O Mercosul e seu futuro incerto

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Autor: Eduardo Antonio MARCOS                                                                                                                                 Versión en Español

 

O debate gerado pelas decisões a tomar no curto prazo pelos países membros do Mercosul como para tentar minimizar as consequências da crise generalizada, mais a maioria das questões e problemas internos de cada país, são fatores que hoje, fazem diluir a imagem concreta do Mercosul e seu destino. Estas são as verdadeiras causas e consequência direta do adiamento de decisões sobre as questões mais sensíveis que precisam de definição urgente.

O Mercosul, na forma como ele foi criado, passou por diferentes fases, sendo que no início tinha todos os elementos para a criação de uma zona de comércio livre, com o objetivo de promover o desenvolvimento e a projeção dos quatro países membros na economia internacional.

Atualmente este bloco tem um perfil letárgico em relação ao seu potencial comercial a nível mundial e por politicas errôneas ou evasivas, desacordos e instabilidade funcional dos governos dos principais países, não tem sido capaz de cumprir o propósito para o qual foi criado.

Hoje a questão é se por força das circunstâncias, ou talvez ainda pior, pelas contradições estruturais entre os países membros, o bloco vai sobreviver em sua fraqueza no caso que as autoridades titubeiem em tomar a decisão de resolver os conflitos que estão a atrasar a verdadeira integração, e consequentemente, aprofundar no decaimento de sua importância como bloco econômico para o mundo.

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Há várias questões que exigem reflexão sobre o futuro do bloco, mas a verdade é que se faz necessária a auto crítica imediata dos governos e uma análise que começa a partir do interno para o externo, para poder reconhecer as oportunidades e os benefícios socioeconômicos de sua realização, bem como perdas comerciais que poderiam resultam se não se agir em conformidade.

As relações comerciais entre a Argentina, Brasil e Uruguai são difíceis, e acrescentando o fato das crises acentuadas que vivem os dois países principais, hoje se tem gerado um estado de consternação generalizada e plantou-se a incerteza das consequências económicas que daí advirão para os próximos anos na sua capacidade produtiva. A este respeito, a Argentina é talvez o país mais afetado por esta situação, pela Brasil-dependência.

Quanto ao Brasil, que detém a sexta maior economia de Produto no cenário mundial, a partir da integração nos BRIC começou a explorar novos horizontes e internamente já se levantaram vozes favorecendo a separação do Mercosul. A pesar disso, como sócio majoritário, mesmo de ter deixado a sua atenção na região, ainda não descartou a sua ligação com o bloco.

É por isso que hoje é absolutamente necessário considerar a partir de uma visão esquemática, quais são os problemas não resolvidos na área do bloco, e que surgem como obstáculos à dinâmica proposta para seus objetivos, produzindo a letargia mencionada.

Pepe Mujica disse: “O Mercosul tornou-se um bloco fenício …”, com o qual deseja representar graficamente que a concepção dominante do bloco é: eu compro, eu vendo, o quanto me resta ..? Sem importar mais nada e o pior, sem visualizar ou exibir o escopo de um projeto conjunto.

Isso significa, em outras palavras, que as autoridades responsáveis devem colocar de lado a retórica em relação às questões pendentes e tomar medidas conducentes a alcançar efetivamente a complementação produtiva, avançando assim em algo mais significativo, que é a verdadeira integração.

É importante direcionar os esforços e lidar com a integração da produção dos países membros, já que atualmente, em sua filosofia conceptual, o bloco considera como atividade principal o comércio, deixando de lado outros aspectos que são fundamentais.

A amostra é de que o comércio no Mercosul tem crescido, mas os países têm desbarrancado para um precipício perigoso.


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