Sistemas de integração reduz custos com adubação
Sistemas de integração permitem gastar até R$ 243 menos com a adubação por hectare.
Estudos voltados para o Cerrado buscam ampliar os resultados positivos da ILPF e do plantio direto de soja na região. O plantio consorciado e os sistemas de integração para aumentar a produtividade nas regiões do Cerrado começaram na década de 1960, e depois de mais de 50 anos, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) continua trabalhando para melhorar as tecnologias utilizadas e para ampliar os benefícios aos produtores.
Uma nova frente de pesquisa apontada por João Kluthcouski é a implantação de sistemas de integração em solos arenosos. Segundo o pesquisador, a adoção do SPD (Sistema Plantio Direto) e do ILPF (Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) nestas áreas, além de ter permitido o acúmulo de água no solo, tem alcançado produtividades médias de 50 sacas/ha de soja, com picos de mais de 70 sacas/ha em alguns pontos de São Paulo e Mato Grosso. Estima-se que, atualmente, os sistemas de integração já estejam presentes em quase 3 milhões de hectares no Brasil, e que pelo menos 80% são de lavoura-pecuária.
Para o pesquisador, os sistemas de integração não têm limites, uma vez que independem das condições e dafoclimáticas (clima, relevo, solo etc.), do tamanho da propriedade e dos equipamentos disponíveis e da condição socioeconômica do produtor. “Há um arranjo para cada situação”, aponta o pesquisador, ao falar da expansão dos sistemas para outras áreas incluindo Mato Grosso do Sul. Garantir alimento para o gado em período de seca é um dos benefícios Um dos focos de pesquisa da Embrapa é a manutenção da cobertura do solo e a oferta de forragem. O sistema utiliza consórcio de capim braquiária com milho ou sobressemeadura de braquiária em soja, com diversas alternativas para as diferentes regiões de Cerrado, inclusive com plantio direto de capim.
De acordo com dados dos estudos, com o rendimento de grãos e desempenho animal obtidos em uma fazenda no Oeste da Bahia, em consórcios de milho com B. ruziziensis, capim mais utilizado no sistema, com milho e B. brizantha, cultivar BRS Piatã, da Embrapa, os sistemas produziram de 3@/ha a 7@/há de carne. “Mas, o melhor de tudo isso: sem braquiária, a soja produziu 3.2 75 kg/ha em talhões de 100 hectares. Com braquiária, foram 4.049 kg/ha. Na região, os produtores dizem que, com a braquiária, a produção é de 5 a 6 sacas de soja a mais por hectare. E muitas vezes, isso é a receita da fazenda”, detalha o pesquisador Lourival Vilela, acrescentando que a adubação no sulco de plantio e o pastejo não alteram significativamente a produtividade.
A presença do gado na lavoura não interfere na produtividade da soja Vilela também realiza pesquisa na mesma linha, testando o plantio consorciado e os sistemas de integração. “Onde estamos colocando boi, a produção é de 6 sacas/ha a mais. E isso acontece há três anos seguidos. Já tivemos até 10 sacas/ha a mais em cima desses consórcios”, ressalta o pesquisador sobre os ganhos para quem investe. Ao mencionar dados de um estudo sobre a decomposição da palhada de braquiária e o equivalente em fertilizantes, o pesquisador apontou que a economia poderia chegar a R$ 243 por hectare. “No oeste da Bahia e em Mato Grosso, isso equivale a quase 50% do gasto com adubação”, exemplifica.
Fonte: Jornal O Estado MS.

