Dólar nas alturas. Devo me preparar para novas altas?
Dólar ultrapassa os R$ 2,80 pela 1ª vez em 10 anos
Descontentamento com o cenário econômico brasileiro e preocupações com a permanência da Grécia na zona do euro estimulam alta da moeda americana
Sem trégua no mercado de câmbio, o dólar opera em alta nesta terça-feira, ultrapassando o patamar de 2,80 reais pela primeira vez em mais de dez anos, segundo a Reuters. Na segunda-feira, a moeda americana fechou no maior patamar ante o real desde dezembro de 2004, no sétimo avanço em dez sessões, o que pode estimular vendas pontuais para realização de lucros durante a sessão. A percepção ruim com o cenário doméstico não deu espaço para uma devolução dos ganhos acumulados nas últimas sessões. Os escândalos envolvendo a Petrobras, os riscos de racionamento hídrico e de energia, além da delicada situação fiscal e os desafios do Palácio do Planalto no Congresso, somam-se às preocupações com a Grécia no exterior e reduzem o apetite por risco entre os investidores. Por volta das 12h40, a moeda americana operava em alta de 1,69%, a 2,8246 reais. Na máxima, atingiu 2,8234 reais, e na mínima, 2,7879 reais.
Também pressionam os negócios o descontentamento dos agentes financeiros com os rumos da inflação e do Produto Interno Bruto (PIB) do país, além da desconfiança quanto ao cumprimento da meta fiscal de 2015 e das preocupações quanto à aprovação, no Congresso, do ajuste proposto pela equipe econômica de Dilma Rousseff (PT),
“As moedas emergentes têm sofrido de maneira geral, mas o cenário da economia brasileira está muito deteriorado”, disse o operador de câmbio da corretora Correparti João Paulo de Gracia Correa. Segundo ele, a volatilidade recente do câmbio tende a provocar saída de capitais externos. “Aquele estrangeiro que entrou aqui para ganhar juros quando o dólar estava a 2,65 reais acabou perdendo dinheiro.”
Nas casas de câmbio de Belo Horizonte, a moeda já é vendida a R$ 3,01 com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Para o presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos e Mercado de Capitais (Apimec), Juliano Lima Pinheiro, o aconselhável para quem vai utlizar a moeda estrangeira é planejar e comprar o dólar com antecedência e em etapas para ter uma média de preço ao longo do ano.”Quem vai viajar para o exterior no final do ano, por exemplo, já pode ir comprando, já que não temos claro o que vai acontecer até esse período. O momento certo é impossível de calcular, diante das incertezas”, afirma.
Ontem, analistas do mercado financeiro reduziram pela sexta vez seguida as projeções para o desempenho da economia brasileira neste ano. De acordo com dados do boletim Focus, relatório do Banco Central baseado na consulta aos gurus dos bancos e corretoras de valores, a mediana das previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) ficou estável. Na semana passada, a estimativa era também de estagnação, mas com viés levemente positivo (0,03%). A previsão para a inflação também piorou, desta vez pela sexta vez consecutiva. Agora, os economistas esperam que o IPCA, índice oficial, feche 2015 em 7,15%. Na semana passada, trabalhavam com 7,01% neste ano e 5,6% em 2016, ano em que o BC espera que o indicador chegue ao centro da meta, que é de 4,5%. A projeção para 2016 foi mantida, assim como a taxa básica de juros de 12,5% em 2015. Para a balança comercial, as projeções permaneceram em superávit de US$ 5 bilhões neste ano e de US$ 12 bilhões, em lugar dos US$ 10 bilhões anteriores, no próximo ano.
Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo virou e passou a operar em queda na tarde desta terça. Às 14h, o Ibovespa, principal indicador da bolsa paulista, caía 0,41%, a 49.178 pontos, puxado por perdas dos papéis da Vale, que desabam 4%. No mesmo horário, as preferenciais da Petrobras recuavam 0,32% e as ordinárias 0,65%.
Ontem, a ressaca do mercado financeiro com a nomeação indigesta de Aldemir Bendine fez as ações da petroleira abrirem em forte queda no primeiro pregão da semana, que fechou com alta de 1,21%, em 49.382 pontos. Os papéis da estatal do petróleo chegaram a cair 4% pela manhã e bateram em R$ 8,72. Contudo, reverteram as perdas com a expectativa de que o nome de Bendine seja apenas uma solução provisória. No fechamento do dia, as ações preferenciais conseguiram ganhos de 1,75%, cotadas a R$ 9,28, e as ordinárias se valorizaram 1,88%, precificadas em R$ 9,20. A bolsa brasileira subiu, ainda, sustentada pelos fortes ganhos dos papéis da mineradora Vale e de empresas siderúrgicas.
Cenário externo – No exterior, a inflação na China, que atingiu o menor valor em cinco anos reforçou o mau humor dos investidores, que já tem sido prejudicado pelo impasse entre a Grécia e seus credores, que pode forçar o país a sair da zona do euro “Parece haver algum movimento na posição grega que ainda pode formar as bases para um acordo”, escreveram analistas do Brown Brothers Harriman em relatório. “Dito isso, os credores oficiais não parecem ter aliviado suas exigências em nada.”
Fonte: Adaptado pela Equipe Agron com informações da agência Reuters e Estado de Minas – Fernanda Borges
Imagem principal: Criadas pelo DALL-E da OpenAI, com contribuições e ajustes adicionais do autor.

