Diretor da entidade reforça expectativa de início rápido dos embarques e destaca concorrência com a carne bovina australiana no mercado chinês.
A indústria brasileira de carne bovina tem a expectativa de, em um primeiro momento, habilitar até 19 plantas frigoríficas para exportar para a China. Foi o que afirmou nesta terça-feira (18/11) o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina (Abiec), Fernando Sampaio. De acordo com ele, oito já estavam certificadas antes do embargo do país asiático – imposto dois anos atrás e retirado na semana passada – e poderiam exportar imediatamente. Outras 11 estão em uma “lista de espera”, mas as informações sobre essas unidades já foram enviadas às autoridades chinesas.
Sampaio reforçou a expectativa manifestada pelo ministro Neri Geller em entrevista a Globo Rural, no último domingo (16/11), de que as vendas possam ser retomadas já no mês de dezembro. “Tem etapas que ainda precisam ser cumpridas, mas pelo que foi conversado nas reuniões é possível acreditar nesse prazo”, disse.
A retirada do embargo da China foi confirmada no último fim de semana, depois de reuniões técnicas entre representantes dos dois governos. Em nota oficial, o Palácio do Planalto estimou que, já em 2015, as vendas de carne bovina para o país asiático poderiam ficar entre US$ 800 milhões e US$ 1,2 bilhão.
Questionado sobre o assunto, Fernando Sampaio evitou fazer uma estimativa. “Não estamos fazendo previsão por que a nossa limitação vai ser o número de plantas. Uma coisa é o que eu consigo com oito plantas. Outra é o que posso produzir com 19. A gente acredita que possa liberar as plantas todas e até mais em um futuro próximo”, ponderou.
Entrar na China significa disputar um mercado que atualmente importa cerca de 300 mil toneladas de carne bovina. O principal concorrente do Brasil é a Austrália, país com quem os chineses têm um acordo bilateral que prevê preferências tarifárias. “É um assunto que estamos estudando, mas o fato é que a gente tem competitividade para pegar uma boa parte desse volume que a China está importando”, afirmou.
Em 2012, o Brasil embarcou para o país asiático 17 mil toneladas e a tendência era de aumento nos volumes, até que veio o embargo. “Agora é recomeçar, mas a gente acha que vai dar para retomar as exportações com força total”, avalia Fernando Sampaio, que acredita também em resposta rápida do lado da produção para garantir a oferta necessária. “Há mais tecnologia no campo, os ciclos estão mais curtos.”
Arábia Saudita
Na semana passada, foi confirmada também a liberação do mercado da Arábia Saudita, referência para os negócios no Golfo Pérsico. O país é importante, segundo Sampaio, por que, além de pagar um preço melhor pelo produto, exerce influência sobre outros mercados na região, como Qatar e Bahrein.
“Os veterinários sauditas ainda têm que visitar o Brasil. Isso estava previsto e o Ministério deve fazer um esforço para que isso ocorra neste ano ainda. Estamos esperando isso para efetivamente retomar a exportação”, disse ele.
Com as liberações da Arábia Saudita e da China, o Brasil recuperou quase todos os mercados para os quais efetivamente exportava e que tinham imposto restrições em função do caso não clássico de mal da vaca louca registrado em 2012 no Paraná. Segundo Fernando Sampaio, permanece sob embargo o comércio do produto com o Japão.
“Não exportamos carne bovina in natura para lá, mas é um mercado importante para a carne industrializada”, ressaltou o diretor executivo da Abiec. Fernando Sampaio disse que a Coreia do Sul também não retirou embargo ao Brasil, mas é um mercado para onde não se exportava o produto.
Fonte: Globo Rural.
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