Como combater a desertificação e a mudança climática

Como combater a desertificação e a mudança climática

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Como combater a desertificação e reverter a mudança climática

Cientista norte-americano aponta que pecuária não é responsável pela desertificação no mundo

No TED, a desertificação no mundo, conforme Allan Savory e como combater a desertificação e a mudança climática.

A palestra abaixo, do biólogo Allan Savory, desmistifica a culpabilidade da pecuária pela desertificação de imensas áreas no planeta afora, conforme acusam os ambientalistas, e que, conforme Savory afirma, ele mesmo errou ao analisar emocionalmente essa questão alguns anos atrás.

Cientista aponta que pecuária não é responsável pela desertificação no mundo. Muito pelo contrário! Experiências reais e ajuda humanitária em comunidades carentes de regiões desérticas realizadas por Savory comprovam na prática que a criação de gado contribui com o combate a desertificação. Assita ao vídeo abaixo. Uma fantástica prova de contribuição da pecuária para a conservação do planeta e como combater a desertificação e a mudança climática.

Veja também no Agron: pecuária ajuda a reduzir a desertificação e os incêndios

Abaixo: Vídeo original em HD com legenda para 33 línguas diferentes. Acesse no canto inferior direito a lista de legendas disponíveis. Alguns celulares podem não dispor da tradução para o português. Sugerimos nesse caso o acesso ao vídeo pelo computador. 

Abaixo: Mesmo Vídeo do YouTube também com legenda, já incluida, em português.

Antes da transcrição da palestra do biólogo Allan Savory (Como combater a desertificação e a mudança climática) mais abaixo. Veja o texto com a opinião que o jornalista Richard Jakubaszko publicou em seu blog. Confira a opinião de Richard Jakubaszko. Caso queira, acesse o post no blog de Richard Jakubaszko clicando aqui.

Richard Jakubaszko - Como combater a desertificação e a mudança climática
Richard Jakubaszko – Como combater a desertificação e a mudança climática

No texto de introdução, o jornalista cita trabalhos como o de integração lavoura-pecuária realizados na fazenda de Carlos Viacava, no interior de São Paulo, como exemplos de produção sustentável.


Texto abaixo com a Opinião de Richard Jakubaszko

A palestra acima, do biólogo  Allan Savory, desmistifica a culpabilidade da pecuária pela desertificação de imensas áreas no planeta afora, conforme acusam os ambientalistas, e que, conforme Savory afirma, ele mesmo errou ao analisar emocionalmente essa questão alguns anos atrás.

Conforme destacado na foto da capa do livro “CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?”, a desertificação é um dos maiores problemas da humanidade, pois provoca mudanças climáticas em um microclima, e que depois crescem no entorno, provocando na sequência imensas áreas desérticas.

O vídeo acima mostra esse debate de forma clara, me foi enviado pelo meu amigo, pecuarista Carlos Viacava, que não leu o meu livro, deu apenas uma passadinha d’olhos pelo mesmo, mas assistiu a palestra do Savory, e sentiu-se perdoado por estar fazendo ILP (Integração Lavoura Pecuária) no oeste do estado de São Paulo, onde tem conquistado resultados fantásticos na recuperação da fertilidade do solo. O trabalho de implantação de ILP na fazenda de Viacava foi publicado em diversas reportagens da jornalista Maristela Franco, nas revistas Agro DBO e DBO, desde o início do projeto, dois anos atrás, e durante esse tempo todo. Foi um trabalho planejado e liderado pelo pesquisador João Klutcousky, o João K, da Embrapa. Foi minha a ideia de acompanhar jornalisticamente esse trabalho, por acreditar nas propostas da ILP, e também da ILPf (Integração Lavoura Pecuária e Floresta).

