Tecnologia permite cuidar do gado à distância

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O aplicativo permite criar uma espécie de cerca virtual que impede os animais de caírem em rios e drenos.

A empresa neozelandesa Halter acaba de patentear uma tecnologia que promete facilitar o gerenciamento da população bovina de uma fazenda à distância. O sistema funciona através do uso de um aplicativo de inteligência artificial e de uma coleira especial usada por cada animal da propriedade.

De acordo com Peter Beck, diretor executivo da Rocket Lab e da Halter, essa tecnologia proporcionará que o agricultor estabeleça horários para orientar remotamente seus rebanhos, quando chegar a hora dos animais serem ordenhados, por exemplo. Além disso, o aplicativo permite criar uma espécie de cerca virtual que impede os animais de caírem em rios e drenos.

“A Halter está pronta para redefinir uma indústria e modernizar a agricultura. Somos  inspirados por agricultores incríveis que estão procurando maneiras de monitorar eficientemente seus rebanhos, ao mesmo tempo em que atendem as crescentes demandas de alimentos e realizam uma operação ambientalmente sustentável”, comenta.

Outra função importante do aplicativo é a capacidade de enviar notificações para o produtor avisando se alguma vaca prenha está perto de parir ou até mesmo se alguma novilha está entrando no cio.  Segundo Craig Piggott, CEO da Halter, a nova tecnologia vem para facilitar a vida do homem do campo que está cansado de burocracia e quer algo que não crie mais trabalho.

“Isso significa que estamos constantemente analisando os sistemas, tecnologias e ferramentas agrícolas existentes para ver como podemos trabalhar juntos para facilitar as coisas para o agricultor”, explica.

No momento a tecnologia está disponível apenas na Nova Zelândia. No entanto, a empresa tem uma visão global e está recebendo pré-encomendas antes de sua estreia na América do Norte, América do Sul, Austrália e Europa.

“Cerca invisível usa GPS para controlar gadoSistema estabelece fronteiras virtuais, e gado leva choque se tentar ultrapassar”

“Pesquisadores da Austrália criaram a solução para fazendeiros que têm problemas em perder seu gado quando alguém deixa a porteira da fazenda aberta: uma cerca invisível e virtual.”

“Depois de três anos de pesquisa, eles desenvolveram o protótipo de um sistema que usa tecnologia GPS, em um projeto chamado Bovinos Sem Fronteiras. O sistema utiliza “colares”, que funcionam por bateria, para emitirem um som de aviso ao gado quando este se aproxima do limite virtual. Se uma vaca deseja chegar mais perto, esse colar -? que tem um chip instalado -? emite um barulho de aviso. Se ela continuar, levará um leve choque.”

“”É uma cerca elétrica invisível”, disse Andrew Fisher, da Organização de Pesquisa Industrial e Científica da Nação, na Austrália. “As fronteiras são desenhadas pelo GPS e apenas existem como uma linha no computador. Não há fios nem transmissores fixos. E os resultados são os mesmo que com uma cerca convencional com postes e fios.””

“Segundo o site do jornal britânico “The Guardian”, Fisher afirmou que os experimentos, conduzidos na presença de especialistas em animais, mostraram que o gado levou menos de uma hora para aprender a voltar para trás quando ouvia o barulho de aviso. Os animais não ficaram estressados por utilizarem o colar, que deu um choque de 250 miliwatts descrito como pouco mais que a força da eletricidade estática.”

“As baterias, porém, atualmente duram apenas uma semana. Para uma aplicação viável, seria preciso uma vida útil de vários meses — por isso, versões comerciais só devem estar disponíveis em 10 anos.”

Poderia cercas virtuais evitar a fuga de vacas?

Ao invés de amarrar ou reparar longas linhas de cercas em toda a terras que usam para pastagem do gado, no futuro os fazendeiros poderão utilizar uma cerca virtual para manter o gado nos limites do pasto.  Dean M. Anderson, um cientista do Serviço de Pesquisa Animal da USDA em Las Cruces, no Novo México, está desenvolvendo um sistema de cercas virtuais que pode encurralar eletronicamente ou mover gado através de um colar, habilitados por GPS, posto do pescoço dos animais. A adoção do dispositivo, especialmente em áreas muito abertas, poderia trazer muitos benefícios para o fazendeiro e para ambiente.

A cerca poderia trabalhar com a previsão de chuvas, o padrão de crescimento da erva danosa e tudo que possa melhor o cuidado do pecuarista. Então você pode usar o polígono virtual para incluir ou excluir os animais de áreas programadas e limitadas com a precisão de um bisturi.

“Imagine que você poderia estar no escritório com ar condicionado e perceber na projeção da área uma mancha que recebeu chuva no passado recente e que tem um grande quantidade de pasto nutritivo, que de outra forma seriam perdidos. O pecuarista poderia, através do seu laptop, utilizando um programa específico, mover seu rebanho espacialmente e temporalmente para um local melhor, sem ter que construir uma cerca ou perder tempo e mão de obra para recolher as suas vacas, bastaria mover a cerca virtual ” – Dean M. Anderson.

O dispositivo de Anderson, apelidado de Esgrima Direcional Virtual (DVF), localiza as vacas e pode sinalizar eletronicamente, orientando-os para um novo local ou para longe de uma área sensível, verificando o local mais adequado e movendo os animais para a área desejada. A DVF administra as localizações das vacas por meio de um sinal GPS, a qual permite aos criadores rastrear seus movimentos remotamente e alterar a forma da cerca virtual a partir do seu computador.

Por outro lado, o contra-ponto seria a necessidade de comprar um dispositivo para cada animal, mais o software de computador para gerenciá-los ainda tem o custo muito alto para os fazendeiros. E, dada a probabilidade de falhas de tecnologia, é provável que seria difícil convencer um dono de gado confiar seus meio de subsistência numa barreira invisível.

Será que vamos ver cercas virtuais num futuro muito próximo? É improvável, mas quando isso acontecer, eles ainda terão de responder a questão de como lidar com o hacking de cercas e evitar o roubo dos animais.

Pastejo rotacionado sem cercas, controlado por celular

Startup americana promete sistema de piquetes virtuais, com cercas eletrônicas.

A startup californiana Vence, baseada na cidade de San Diego, recebeu um aporte de US$ 2,7 milhões de dólares para desenvolver o seu produto: um sistema de “piquetes virtuais” capaz de controlar o rebanho no pasto sem cercas, físicas ou elétricas.

O animal recebe um brinco especial, com GPS e comunicação sem fio, capaz de se comunicar com os servidores da empresa e controlar o posicionamento, emitindo sons ou dando pequenos choques quando ele se aproxima do limite da área determinada para o pastejo.

Do celular, os administradores controlam o rebanho e modificam em tempo real os espaços delimitados para o pastejo, quando necessário.

A iniciativa tem o suporte do Rabobank. Vale lembrar que a ideia de cerca virtual não é nova, mas a miniaturização e as possibilidades no mundo da eletrônica agora tornaram estes dispositivos mais baratos. Para grandes pecuaristas, nem precisa ser “muito barato”: há registros de propriedades americanas que gastam mais de US$ 500 mil por ano com a construção e manutenção de cercas.

Além do piquete virtual, os brincos sensores ainda monitoram diversos sinais vitais e a atividade dos animais. As vendas estão começando, através do site (em inglês).

Fonte: Leonardo Gottems / Gazeta do Povo / treehugger.com / Farmfor.


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