Carne bovina tende a valorizar como a soja
Nesta década, a produção de carne vermelha deve atingir níveis de valorização semelhantes àqueles registrados na soja na década passada. A tendência, exposta durante o 14º Congresso Brasileiro do Agronegócio pelo sócio-consultor da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros, é fundamentada nos preços elevados da proteína vermelha. Ele lembra que o Brasil mantém o maior rebanho comercial do mundo, com 150 milhões de cabeças, com destaque para Mato Grosso, onde o rebanho bovino é de 28,5 milhões de animais. Entre os países detentores dos maiores rebanhos bovinos estão Índia, Estados Unidos, Argentina e Austrália, além do Brasil. “Atualmente o rebanho dos Estados Unidos é o menor da história”, comenta.
“A alta nos preços pressionou demais as margens (de lucro) e os pecuaristas abateram mais fêmeas. Agora está em processo de recuperação”. Segundo ele, os preços da arroba do boi gordo vêm se recuperando no país. “Argentina e Austrália também estão com um rebanho menor”. Em Mato Grosso, a arroba do boi gordo atingiu a cotação média de R$ 127,99 na última sexta-feira (31) e o bezerro nelore de 12 meses a média de R$ 1,283 mil. Na semana passada, os analistas do Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea) diagnosticaram a menor relação de troca entre o boi gordo e o bezerro com 12 meses já registrada nos últimos 7 anos.
Apesar dessa situação que se consolida desde 2014 na bovinocultura de corte estadual, o atual momento do ciclo pecuário denota um cenário positivo para os investidores de cria. Já o setor de engorda poderá minimizar o impacto da reposição mais onerosa com o gestão na propriedade, dizem analistas. Essa valorização da bovinocultura de corte e o aumento do consumo de carne suína e de frango trouxe outra consequência: a manutenção dos preços do milho num patamar mais elevado, segundo o diretor administrativo e financeiro da Federação da Agricultura e Pecuária (Famato), Nelson Piccoli.
“O milho hoje está com um preço razoavelmente bom, apesar de estarmos em plena colheita”. Na sexta-feira (31) a saca do cereal foi comercializada a R$ 16 no Estado. Utilizado na nutrição animal, o incremento na demanda pelo cereal associado aos problemas climáticos de excesso de chuva nos Estados Unidos e no sul do Brasil garantiu a sustentação dos preços do grão num nível mais alto, expõe Piccoli.
Fonte: Jornal do Comercio.

