Bioinformática ajuda a identificar doenças em bananas
Pesquisadores estão utilizando ferramentas de bioinformática para estudar uma nova estirpe do fungo Fusarium que está atacando a variedade mais popular de bananas, a Cavendish, também conhecida como banana d’água ou nanica. A raça tropical 4, ou TR4, é considerada a principal ameaça à produção mundial de bananas. Conhecida como doença do Panamá, já gerou perdas de US$ 134 milhões aos exportadores de banana da Indonésia, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
A Universidade de Wageningen, na Holanda, é responsável por um programa denominado “Panama Disease” <http://panamadisease.org/>, no qual realiza pesquisas para identificação da doença com o objetivo de ajudar a controlá-la. Gert Kema, líder do grupo de pesquisa de banana da Wageningen UR, na Holanda, esteve na Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) em 17 de agosto, onde proferiu a palestra “Detecção, identificação e epidemiologia da Fusarium oxysporum f. sp. cubense, raça tropical 4”.
O grupo liderado pelo cientista realizou a montagem do genoma do Fusarium usando reads de PacBio, uma avançada técnica de sequenciamento de DNA que produz fragmentos (reads) mais longos, o que facilita a montagem de genomas. Além disso, a equipe do Laboratório Multiusuário de Bioinformática da Embrapa, sediada na Embrapa Informática Agropecuária, realizou a montagem do transcriptoma das quatro raças do fungo: R1, R2, ST4 e TR4. O transcriptoma é o conjunto completo de transcritos de um organismo. O cruzamento dos dados do genoma e do transcriptoma pode gerar informações relevantes para a compreensão do fungo.
“Nós fizemos um trabalho de análise de expressão dessas quatro raças, comparando-as. Agora os pesquisadores da Universidade de Wageningen estão tentando compreender melhor a biologia relativa à virulência do fungo, descobrir outros marcadores moleculares e talvez fornecer ferramentas que auxiliem nas medidas de controle”, explicou o pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária Michel Eduardo Beleza Yamagishi. Durante a palestra em Campinas, o cientista demonstrou os principais resultados já obtidos e alertou sobre os cuidados necessários para evitar a disseminação da doença.
O Fusarium se espalha rapidamente pelo solo ou pela água. Com a contaminação do solo, uma área afetada pode ficar improdutiva para a produção de bananas por até três décadas. Kema falou sobre os riscos e a importância de se adotar procedimentos adequados para quarentena e, para isso, são usados marcadores moleculares. Os cientistas querem diminuir os impactos econômicos da doença que causam insegurança alimentar, especialmente nos países em desenvolvimento. O fungo atualmente está afetando a produção de bananas na China, nas Filipinas e Moçambique, entre outros países, mas o Brasil está livre dessa raça do Fusarium até o momento.
É fundamental unir esforços com outras instituições, como a Embrapa, para estudar a doença e adotar formas mais eficazes de controle, de acordo com Kema. “É muito importante estabelecer uma colaboração ativa entre a academia, os institutos e as empresas. E, além disso, estimular o desenvolvimento de programas de pesquisa usando tecnologia de ponta”, ressaltou. Os estudos de genômica e as ferramentas de bioinformática estão ajudando os cientistas no trabalho de combate à disseminação desse fungo. O mercado de bananas mundial é estimado em US$ 36 bilhões e é fonte de renda para 400 milhões de pessoas, conforme a FAO.
Fonte: Embrapacom informações da Rádio ONU. Autor: Nadir Rodrigues.
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