta de mais de 35%). Santo dólar…

Porém, não tem jeito: 80% da carne fica no Brasil e a exportação de 20% não tem “cacife” para reverter o quadro totalmente. No “frigir os ovos”, a ponta compradora do atacado (os frigoríficos), tem ficado mais alerta, observando estas altas do físico com um baita sorriso amarelo de preocupação com suas margens operacionais, que de fato tem caído nas últimas semanas.

A novidade é que a ponta vendedora, os pecuaristas, também tem ficado cada vez mais perdidos e mesmo estes repasses de preços não estão sendo suficientes para deixarem gordas as margens de lucro que caíram enormemente do ano passado para cá.

De forma inédita, temos as duas pontas (pecuarista e frigorífico) em alta tensão e em enorme preocupação ao mesmo tempo. Geralmente enquanto um está triste, o outro é só alegria.

É impressionante como os pecuaristas estão perdidos, “não sabendo se vão confinar ou não, não sabendo se vão repor mais ou não”, etc…

Este cenário todo nebuloso, nos incita a pensar sobre a frase: “na?o estou aqui para fazer previso?es. Elas na?o servem para nada. O futuro sera? sempre opaco. Como disse Paul Samuelson, pre?mio Nobel de economia: “o mercado de ac?o?es previu 9 das u?ltimas 5 recesso?es”. Respondi hoje à tarde, com a frase acima, a pergunta de meu sogro: “o boi vai a 200 em outubro”?

Então qual seria o nosso GPS agora? Resp.: as contas e consequentemente a estratégia usada para a capturação de rentabilidade com segurança. E um modelo para isto já existe…

A hora agora é de rodar o seu fluxo de caixa e analisar a rentabilidade futura da engorda de seus animais de acordo com todas as vias de terminação a serem usadas no rebanho e o seu orçamento para o ano vigente.

Após isto, você tem tudo para não fazer o mesmo erro cometido por 99% dos pecuaristas agora: o erro de não vender na alta!

Até a próxima, se Deus quiser e nos permitir!

Rodrigo Albuquerque (@fazendaburitis) &

Ricardo Heise (@boi_invest),

Num trabalho feito a 4 mãos…

CONTATOS PARA AGENDAMENTO DE PALESTRAS: boicom20@gmail.com

Fonte: Beef Point, por Rodrigo Albuquerque e Ricardo Heise.


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