Embrapa investe em qualidade para seus bancos vegetais

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Embrapa investe em mais qualidade para seus bancos genéticos vegetais

Projeto vai mapear coleções de plantas mantidas em diferentes regiões brasileiras com o objetivo de adequá-las às normas de qualidade internacionais.

Brasília, 11 de julho de 2016 – A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) inicia em 2016 um projeto que vai mapear as condições atuais de cinco dos 147 bancos genéticos de plantas de importância para agricultura e alimentação mantidos pela Empresa em todo o Território Nacional, com o objetivo de adequá-los às normas de qualidade internacionais. O projeto, denominado “Implementação e Monitoramento de Sistemas da Qualidade na Vertente Vegetal (QUALIVEG) ” vai avaliar as coleções de abacaxi, mandioca, caju, arroz, feijão e Capsicum (pimentas e pimentões), além do Banco Genético mantido pela Embrapa em Brasília.

Segundo a coordenadora do Projeto QUALIVEG, a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Clarissa Castro, o objetivo da Embrapa a longo prazo é mapear e adequar todas as suas coleções vegetais aos padrões de qualidade internacionais, mas diante da inviabilidade de fazer isso de uma só vez, foram definidas como pilotos as coleções de abacaxi e mandioca da Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA); caju (Embrapa Agroindústria Tropical, Fortaleza, CE); arroz e feijão (Embrapa Arroz e Feijão (Santo Antônio de Goiás, GO) e Capsicum (Embrapa Hortaliças, DF).

Serão avaliados também o Banco Genético da Embrapa, em Brasília, DF, que funciona como uma espécie de backup das coleções vegetais mantidas pela Empresa nas diferentes regiões brasileiras, e a Embrapa Quarentena Vegetal, responsável pela quarentena de todas as plantas que entram no Brasil para fins de pesquisa, assim que o novo prédio estiver pronto, o que deve acontecer ainda em 2016.

Segundo Clarissa, mesmo que não envolva todos os bancos genéticos mantidos pela Embrapa, o projeto é bastante amplo e desafiador porque abrange condições bastante diferentes de operacionalização, o que impacta diretamente na definição de normas de qualidade. Por exemplo, algumas dessas coleções envolvem apenas condições de campo, outras abrangem campo e laboratório. Há também as que incluem câmaras frias para conservação de sementes. “Para cada um desses ambientes, existem requisitos de qualidade diferentes a serem cumpridas”, explica.

Para se ter uma ideia da dimensão do trabalho, somente no Banco Genético da Embrapa, existem três formas de conservação de espécies vegetais: em câmaras frias a 20ºC abaixo de zero (sementes), criopreservação em botijões de nitrogênio líquido a 196ºC abaixo de zero e in vitro (tubos de ensaio) para aquelas espécies cujas sementes não suportam baixas temperaturas e umidade. Levando ainda em consideração o fato de que a coleção de sementes mantida nesse Banco é a maior do Brasil e da América Latina e uma das maiores do mundo, além da magnitude do trabalho, trata-se de uma atividade que envolve muita responsabilidade.

Além disso, não existem no Inmetro – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia normas pré-definidas para a gestão da qualidade em coleções vegetais, e, por isso, a equipe do Projeto QUALIVEG terá que selecionar os requisitos com base em normas internacionais (ABNT ISO/IEC 17025, ABNT ISO GUIA 34 e Versão Brasileira do Documento Diretrizes da OCDE de Boas Práticas para Centros de Recursos Biológicos) para definir um padrão único e internacional de qualidade a ser adotado.

Visitas às coleções para definir os requisitos corporativos de qualidade          

De acordo com a coordenadora do Projeto QUALIVEG, como não existem normas de qualidade brasileiras a serem seguidas, os requisitos corporativos de qualidade estão sendo definidos em parceria com os curadores das coleções vegetais.

“O nosso objetivo é facilitar e aprimorar a rotina de trabalho nos bancos genéticos de plantas e, para isso, a participação direta dos curadores é fundamental”, ressalta Clarissa.

