Europa acende alerta e mercado do boi gordo sente impacto

Mercado do boi gordo recua após pressão da União Europeia, avanço das escalas e demanda mais fraca. Arroba já encosta em R$ 350.

Para Quem Tem Pressa

O mercado do boi gordo voltou a registrar pressão nesta terça-feira (12), com a arroba recuando para a faixa de R$ 350 em importantes praças pecuárias do país. O movimento ocorre em meio ao avanço das escalas de abate, demanda doméstica mais lenta na segunda quinzena e novas incertezas internacionais envolvendo a União Europeia e os Estados Unidos. Apesar disso, as exportações brasileiras de carne bovina seguem fortes e ainda evitam quedas mais profundas nos preços.


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Europa acende alerta e mercado do boi gordo sente impacto

O mercado do boi gordo voltou a operar sob pressão nesta terça-feira (12), refletindo uma combinação de fatores internos e externos que já começam a influenciar diretamente os preços da arroba em diversas regiões produtoras do Brasil.

Entre os principais pontos de atenção estão a postura mais cautelosa da União Europeia em relação à carne bovina brasileira, o avanço das escalas de abate dos frigoríficos e o enfraquecimento gradual do consumo doméstico na segunda metade do mês.

Em São Paulo, principal referência nacional da pecuária de corte, frigoríficos intensificaram as tentativas de compra em valores mais baixos, aproveitando o aumento da oferta de animais terminados e uma situação mais confortável nas programações de abate.

Com isso, os preços do boi gordo voltaram a cair, principalmente no segmento do chamado “boi-China”, destinado à exportação.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, a arroba do boi comum caiu R$ 2/@ no mercado paulista, passando para R$ 353/@, enquanto o boi-China recuou para R$ 358/@, ambos os valores brutos e a prazo.

Já a Agrifatto apontou negociações ainda mais baixas, com o boi comum cotado a R$ 350/@ e o padrão-exportação em R$ 360/@. O cenário mostra um mercado heterogêneo, variando conforme região, frigorífico e qualidade dos animais ofertados.


União Europeia amplia cautela no setor

Além dos fatores domésticos, uma notícia vinda da Europa aumentou a preocupação no mercado do boi gordo.

Segundo análise da Safras & Mercado, a União Europeia indicou que poderá interromper a compra de produtos de origem animal do Brasil a partir de setembro, diante de questionamentos envolvendo o uso de antimicrobianos na produção pecuária brasileira.

Embora especialistas avaliem que o Brasil ainda possui margem para cumprir as exigências documentais e evitar uma suspensão efetiva, o anúncio gerou impacto psicológico imediato no mercado físico.

O receio é que qualquer restrição sanitária envolvendo a Europa aumente ainda mais a dependência brasileira da China, justamente em um momento de maior sensibilidade no comércio internacional.

Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, destacou que o setor vive uma fase de notícias contraditórias. Segundo ele, além da situação europeia, o mercado acompanha também possíveis mudanças nos Estados Unidos relacionadas às importações de carne bovina.

De acordo com Iglesias, houve um aparente recuo do presidente Donald Trump em medidas voltadas à ampliação das importações após pressão de pecuaristas norte-americanos. E o mercado, que já vive de volatilidade, ganhou mais um ingrediente para acompanhar diariamente. Como dizem no campo: quando o boi emagrece, o noticiário engorda.


Escalas de abate avançam e pressionam negociações

Outro fator que vem aumentando a pressão sobre o boi gordo é o avanço das escalas de abate.

Em São Paulo, as programações das indústrias já alcançam aproximadamente 10 dias úteis, um nível considerado confortável para os frigoríficos.

Com maior tranquilidade operacional, muitas plantas passaram a atuar de forma mais seletiva nas compras, adquirindo animais apenas em oportunidades abaixo das pedidas dos pecuaristas.

Segundo a Agrifatto, algumas unidades frigoríficas chegaram inclusive a suspender temporariamente as compras no início da semana para avaliar estratégias comerciais e testar o comportamento do mercado no curtíssimo prazo.

Apesar disso, o comportamento não é uniforme em todo o país.


Regiões ainda sustentam preços firmes

Estados como Tocantins, Pará e Rondônia continuam registrando preços relativamente mais firmes devido à menor disponibilidade de animais terminados.

Por outro lado, Minas Gerais e Goiás já começam a sentir os efeitos mais intensos da seca, situação que afeta a qualidade das pastagens naturais e altera a dinâmica regional de oferta.

Em Mato Grosso, o mercado do boi gordo segue mais sustentado pelo forte ritmo das exportações e pela demanda consistente por animais padrão-exportação.


Exportações seguem como principal suporte do mercado

Mesmo com o viés baixista predominando nas negociações internas, as exportações continuam oferecendo sustentação parcial ao mercado do boi gordo.

Analistas avaliam que os embarques brasileiros de carne bovina permanecem elevados, evitando quedas ainda mais acentuadas na arroba.

Esse fator mantém parte dos pecuaristas resistentes em aceitar reduções mais agressivas nos preços negociados com os frigoríficos.

A própria Agrifatto avalia que o setor está atualmente dividido entre duas forças principais: de um lado, o excelente desempenho das exportações; do outro, o enfraquecimento gradual do consumo doméstico ao longo da segunda quinzena.

Historicamente, o mercado interno perde intensidade após o consumo inicial impulsionado pelos salários do começo do mês, reduzindo espaço para reajustes positivos no atacado.


Carne bovina perde competitividade frente ao frango

No mercado atacadista, os preços da carne bovina mostraram estabilidade, reforçando a percepção de demanda mais cautelosa neste momento.

Segundo a Safras & Mercado, a proteína bovina segue perdendo competitividade frente às carnes concorrentes, principalmente o frango, que continua mais acessível ao consumidor brasileiro.

Os cortes bovinos permaneceram praticamente estáveis:

  • Quarto traseiro: R$ 27,50/kg
  • Quarto dianteiro: R$ 21,50/kg
  • Ponta de agulha: R$ 20,00/kg

Esse cenário mantém as margens industriais apertadas e reforça a cautela dos frigoríficos na compra de novas boiadas.


Preços médios da arroba nas principais praças

Segundo levantamento da Safras & Mercado, os preços médios do boi gordo fecharam o dia nos seguintes patamares:

  • São Paulo: R$ 349,67
  • Goiás: R$ 330,54
  • Minas Gerais: R$ 334,71
  • Mato Grosso do Sul: R$ 348,86
  • Mato Grosso: R$ 357,50

O mercado segue atento aos próximos movimentos envolvendo exportações, clima, escalas de abate e possíveis mudanças no comércio internacional.

No curto prazo, a tendência ainda aponta para um ambiente pressionado, com frigoríficos seletivos nas compras e pecuaristas tentando defender preços em meio a um cenário de elevada volatilidade.


Disclaimer

Este artigo é de caráter informativo e opinativo, com dados e cotações referentes ao dia 13/05/2026. As informações podem conter imprecisões, sendo sua utilização de responsabilidade exclusiva do leitor. O conteúdo não constitui recomendação de investimento, orientação financeira, consultoria jurídica ou aconselhamento comercial. Decisões devem considerar as particularidades de cada operação, os regulamentos aplicáveis e, quando necessário, o apoio de profissionais habilitados. Os autores e o site não se responsabilizam por decisões tomadas com base neste material.

Fonte: Diversos sites especializados, além de informações levantadas diretamente com fazendas, veterinários e zootecnistas atuantes no mercado pecuário.

Imagem principal: Depositphotos.

Douglas Carreson

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