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Queda da bolsa chinesa não trará prejuízo para soja

Em 2015, o país asiático deve comprar 77 milhões de toneladas do grão.

Apesar do grande peso dos investidores internacionais nas negociações dos contratos futuros da soja e da influência dos fatores macroeconômicos sobre as cotações das commodities, a queda das bolsas asiáticas não deve causar prejuízos em longo prazo para os produtores do grão. A avaliação é do analista de mercado da AgRural Commodities Agrícolas, Fernando Muraro Junior, que participou nesta tarde do 5º Congresso Brasileiro de Fertilizantes. “O pessoal pergunta: ‘O mercado acionário chinês vai derrubar o da soja?’ Me parece um pouco simplista afirmar que sim”, declarou.

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Muraro lembrou que as importações chinesas de soja têm batido sucessivos recordes, ano após ano. Em 2015, o país asiático deve comprar 77 milhões de toneladas do grão. Em cinco anos, a perspectiva é de que este volume chegue a 96,1 milhões de toneladas. “Os números de importação são para lá de consistentes. Precisa haver um fator maior, mais macro, para abalar o consumo chinês da commodity”, acrescentou.

Para o analista, contudo, as cotações da oleaginosa não podem ser avaliadas apenas do ponto de vista dos fundamentos. “A soja é um ativo financeiro, que independe do mundo real, da oferta e da demanda”, disse Muraro. Como exemplo, ele comentou que, nos últimos anos, as cotações futuras do grão não têm acompanhado a lógica dos estoques. “Estoque alto não significa menor negociação de contratos em (Bolsa de) Chicago”, disse. Apenas em outubro de 2014, segundo o analista, foram negociadas na CBOT 993 milhões de toneladas de soja, o equivalente a três safras mundiais do grão.

Na safra 2015/2016, as lavouras do grão poderão ser beneficiadas pelo fenômeno climático El Niño e atingir recorde mundial no ano que vem. Se a previsão se confirmar, os preços dos contratos futuros da commodity seriam pressionados. Caso os valores venham cair abaixo dos U$ 9 por bushel, os produtores arrendatários podem ficar “numa corda bamba”, de acordo com o analista, por terem rentabilidade menor do que a dos proprietários de terras.

Muraro falou ainda que muitos produtores estão no limite dos custos de produção, arcando com altas no diesel, sementes, defensivos e fertilizantes – estes últimos variando ao sabor do dólar, que está sobrevalorizado em relação ao real. Proprietários no Paraná estão em situação melhor, mas os da Bahia e de Goiás, que sofreram com secas recentemente, vivem um momento difícil. “Se o preço da soja ficar abaixo de U$ 9 por bushel, há um enorme risco para algumas regiões do país.” Em suas estimativas, as cotações da commodity, em 2016, podem variar de U$ 8 a U$ 12 por bushel em 2016.

Uma das sugestões dadas aos produtores durante sua apresentação foi tentar fugir das negociações no primeiro semestre e optar pelo segundo semestre do ano, quando os preços da commodity são mais remunerados.

Fonte: Estadão Conteúdo.

Equipe Agron

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