De outro lado, Viacava não atentou para o fato de que, se está fazendo certo a parte dele, está equivocado na sua posição de líder do setor de pecuária, ao ignorar as denúncias que faço no livro, e que tenho enfatizado pessoalmente, em relação às posições políticas e econômicas das agendas ambientalistas. Não basta defender a pecuária para se livrar dos problemas que virão no futuro breve, em consequência das ações dos ambientalistas a partir do acordo pré-firmado na COP21, em dezembro último, em Paris. Virão novas acusações, e, com elas, agora virão os julgamentos e condenações aos pecuaristas.

No livro, abri uma legenda na página 16, de mais de 1/2 página, sobre a foto da capa, que afirma o seguinte:

Nota sobre a foto da capa (imagem também abaixo)

aquecimento e mudanças climáticas - Como combater a desertificação e a mudança climática
aquecimento e mudanças climáticas – Como combater a desertificação e a mudança climática

Trata-se de um mapa feito pela Nasa (2007), a Agência Espacial Americana, e mostra nas regiões marcadas em amarelo que a temperatura média do solo é superior a 45ºC. Destacam-se, com a predominância do amarelo, a Califórnia (EUA), o deserto do Saara (África), além de países como a Espanha, Arábia Saudita e China, onde os desertos são demarcados.

Nas demais regiões, aparecem com leves tons amarelados o Nordeste do Brasil, na Caatinga, bem como o Norte da Austrália e alguns pontos na África.

Conforme a fisiologia vegetal, todo engenheiro agrônomo sabe que plantas anuais não suportam temperaturas no solo superiores a 33ºC, elas murcham e tendem a morrer. Apenas as perenes suportam esse calor por algum tempo.

Outra conclusão evidente é que as áreas amarelas mostram desertos consolidados, cujas causas de formação são milenares e desconhecidas, mas podem-se descartar culpas antropogênicas, sem nenhuma sombra de dúvida.

Se há, de fato, conforme Odo Primavesi, um aquecimento do planeta, poder-se-ia indicar essas regiões (áreas de deserto, degradadas e aridizadas) como principais responsáveis pela emissão do calor, pois nesses locais são normais temperaturas superiores a 60ºC, e a ausência de nuvens, pela inexistência de vegetação vaporizadora. À noite os desertos apresentam temperaturas próximas do 0ºC.

Enfim, assistam a palestra de Savory (como combater a desertificação e a mudança climática), no vídeo acima. Depois, leiam o livro, com previsões sobre o futuro da pecuária, no Brasil e no mundo. Enquanto é tempo.

Vídeo abaixo com a entrevista de Richard Jakubaszko

Ficha técnica do livro “CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?”:
DBO Editores Associados Ltda. – São Paulo – SP
ISBN: 978-85-69495-00-0
Edição 2015 – 288 págs.
O livro não está à venda em livrarias, mas somente na editora:

Fone: 11 3879.7099


Allan Savory - Como combater a desertificação e a mudança climática
Allan Savory – Como combater a desertificação e a mudança climática

Abaixo: Transcrição da palestra de Allan Savory sobre como combater a desertificação e a mudança climática

00:12

Uma gigantesca tempestade de tsunami perfeita está nos ameaçando. Essa tempestade perfeita está resultando em uma realidade cada vez mais triste, e estamos enfrentando essa realidade acreditando piamente que podemos resolver nossos problemas com a tecnologia, e isso é muito compreensível. Essa tempestade perfeita que estamos enfrentando é o resultado do crescimento de nossa população, que está chegando a 10 bilhões de pessoas, da terra que está se tornando deserto, e, claro, da mudança climática.

01:00

Não há nenhuma dúvida sobre isso: resolveremos o problema de substituir os combustíveis fósseis por tecnologia. Mas os combustíveis fósseis, carbono — carvão e gás — não são mais a única coisa que está causando a mudança climática.

01:18

Desertificação é uma palavra requintada para terra que está se tornando deserto, e isso só acontece quando geramos terra nua em excesso. Não há outra causa. Pretendo focar na maior parte da terra do mundo que está se tornando deserto.