A equipe gestora do Projeto já realizou reuniões no mês de maio com todos os curadores das coleções que compõem o escopo de atuação do QUALIVEG para a definição dos requisitos corporativos de qualidade, com exceção da Embrapa Quarentena Vegetal, cujo prédio ainda está em fase final de construção, em Brasília, DF.

A implementação da gestão da qualidade nesse novo espaço é um enorme desafio, na visão da pesquisadora, já que terá que ser incluída no escopo toda a estrutura ainda não inaugurada, composta por oito laboratórios e cinco áreas de apoio. Além disso, será uma unidade prestadora de serviços, o que exige padrões de qualidade elevados e bem definidos como os da Norma ABNT ISO/IEC 17025. A Embrapa Quarentena Vegetal é uma das estações quarentenárias credenciadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para proceder a análise de todas as plantas que entram no país para fins de pesquisa. O objetivo é proteger a agricultura brasileira da entrada de pragas exóticas (que ainda não ocorrem no país), que podem causar prejuízos de bilhões de dólares à economia nacional.

Depois de aprovados os requisitos corporativos de qualidade para todas as coleções, a equipe de auditores do QUALIVEG visitará todas as unidades da Embrapa que compõem o escopo do projeto para realizar o diagnóstico e iniciar a implementação das ações normativas. O primeiro desses diagnósticos foi realizado recentemente nos dias 9 e 10 de junho no Banco de Capsicum da Embrapa Hortaliças e os demais já estão programados para o período de agosto a outubro deste ano.

Gestão da qualidade agrega valor aos bancos genéticos

Para a curadora do Banco de Capsicum da Embrapa Hortaliças, Sabrina Carvalho, a gestão da qualidade nos BAGs da Embrapa é muito importante porque promoverá o desenvolvimento e a padronização das atividades relacionadas a recursos genéticos com qualidade e credibilidade de resultados

Segundo ela, a expectativa é que a implantação da gestão da qualidade no BAG de Capsicum melhore significativamente a rotina de trabalho, já que leva à organização da documentação para o atendimento das normas e a legislação vigente; ao controle de registros (pessoal, equipamentos e condições ambientais); à padronização de procedimentos para as atividades de enriquecimento, registro, multiplicação, caracterização morfológica, conservação, documentação, transferência, descarte de amostras e utilização de equipamentos; e à adequação física das instalações, além de capacitar os empregados.

Hoje o BAG Capsicum da Embrapa Hortaliças possui cerca de 2.000 acessos, representados principalmente pelas cinco espécies domesticadas (C. annuum, C. baccatum, C. chinense, C. frutescens e C. pubescens), dezenas de espécies semi-domesticadas e silvestres, provenientes de vários países e regiões brasileiras. 

Sabrina explica que a implantação do sistema da qualidade agregará valor ao BAG porque todas as atividades executadas no banco Capsicum serão asseguradas com padrão único, com base nas normas internacionais de qualidade, garantindo o enriquecimento, multiplicação, caracterização, conservação, documentação, para uso do germoplasma nos intercâmbios e nos programas de melhoramento genético e processos agroindustriais. “No projeto QUALIVEG, o BAG Capsicum juntamente com o BAG de arroz e feijão são pilotos e poderão ser modelos para outros BAGs”, ressalta.

Publicações e treinamentos são objetivos do Projeto

Segundo Clarissa, a ideia é reunir todos os requisitos e diretrizes relacionados à gestão da qualidade e publicá-los em cartilhas que ficarão à disposição das equipes que trabalham nas coleções vegetais. “Essas cartilhas serão elaboradas em linguagem simples e objetiva, de forma a auxiliá-los em suas atividades e serviços diários”, explica.

Antes disso, serão promovidos treinamentos e workshops para a capacitação e qualificação de empregados e colaboradores que exercem atividades nesses locais. Um dos intuitos do QUALIVEG é disseminar essas informações para as outras coleções vegetais da Embrapa.


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