Categories: Ciência e Tecnologia

O futuro é das novas tecnologias

POR ELIANE SILVA

Engenheiro mecânico formado pela USP de São Carlos, Fernando Gonçalves Neto dirigia o setor de pesquisa e desenvolvimento da Jacto na época do lançamento do veículo autônomo conceito, que foi sensação na Agrishow em 2010. Em 2015, ele assumiu o cargo de presidente da divisão agrícola da empresa com a missão de comandar 1.300 funcionários, mantendo a filosofia implantada pelo imigrante japonês Shunji Nishimura, que fundou a empresa em 1948, de sempre investir em inovação e atender ao cliente em todas as suas demandas. O engenheiro observa que as máquinas agrícolas avançam mais rapidamente para serem autônomas do que os veículos da cidade. Ele diz que a máquina autônoma é só uma parte. “Ter total controle do que acontece no plantio, na pulverização e na colheita num ambiente único é o futuro, ou melhor, é quase o presente.” O  agricultor precisará ter ao seu lado, além de um agrônomo, um cientista de dados para analisar as operações e muitas outras informações disponíveis na “nuvem”, para indicar as melhores soluções visando ao aumento de produtividade e redução de custos.

Publicidade

GLOBO RURAL – A Jacto está lançando uma solução própria de agricultura de precisão (AP)?
Fernando Gonçalves Neto – A AP, que teve suas primeiras ferramentas lançadas no Brasil em 1997, vem crescendo muito rapidamente ao longo dos últimos anos. A barra de luz e o piloto automático, primeiras ferramentas, ajudam no mapeamento da lavoura, gerando economia. Hoje, a gente já fala em digitalização da agricultura, que envolve três pontos: a máquina, os negócios e as pessoas. Nossos engenheiros desenvolveram um sistema de tecnologia que vamos lançar na Agrishow. É um instrumento de AP que traz um conceito de fácil uso, que a gente chama de repetidor de operações. Por exemplo, num pulverizador, o sistema grava todas as operações que foram feitas pela máquina. Se o agricultor tiver um operador bom, ele grava essa operação e, no próximo ciclo, pode repetir tudo: desde o controle de altura de barra e a velocidade da máquina até a trajetória. Ele cruza os braços e a máquina faz tudo, repetindo a operação boa que foi feita no ciclo anterior.

GR – Já existem no mercado soluções de AP com custo-benefício favorável para os pequenos produtores?
Fernando –
 Um desafio da indústria é tornar viáveis ao pequeno produtor as soluções tecnológicas. Hoje, muitos têm acesso a essas soluções, mas não são todos que têm um Mercedes-Benz na garagem. É preciso levar a tecnologia do Mercedes para os veículos mais populares, com custo mais acessível e que permita ao pequeno também ter tecnologia de ponta. Estamos falando de piloto automático, barra de luz e outras ferramentas que envolvem o controle da máquina.

GR – A resistência do agricultor a novas tecnologias vem caindo. Isso é um reflexo da entrada das novas gerações no campo?

Fernando – Sim. O filho do agricultor antigamente não queria trabalhar na agricultura, que não era considerada uma atividade boa. Hoje, como o setor é o motor da economia do país, isso mudou. Os jovens estão estudando, fazendo agronomia, curso de big data no agronegócio, curso de agricultura de precisão e voltando para trabalhar com seus pais no campo. Isso tem um potencial enorme, porque você tem o novo que estudou aliado à grande experiência do pai.

GR – A telemetria já é uma ferramenta utilizada correntemente no mercado?
Fernando –
 Sim. A maioria das linhas automotrizes já tem essa tecnologia disponível e grande parte das propriedades está usando a telemetria como forma de gerenciar suas operações. A operação agrícola tem uma série de parâmetros com chance de dar problemas e outros que podem garantir melhor desempenho, incluindo a economia de químicos. Por exemplo, quando você tem em uma pulverizadora um controle de AP bico a bico, é possível economizar químicos, mas o jeito de usar a máquina pode gerar desperdício. Pode haver uma grande sobreposição, uma área pode ser esquecida, deixando uma zona de infestação na lavoura. Com a telemetria, é possível acompanhar o que está sendo feito online ou depois e ver o que funcionou e o que saiu errado para corrigir. É a digitalização da agricultura que o produtor leva para seu escritório.