01:38

Tenho uma mensagem muito simples para vocês, que dá mais esperança do que vocês podem imaginar. Temos meio ambientes em que a umidade é garantida o ano todo. Nestes é quase impossível surgirem vastas áreas de terra nua. Não importa o que se faça, a natureza cobre rapidamente. E temos meio ambientes em que há meses de umidade seguidos de meses de seca, e é neles que a desertificação está ocorrendo. Felizmente, com a tecnologia espacial podemos olhar isso do espaço, e quando o fazemos podemos ver bem as proporções. Geralmente o que vemos em verde não está se desertificando, e o que vemos em marrom está, e essas são de longe as maiores áreas da Terra. Acredito que cerca de dois terços do mundo está se desertificando.

02:34

Tirei essa foto no deserto Tihamah enquanto 25 milímetros de chuva estava caindo. Pense nisso em termos de galões de água, cada um com 200 litros. Cerca de mil galões de água caíram em cada hectare daquela terra naquele dia. No dia seguinte a terra estava assim. Para onde tinha ido aquela água? Parte dela escoou na inundação, mas a maior parte da água que molhara o solo simplesmente evaporou de novo, exatamente como acontece no seu jardim se você deixar a terra descoberta. Uma vez que o destino da água e do carbono estão ligados à matéria orgânica do solo, quando deterioramos o solo, emitimos carbono. O carbono volta para a atmosfera.

03:26

Vocês ouvem muitas vezes, repetidamente, que a desertificação só está ocorrendo nas áreas áridas e semiáridas do mundo, e que todas os prados elevados como esse, sob alta pluviosidade, não são importantes. Mas se não olharmos para os prados, e sim para embaixo deles, veremos que a maior parte do solo nesse prado é nu e coberto com uma crosta de algas, o que leva a maior escoamento e evaporação. Esse é o câncer da desertificação que não reconhecemos até a sua forma terminal.

04:07

Sabemos que a desertificação é causada pela pecuária, principalmente gado, ovelhas e bodes, pastando excessivamente, deixando o solo nu e emitindo metano. Quase todo mundo sabe isso, dos laureados do Nobel aos caddies de golfe, ou foi ensinado isso, como eu fui. Esses meio ambientes que vemos aqui, meio ambientes áridos na África, onde cresci, e eu amava os animais selvagens, e cresci detestando a pecuária pelo estrago que estava causando. Então minha educação universitária como ecologista reforçou minhas crenças.

04:51

Tenho novidades para vocês. Outrora estávamos igualmente convictos que a Terra era plana. Estávamos errados então, e estamos errados de novo. Quero convidá-los agora a me acompanhar na minha jornada de reeducação e descoberta.

05:14

Quando eu era um rapaz, um jovem biólogo na África, eu estava envolvido na seleção de áreas maravilhosas como futuros parques nacionais. Isso foi nos anos 50. Logo que proibimos a caça — pessoas batucando tambores para proteger os animais – a terra começou a se deteriorar, como vemos nesse parque que criamos. Nenhuma pecuária estava envolvida, mas com a suspeita de que tínhamos muitos elefantes agora, pesquisei e comprovei que tínhamos demais, e recomendei que teríamos que reduzir o número e baixá-lo a um nível que a terra poderia suportar. Foi uma decisão terrível que eu tive que tomar. Era uma dinamite política. Nosso governo formou uma equipe de experts para avaliar a minha pesquisa. Eles avaliaram. Eles concordaram comigo, e nos anos seguintes atiramos em 40 mil elefantes para tentar conter os estragos. E ficou pior, e não melhor. Amando os elefantes como eu amo, esse foi o mais triste e o maior erro da minha vida, e carregarei isso até o meu túmulo. Uma coisa boa decorreu disso. Isso me fez absolutamente determinado a devotar a minha vida a encontrar soluções.

