Ciência começa a desvendar segredos do zika virus

Compartilhar

Ciência acelera e começa a desvendar segredos do zika

Veja também:

Saiba tudo sobre o Vírus Zika

Como saber se está com Zika vírus

Sintomas causados pelo Zika vírus

Mosquito macho poderá ser arma para combater Zika Vírus

Ainda não apareceram evidências irrefutáveis de que o zika tenha sido a causa única de ocorrências de microcefalia — mas alguns estudos já chegam perto de estabelecer uma relação entre o vírus e a atrofia cerebral

Saber se o zika é a causa única das ocorrências de microcefalia é fundamental. Só assim será possível dar início ao desenvolvimento de vacinas e medicamentos. Até o momento, dos 4 000 registros de microcefalia notificados no Brasil, o país que abriga mais de 90% dos casos suspeitos da doença associados ao zika, apenas dezenove foram comprovados em laboratório. Em dois deles, o genoma foi encontrado em amostras de líquido amniótico de mulheres grávidas de fetos microcéfalos. Publicado em novembro, o achado foi conduzido pelo Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Em janeiro deste ano, o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos atestou a presença de sinais do zika em quatro amostras de tecido cerebral de bebês microcéfalos brasileiros – dois deles foram abortados naturalmente e os outros dois morreram depois do nascimento. Na semana passada, doze infecções foram confirmadas pelo Laboratório Evandro Chagas, no Pará, em parceria com o CDC, por meio de exame feito com amostras do líquido que circula no sistema nervoso central. Ainda assim, a instituição americana recomenda a continuação das investigações para a comprovação definitiva. Diz o infectologista Luis Fernando Aranha Camargo, gerente de pesquisa clínica do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, em São Paulo: “Não há dúvida de que os dados biológicos sobre a relação entre o zika e a microcefalia já existem. Eles são fundamentais, mas insuficientes para comprovar que o vírus possa realmente causar a doença”.

A primeira evidência de que o zika pode atingir o cérebro foi descrita em 1952 por uma dupla escocesa, o virologista George Dick e o entomologista Alexander Haddow. O experimento consistiu em injetar o vírus no abdômen de ratos e observar a sua ação no corpo dos animais. O agente seguiu direto para o sistema nervoso central, provando ser capaz de infectar o cérebro. Acreditava-se que o zika jamais afetaria o ser humano, e os trabalhos foram abandonados. Tenta-se, agora, continuar a linha de estudo dos escoceses, com algumas indagações seminais, ainda sem resposta. Como o vírus age nas células neurológicas do cérebro? De forma direta? Ou interagindo com o sistema imunológico e provocando uma resposta inflamatória capaz de destruir os neurônios?

Além disso, a cada dia surgem novíssimas questões que ultrapassam a relação entre o zika e a microcefalia. Na semana passada, autoridades de saúde dos Estados Unidos divulgaram o registro do primeiro caso de transmissão sexual do vírus. O serviço de saúde de Dallas afirmou que o americano infectado teve relação sexual com alguém que teria voltado recentemente da Venezuela. Por que, afinal, só agora o zika teria adquirido um comportamento mais agressivo e resistente a ponto de destruir células fetais e ser transmitido por via sexual? Pesquisadores do Centro Médico da Universidade do Texas em Galveston avaliam a possibilidade de o zika ter se modificado com o tempo. Por uma questão de sobrevivência, ele hoje conseguiria se multiplicar mais rapidamente no sangue, o que facilitaria, portanto, a sua entrada pela placenta até chegar ao cérebro do feto e danificar os neurônios. É um mecanismo semelhante ao de outros agentes já associados à microcefalia, como o vírus da rubéola.

Fonte imagem: DRAMA – No Brasil, um terço dos casos suspeitos da má-formação associada ao agente foi registrado em Pernambuco(CHRISTOPHE SIMON/AFP)

Fonte: veja online, por Carolina Melo


Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

error: Conteúdo protegido!
%d blogueiros gostam disto: