Como a Realidade Virtual vai mudar as mídias sociais

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Os peritos em realidade virtual e mídia social exploram o modo como as tecnologias imersivas mudarão a forma de as pessoas interagirem on-line.

Na recente Conferência F8, o Facebook demonstrou um protótipo em funcionamento da sua visão de realidade virtual (RV) social. Durante a demonstração, o desenvolvedor que fazia a apresentação acoplou um dispositivo à cabeça e foi imediatamente transportado para um espaço virtual junto com outro desenvolvedor do Facebook. Eles compartilharam 360 fotos (que os levaram até o Piccadilly Circus e o Big Ben),fizeram uma selfie virtual dentro das fotos e desenharam gravatas ridículas um no outro.

Quando o Facebook adquiriu a Oculus em 2014, a comunidade Oculus dos apoiadores do Kickstarter ficou furiosa. Por que um dispositivo da tecnologia do entretenimento seria cooptado pelo maior magnata das redes sociais do mundo?

“O Facebook não é uma empresa de aficionados por tecnologia de base. O Facebook não é uma empresa de tecnologia de games”, argumentou Marcus Perrson, criador do Minecraft, um (anteriormente) defensor convicto do Oculus.

Mas a demonstração ajudou a colocar a realidade virtual em perspectiva. Ela não vai apenas mudar a maneira de as pessoas jogarem games e assistirem filmes. Ela vai mudar a forma como elas interagem entre si.

“É a diferença entre fazer uma caminhada com uma pessoa e falar com ela ao telefone enquanto colocamos a roupa na máquina”, disse Tawny Schlieski, Diretora de Pesquisa de Desktop da Intel.

O que o exemplo de Schlieski quer dizer é que o componente “RV” da “RV social” é importante porque acrescenta um sentido de “presença”, um termo que se refere à capacidade que a tecnologia tem de criar um sentimento de ingressar fisicamente em outro lugar. Segundo muitos desenvolvedores, esses recursos imersivos podem ser usados para criar interações mais pessoais do que o clima atual de curtidas, comentários e retweets.

“Com a mídia social tradicional, você está olhando por uma janela para o mundo de outra pessoa”, explicou Clemens Wangerin, diretor-gerente do aplicativo de RV social vTime. “Mas com a RV você está junto com seus amigos dentro daquele outro mundo. É basicamente diferente da noção de olhar para uma tela plana.”

Embora ainda não exista uma rede de realidade virtual social, os especialistas concordam que a plataforma final permitirá que os usuários encontrem-se pessoalmente em um ambiente criado virtualmente.

O aplicativo vTime trabalha nessas linhas, com os usuários escolhendo o tom da pele e a aparência física dos seus avatares antes de se encontrarem com os amigos em um dos diferentes ambientes do cenário. Enquano os usuários conversam, seus avatares fazem contato visual. Seus lábios e expressões sincronizam-se com suas palavras. Embora a versão atual não tenha suporte para controladores de movimento, os gestos estarão disponíveis em breve.

“O poder da RV é fazer as pessoas se reunirem no mesmo momento”, disse Wangerin.

Para esses especialistas em RV, a diferença mais flagrante entre RV e as atuais plataformas sociais é a passagem da interação assíncrona para a interação sincronizada em tempo real. Anthony Batt, cofundador do estúdio de realidade virtual Wevr, acredita que a RV realmente transformará plataformas on-line não sociais, como Hulu e Netflix, em uma atividade mais comunitária.

“A RV pode aprimorar qualquer aplicativo que se possa imaginar, como as plataformas de namoro e de encontros românticos on-line, além de viabilizar aulas em grupos para a educação”, disse Batt.

“Ela pode proporcionar interações sociais em tempo real que utilizam a tecnologia de rastreamento de cabeça e mãos para criar uma nova forma de comunicação digital,” continuou. “Pode permitir que diversos usuários de qualquer parte do mundo reúnam-se em um cinema ou uma sala de estar virtual para assistir a um filme juntos.”

No caso do vTime, Wangerin descobriu que a maioria das pessoas utiliza o serviço para fazer conexões aleatórias com outras pessoas ao redor do mundo. Um casal que se conheceu no aplicativo está noivo agora. Em geral, os usuários comparam a experiência com “sair para passear”.

Wangerin admite que a RV social tem algumas desvantagens quando comparada a outras plataformas de mídia social — notadamente que os usuários não podem checá-la de maneira descontraída enquanto estão no restaurante com amigos. A RV transporta as pessoas para um mundo totalmente diferente e, portanto, requer total atenção, fazendo com que deixe a desejar na comunicação em movimento. Embora o vTime e outros aplicativos semelhantes rodem em smartphones modernos, a praticidade da tecnologia móvel se perde porque os usuários precisam usar um headset que cobre todo o seu rosto.

“A realidade virtual acabará por se tornar um meio onipresente, mas ainda competirá por atenção com plataformas mais móveis”, disse Alexis Ohanian, cofundador da Reddit.

Apesar de preocupações de ordem prática, Ohanian acredita que a RV possa também eliminar grande parte da superficialidade e do exibicionismo que cercam as interações on-line.

“As redes sociais como Facebook, Instagram, Twitter, etc., são conduzidas por um relacionamento simbiótico entre voyeurismo e narcisismo,” explicou Ohanian descrevendo como essas plataformas estimulam as pessoas a compartilhar versões filtradas de si próprias, na esperança de serem aceitas.

“Basicamente, todos esses sites são excelentes em incentivar ligações superficiais.”

Ohanian acredita que o verdadeiro potencial da RV social esteja no modo como a tecnologia promove empatia, permitindo que as pessoas vejam o mundo pelo olhar dos outros, produzindo uma atmosfera social on-line mais autêntica. Em vez de olhar as fotos da lua-de-mel de um amigo nas Bahamas, por exemplo, os adeptos da realidade virtual podem entrar diretamente no vídeo da aventura de mergulho desse amigo.

A realidade virtual tem o poder de mudar a cultura on-line e também de proporcionar experiências sociais totalmente novas, sem precedentes.

Schlieski falou de locais de trabalho virtuais e de colaborações aprimoradas por meio de modelos em 3D, aumento digital e até mesmo hologramas digitais. Pode significar que aquelas gravatas virtuais ridículas sejam o novo estilo de vestir.

No Fórum de Desenvolvedores Intel (IDF) 2016, o CEO da Intel, Brian Krzanich, lançou o conceito de Realidade Mista, na qual as pessoas podem mergulhar fisicamente em mundos virtuais.

“A realidade mista terá impacto profundo na maneira como trabalhamos, nos divertimos e nos comunicamos”, acrescentou.

Fonte: iq.intel.com.br


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