06:47

Quando vim para os EUA, fiquei chocado ao ver parques nacionais como esse desertificando-se tanto quanto a África. E não houvera pecuária nessa terra por 70 anos. Descobri que os cientistas americanos não tinham explicação para isso, salvo que era árido e natural. Então comecei a procurar em todas as áreas de pesquisa em todo o oeste dos EUA de que gado havia sido removido, para provar que isso deteria a desertificação. Mas descobri o oposto, como vemos nessa estação de pesquisas, em que o prado era verde em 1961, e até 2002 tinha mudado para essa situação. Os autores do manifesto sobre mudanças climáticas, de quem eu obtive essas fotos, atribuem essa mudança a “processos desconhecidos”.

07:52

Claramente nunca entendemos o que está causando a desertificação, que destruiu tantas civilizações e que agora nos ameaça globalmente. Nunca entendemos isso. Pegue um metro quadrado de solo e torne-o nu como esse aqui, e eu prometo que você vai achá-lo muito mais frio no amanhecer e muito mais quente ao meio-dia que a mesma parcela de terra que está coberta apenas com resíduos de plantas. Você mudou o microclima. Mas quando você estiver fazendo isso e aumentando em muito a porcentagem de solo nu em mais da metade das terras do mundo, você está mudando o macroclima. Nós simplesmente não entendíamos: por que isso começou a acontecer há 10 mil anos? Por que se acelerou recentemente? Não entendíamos isso.

08:52

Falhamos em compreender esses ambientes de umidade sazonal no mundo. Que o solo e a vegetação se desenvolviam com grandes números de animais de pastoreio, e que esses animais se desenvolviam com a presença de predadores ferozes caçadores de bandos. A maior defesa contra os predadores caçadores de bandos é fazer parte de um rebanho. E quanto maior o rebanho, mais seguras as criaturas. Grandes rebanhos evacuam e urinam sobre a própria comida, e devem se manter em movimento. Era esse movimento que impedia o pasto excessivo das plantas, ao passo que o pisoteio periódico assegurava uma boa cobertura do solo, como vemos onde um rebanho passou.

09:47

Essa é uma foto de um típico prado sazonal. Ele acabou de passar por 4 meses de chuva, e agora vai passar por 8 meses de período de seca. Veja a mudança à medida em que percorre esse longo período de seca. Toda a grama que se vê na superfície deve se decompor biologicamente antes do próximo período de germinação, ou o prado e o solo começam a morrer. Se não houver decomposição biológica, haverá oxidação, que é um processo muito lento que abafa e mata as pastagens, levando a uma transformação para a vegetação lenhosa e solo nu, liberando carbono. Para impedir isso, tradicionalmente usamos o fogo. Mas o fogo também deixa o solo nu, liberando carbono, e pior que isso, queimar um hectare de prado emite mais poluentes, e mais nocivos, do que 6 mil carros. Estamos queimando na África, todos os anos, mais de 1 bilhão de hectares de prados, e quase ninguém está falando sobre isso. Justificamos as queimadas, como cientistas, porque ela efetivamente remove o material morto e permite as plantas crescerem.

11:20

Olhando para esse nosso prado que secou, o que podemos fazer para mantê-lo saudável? Tenha em mente que estou falando da maior parte de terra no mundo. Não podemos reduzir os números de animais para que eles descansem mais sem causar desertificação e mudança climática. Não podemos queimar a vegetação sem causar desertificação e mudança climática. O que vamos fazer? Há uma única opção, eu repito, uma única opção que restou aos climatologistas e cientistas, e isso é fazer o impensável, e usar o gado, agrupado e em movimento, como substitutos dos bandos e predadores anteriores, e mimetizar a natureza. Não resta outra alternativa para a humanidade para combater a desertificação e a mudança climática

12:15

Então vamos fazer isso. Nessa parte do prado faremos isso, mas apenas no primeiro plano. Vamos causar um forte impacto ao usar o gado para mimetizar a natureza, e fizemos isso, e veja só. Toda essa grama está cobrindo o solo agora, assim como esterco, urina, e resíduos ou camadas de folhas, como cada jardineiro entre vocês perceberia, e esse solo está pronto para absorver e reter a chuva, para armazenar carbono, e para quebrar as moléculas de metano. Nós fizemos isso sem usar fogo e danificar o solo, e as plantas estão livres para germinar.