GR- Como serão as máquinas agrícolas do futuro? Para onde está indo a indústria?
Fernando – 
O futuro será de produtos cada vez mais autônomos. Em 2010, apresentamos na Agrishow um veículo conceito. Em 2013, lançamos outra versão do veículo e parte da tecnologia desenvolvida nessas máquinas conceito já está sendo usada em nossos produtos. A agricultura caminha mais rapidamente para ser autônoma do que os veículos da cidade. Há dez anos, temos máquinas com piloto automático. Agora, sabemos que o agricultor não vai usar veículo autônomo por ser autônomo. Ele vai usar o que agregue qualidade e produtividade ao seu negócio. Ser autônomo é só uma parte. Ter total controle do que acontece no plantio, na pulverização e na colheita num ambiente único é o futuro, ou melhor, é quase o presente.

GR – Em quanto tempo teremos máquinas sem operador no campo?
Fernando –
 Num exercício de futurologia, acredito que em quatro ou cinco anos essa máquina autônoma já será uma realidade no mercado. Mas é preciso lembrar que muitas tecnologias dependem da adesão do usuário. Não é porque existe a tecnologia que o agricultor vai usar. Ele vai comprar apenas quando se sentir seguro em relação ao custo-benefício da máquina.

GR – Então, no futuro, quem não estiver conectado estará fora do mercado?
Fernando –
 Olha, a tecnologia digital (internet das coisas, máquinas inteligentes, nuvem e mobilidade) vai permitir que as empresas ofereçam novas soluções, novos equipamentos e outras ofertas envolvendo todo o ecossistema de negócios. Esse futuro já começou e caminha para uma complexidade e um cenário de oportunidades cada vez mais rico. Produtos e serviços passam a ser relidos em torno do digital. Por exemplo, um produto como o pulverizador Uniport UP3030, aparentemente tradicional, ganha conceitos de conectividade que permitem um nível de gestão até então não imaginado. Do escritório, o agricultor pode acompanhar o desempenho do veículo (velocidade, posição a cada 5 segundos, condições de motor, etc.), o desempenho da aplicação (pressão de pulverização, vazão, temperatura ambiente, umidade), além de ter parâmetros de gestão (sobreposição de pulverização, motivos de paradas, qualidade, comparativos entre operadores e máquinas, entre outros). Tudo isso permite ao produtor fazer uma otimização da operação, que inclui evitar impactos ambientais e muito mais. Isso permite ainda que a máquina “saiba” que está na hora de trocar um filtro e possa estabelecer um canal de compra (com todas as permissões do agricultor) “automática” sem que haja uma série de ações intermediárias.

Fonte Revista Globo Rural

gustavo henrique leite mota piesanti

Published by
gustavo henrique leite mota piesanti

Recent Posts

Preço do milho: Cotações em alta nesta sexta (15/05)?

O preço do milho apresenta variações regionais nesta sexta-feira (15/05). Confira a cotação completa da…

3 horas ago

Preço da soja: O que as praças revelam nesta sexta-feira 05/05

O preço da soja hoje mostra forte disparidade entre portos e o interior do país…

4 horas ago

Preço da arroba do boi China a R$ 360,00 nesta sexta-feira

Confira as cotações para o preço da arroba do boi China nesta sexta-feira 15/05. Mato…

4 horas ago

Formiga consegue levantar até 50 vezes o próprio peso graças a uma estrutura muscular tão eficiente que muda até a forma como enxergamos pequenos ambientes naturais

A pequena formiga revela uma eficiência silenciosa que quase ninguém percebe ao observar jardins, vasos…

5 horas ago

Sexta-feira com preço da arroba do boi gordo em R$ 346,00

Confira o preço da arroba do boi gordo em R$ 346,00 nesta sexta-feira. Veja a…

5 horas ago

5 ajustes evitam que a Kalanchoe orelha-de-elefante fique enrugada e sem vigor mesmo em ambientes internos onde a luz parece suficiente

A Kalanchoe orelha-de-elefante costuma dar sinais silenciosos antes de perder força visual dentro de casa…

5 horas ago

This website uses cookies.