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Preço do trigo cai enquanto o do pão sobe

Deral diz que outros fatores, como mão de obra, pesaram mais na alta do alimento.

O Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná, divulgou hoje um artigo no qual mostra que os preços recebidos pelos produtores de trigo em março ficaram 26% abaixo dos praticados no mesmo mês do ano passado, enquanto o preço médio do pão pago pelos consumidores em Curitiba subiu 2% no período analisado. O preço do pão na capital paranaense em março ficou em R$ 8,10/quilo, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

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Na opinião dos analistas do Deral, o descompasso nas variações de preços mostra a influência limitada do grão nos custos finais do pão vendido no varejo. Para exemplificar, eles citam que o valor recebido pelos produtores paranaenses pelo volume necessário para fabricação de um quilograma de pão foi de R$ 0,58 em março. No mesmo período do ano passado este valor era de R$ 0,77.

Os analistas concluem que se dependesse apenas do trigo paranaense e os outros custos tivessem se mantido, o pão poderia estar R$ 0,19 mais barato, mas os demais custos aumentaram e o trigo paranaense não é a única fonte de matéria prima. Eles lembram que houve aumento no preço do componente de maior peso: a mão de obra. Os trabalhadores que ganham salário mínimo tiveram reajuste de 9%, o que deve ser o principal fator a influenciar o preço final do pão, além da energia que também ficou mais cara, e deve contribuir para o aumento dos custos.

Quanto à origem da matéria prima, os técnicos observam que pelas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) 60% do trigo utilizado no Brasil no ano passado foi importado. No caso do Paraná a situação foi diferente, pois as importações não chegaram a 15% do consumo. “Sendo assim, ainda que o maior custo dos trigos importados influencie os preços do pão, estes têm efeitos mais limitados no Paraná do que no restante do país”, dizem eles.

Em relação às expectativas para este ano, os técnicos comentam que os produtores paranaenses ainda contam com aproximadamente 550 mil toneladas que podem ser adquiridas a menos de R$ 600 a tonelada pela indústria. “Os preços internos do trigo aliviam a pressão inflacionária e a safra seguinte não tem perspectivas de gerar um cenário diferente.”

Os analistas lembram que as cotações nesse período de entressafra reagiram pouco e estão fazendo com que os produtores do Paraná recuem na intenção de plantio. Eles ressaltam que mesmo com a redução de área a produção pode ser recorde em 2015, caso as condições climáticas sejam favoráveis. “Este cenário de maior oferta é possível não só no Paraná, mas também em outras regiões próximas, como Paraguai e Rio Grande do Sul, e com isto poderá haver maior pressão nas cotações no período de safra.” Eles dizem que ainda é cedo para prognósticos da safra 2015, já que a área do Mercosul recém começou a ser plantada e é altamente suscetível às intempéries climáticas.

Fonte: GLOBO RURAL.

Equipe Agron

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