12:55

Quando percebi pela primeira vez que enquanto cientistas não tínhamos outra opção a não ser usar o famigerado gado para enfrentar a mudança climática e a desertificação, enfrentei um verdadeiro dilema. Como faríamos isso? Por 10 mil anos, pastoralistas de suma sabedoria haviam agrupado e deslocado seus animais, mas eles haviam criado os grandes desertos do mundo feitos pelo homem. Então tivemos 100 anos de ciência pluvial moderna, e isso havia acelerado a desertificação, como descobrimos primeiro na África, e depois confirmamos nos EUA, como se pode ver nessa foto de terra gerida pelo governo federal. Evidentemente era preciso mais do que agrupar e conduzir os animais. Os humanos, por milhares de anos, não foram capazes de lidar com a complexidade da natureza. Nós, biólogos e ecologistas, nunca havíamos enfrentado nada tão complexo assim. Então ao invés de reinventar a roda, comecei a estudar outras profissões para ver se alguém já tinha uma solução. Descobri que havia técnicas de planejamento que eu poderia pegar e adaptar às necessidades biológicas, e a partir daí desenvolvi o que chamamos de administração holística e pastoreio planejado. É um processo de planejamento que aborda toda a complexidade da natureza e a nossa complexidade social, ambiental e econômica.

14:27

Hoje, jovens como essa estão ensinando as aldeias na África a agrupar seus animais em rebanhos maiores, planejar seus pastoreio para mimetizar a natureza, e quando forem pará-los para o pernoite, fazê-los correr de forma acessível aos predadores, porque temos muitas terras, e assim por diante. Nos lugares em que isso é feito e param os animais para o pernoite para preparar os campos para plantio, estamos obtendo muitos aumentos na produtividade da colheita também.

14:54

Vejamos alguns resultados. Essa terra está próxima a terras que gerimos no Zimbábue. Ela acabara de passar por 4 meses de boas chuvas naquele ano, e estava entrando no longo período de seca. Come se pode ver, quase toda aquela chuva havia evaporado da superfície do solo. O rio estava seco apesar de as chuvas terem apenas acabado. Há 150 mil pessoas em assistência alimentar quase permanente. Vejamos a nossa terra que fica próxima, no mesmo dia, com a mesma pluviosidade. Nosso rio está fluindo, saudável e limpo. Está bem. A produção de grama, arbustos, árvores, animais selvagens — tudo está mais produtivo agora, e praticamente não temos medo de anos secos. Fizemos isso aumentando o gado e as cabras em 400%, planejando o pastoreio para mimetizar a natureza e integrá-los aos elefantes, búfalos, girafas, e outros animais que temos. Antes de começarmos, nossa terra era assim. Esse local estava nu e foi erodido por 30 anos a despeito de quanto chovesse. Repare na árvore marcada e veja a mudança quando usamos os rebanhos para mimetizar a natureza. Esse é outro local que estava nu e erodido, e na base da pequena árvore marcada havíamos perdido 30 centímetros de solo. Novamente, veja a mudança quando se usou rebanhos para mimetizar a natureza. Agora há árvores caídas lá, porque a terra melhor está atraindo elefantes. Essa terra no México estava em péssimas condições, e tive que marcar a colina porque a mudança é tão profunda.

16:59

(Aplausos)

17:06

Comecei ajudando uma família no deserto do Karoo nos anos 70 a transformar o deserto que se vê à direita para voltar a ser um pasto. Felizmente, agora seus netos ocupam a terra com esperanças para o futuro. Veja a mudança surpreendente nessa aqui, em que a ravina foi completamente recuperada usando apenas os rebanhos mimetizando a natureza, e aqui também a terceira geração dessa família está na terra com sua bandeira ainda içada.

