Ágio acima da média histórica do boi
Desde 2010, em poucos momentos, a arroba do bezerro ficou mais valorizada que a arroba do boi em Mato Grosso. Entre março e junho deste ano o ágio do bezerro (diferença entre o preço pago pelo bezerro e pelo boi) esteve entre 25% e 30%, acima da média histórica de 21,37%. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a diminuição na oferta no mercado estadual e a pressão exercida por parte dos criadores, justificam a alta no preço do bezerro. Em média, o bezerro está sendo comercializado a R$ 989 a cabeça. Já o preço do boi gordo chegou a R$ 110 a arroba, segundo informações do Imea.
Os analistas do Imea destacam que em um momento de valorização do bezerro, como o vivenciado nos primeiros meses de 2014, a reposição dos rebanhos está mais complicada em virtude das altas cotações, reflexo da falta de oferta de crias em consequência de anos seguidos de abates de grandes volumes de fêmeas. Sem matrizes, o rebanho não evolui. E o descarte exagerado foi uma saída para a falta de liquidez da atividade nos últimos três anos.
“É necessário lembrar que durante um bom tempo o criador não estava sendo remunerado da maneira que sua atividade – a mais importante da bovinocultura de corte – merece. Uma forma de se analisar isso é por meio do ágio do bezerro, ou seja, o quanto a arroba do bezerro é mais valorizada que a arroba do boi. Nesse caso, o ágio histórico dos preços reais é de 21,37%. O número por si só não diz muita coisa, ele serve para balizar deixando claro que são poucos os momentos em que o ágio do bezerro ultrapassa a média histórica em Mato Grosso. Hoje está acima, se vive um momento bom para cria, com o preço do jovem animal chegando aos patamares que ele deve estar, o que deve trazer à tona o desejo de produzir bezerros aqui em Mato Grosso”, apontam os analistas no Boletim da Bovinocultura, divulgado ontem.
Para a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), a atividade de cria se tornou mais rentável para o pecuarista mato-grossense. A valorização da arroba do bezerro no último ano está remunerando o criador, permitindo a recuperação da crise na pecuária mato-grossense. Para o superintendente da entidade, Luciano Vacari, os preços altos indicam recuperação do setor. Conforme ele, a valorização é resultado da oferta menor e do incremento da tecnologia aplicada no campo. “Cada vez mais, a tecnologia tem permitido antecipar a idade de abate dos animais”, diz. Preço Justo – O ano de 2013 foi marcado por um elevado número de fêmeas na linha de matança. Do total de cabeças abatidas no Estado, em média 45,78% eram fêmeas.
Esse fato pode ter gerado uma queda no número de bezerros para o ano de 2014, resultando em uma valorização no preço de 25,02% entre junho/13 e junho/14. “A arroba do boi gordo nesse período seguiu a mesma tendência de valorização (20,59%). Ainda assim, quando é analisado o ágio do bezerro em relação ao boi gordo, nota-se que a arroba do bezerro tornou-se mais cara nos últimos meses devido a dois principais fatores: a diminuição na oferta de bezerros no mercado estadual e a pressão exercida por parte dos criadores de bezerros, que lidaram com um preço pouco atrativo nos últimos anos e que agora pressionam o mercado em busca de preços mais justos a sua bezerrada em Mato Grosso”, avaliam os analistas do Imea.
Fonte: Portal Diário de Cuiabá.

