Categories: Ciência e Tecnologia

Organismo terrestre mais antigo já descoberto

Fóssil de 400 milhões de anos é o registro de organismo terrestre mais antigo já descoberto.

De acordo com pesquisa, publicada na última quarta-feira no ‘Botanical Journal of the Linnean Society’, fungo ajudou na preparação do solo para a proliferação de plantas mais complexas.

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Não se pode dizer que o fungo, chamado Tortotubus, foi o primeiro organismo a habitar a terra, mas é o organismo mais antigo já visto a viver nesse ambiente.

Um fóssil de 440 milhões de anos pode ser o organismo terrestre mais antigo já visto. De acordo com uma nova pesquisa, publicada na última quarta-feira no Botanical Journal of the Linnean Society, trata-se de um fungo que ajudou na preparação do solo para a proliferação de plantas mais complexas. Ao iniciar a fertilização de terreno, o fungo permitiu que florescessem as plantas que mais tarde atrairiam animais dos oceanos para a terra.

Segundo a pesquisa, é difícil de precisar exatamente quando organismos com vida migraram dos mares para a terra, mas os estudos já realizados nesse sentido indicam que a conquista dos continentes ocorreu entre 500 e 450 milhões de anos. “Durante o período em que esse organismo existiu, a vida era basicamente restrita aos oceanos: nada mais do que musgos evoluíam no solo. No entanto, para que plantas e árvores pudessem existir, o processo de decomposição e preparação do solo seria necessário”, afirmou o autor da pesquisa, Martin Smith, do departamento de ciências da terra da Universidade de Cambridge.

O fungo, chamado Tortotubus, possuía uma estrutura que permitia que ele obtivesse nutrientes através do processo de decomposição de matéria orgânica. De acordo com o autor da pesquisa, não se pode dizer que esse foi o primeiro organismo a habitar a terra, mas é o fóssil mais antigo já descoberto nesse ambiente.

Quebra-cabeças – O pesquisador iniciou seus estudos com diversos fósseis pequenos – mais finos que um fio de cabelo. Ao juntar estas evidências com amostras de outros fósseis, Smith identificou que todos eram partes do Tortotubus em diferentes estágios de crescimento. Ao reconstruir o processo de crescimento do fungo, o especialista identificou que os fósseis representavam um organismo que criava micélio (espécies de “ramos” que esses organismos utilizam para extrair nutrientes do solo).

Isso explica como o fungo foi capaz de representar um papel tão importante na formação do solo: o micélio se ramificava na superfície, ajudando a sustentar a vegetação. Enquanto isso, o fungo decompunha matérias orgânicas da superfície do solo – utilizando-as como fonte de alimento -, o que ajudava a reciclar nutrientes importantes para a terra.

Cogumelos – O que os pesquisadores buscam responder agora é que tipo de matéria orgânica Tortotubus estava decompondo: segundo Smith, é provável que o fungo estivesse se alimentando de bactérias e algas que estivessem na terra. No entanto, como esses organismos raramente são encontrados fossilizados, os pesquisadores ainda não podem ter certeza sobre o “cardápio” de Tortotubus. Outra questão a ser solucionada é referente a um padrão de crescimento do fungo, que se parece com o dos organismos que formam os cogumelos. Como ainda não foram encontrados vestígios inequívocos de cogumelos nos registros fósseis do período paleozoico, não é possível confirmar que os cogumelos ocuparam a terra antes dos animais migrarem dos oceanos, mas essa é uma possibilidade.

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Fonte: Veja Online.

Carolaine

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