17:39

Os vastos prados da Patagônia estão se transformando em deserto como se vê aqui. O homem no meio é um pesquisador argentino que documentou o declínio regular dessa terra ao longo dos anos, à medida em que se reduzia o número de ovelhas. Eles colocaram 25 mil ovelhas em um rebanho, mimetizando a natureza com o pastoreio planejado, e eles documentaram um aumento de 50% na produção da terra no primeiro ano.

18:10

Temos no violento Chifre da África pastoralistas que planejam seu pastoreio para mimetizar a natureza, que dizem abertamente que essa é sua única esperança de salvar suas famílias e sua cultura. 95% dessa terra pode alimentar as pessoas apenas de animais.

18:29

Lembremos que estou falando da maior parte da terra do mundo, que controla nosso destino, inclusive na região mais violenta do mundo, em que as pessoas podem se alimentar apenas de animais, em cerca de 95% da terra. Estamos causando uma mudança climática global tanto quanto os combustíveis fósseis, e talvez mais do que eles. Pior ainda, isso está causando fome, pobreza, violência, colapso social e guerra, e enquanto estou falando com vocês, milhões de homens, mulheres e crianças estão sofrendo e morrendo. Se isso continuar, é improvável que consigamos parar a mudança climática, mesmo após a eliminação do uso de combustíveis fósseis.

19:23

Acredito que eu tenha mostrado a vocês como podemos trabalhar com a natureza a um custo baixíssimo para reverter tudo isso. Já estamos fazendo isso em cerca de 15 milhões de hectares em 5 continentes. As pessoas que entendem de carbono muito mais do que eu calculam que, a título ilustrativo, se fizermos o que estou mostrando aqui, podemos retirar carbono o suficiente da atmosfera e armazená-lo com segurança nos solos dos prados por milhares de anos. Se fizermos isso em cerca de metade dos prados do mundo que mostrei para vocês, podemos retornar aos níveis pré-industriais e alimentarmos as pessoas. Não consigo pensar em quase nada que ofereça mais esperança para o nosso planeta, para nossas crianças, e as crianças delas, e toda a humanidade.

20:23

Obrigado.

20:27

(Aplausos) Obrigado. (Aplausos)

20:48

Obrigado, Chris.

20:50

CA: Obrigado. Eu quero, e tenho certeza que todo mundo aqui quer, A: fazer 100 perguntas, B: abraçar você. Vou te fazer só uma pergunta rápida. Quando você começa isso com um rebanho de animais, está no deserto. O que eles comem? Como funciona isso? Como você começa?

21:09

AS: Bom, nós fazemos isso há muito tempo, e a única vez em que tivemos que providenciar alimentos foi durante a recuperação de uma mina, onde o solo é 100% nu. Muitos anos atrás pegamos a pior terra do Zimbábue, onde eu ofereci uma nota de 5 libras para quem conseguisse achar uma grama num raio de 100 milhas. Assim nós triplicamos a capacidade de estocagem, o número de animais, no primeiro ano sem alimentos, apenas com a movimentação, mimetizando a natureza, e usando uma curva sigmoidal, esse princípio. É muito técnico para explicar aqui, mas foi só isso.

21:48

CA: Essa é uma ideia muito interessante e importante. As melhores pessoas do nosso blog virão falar com você para obter mais informações sobre o que compartilhamos na palestra. AS: Maravilha.

21:59

CA: Essa é uma palestra realmente surpreendente e eu acho que ouviu que estamos todos torcendo por você. Muito obrigado. AS: Obrigado, Chris.

22:09

(Aplausos)

Fonte original: TED

Traduzido por Naíma Perrella Milani e revisado por Nadja Nathan

O que é a TED: é uma fundação privada sem fins lucrativos dos Estados Unidos mais conhecida por suas conferências na Europa, Ásia e Estados Unidos destinadas à disseminação de ideias. (acrônimo para Technology, Entertainment, Design; em português: Tecnologia, Entretenimento, Design)


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