GDF e Embrapa discutem economia solidária
Pesquisadora Terezinha Dias vai apresentar a experiência obtida nas feiras de trocas de sementes entre povos indígenas.
Brasília, 24 de março de 2014 – A Secretaria de Micro e Pequena Empresa e Economia Solidária do GDF promove nesta terça-feira (25/03), no auditório Assis Roberto De Bem da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, DF, de 14 às 18 horas, o 7º Seminário “A Pedagogia das Virtudes na Economia Solidária”. O evento vai contar com a presença de especialistas que vão apresentar suas experiências em prol da economia solidária no Brasil: o Subsecretário de Economia Solidária do Distrito Federal, Afonso Magalhães; o conselheiro da ONG União Planetária, Eduardo Weaver; e a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Terezinha Dias. A coordenação da mesa ficará sob a responsabilidade da gestora ambiental da Secretaria, Luizalice Labarrère.
Economia solidária é uma forma de produção, consumo e distribuição de riqueza (economia) centrada na valorização do ser humano e não do capital. Tem base cooperativista e é voltada para a produção, consumo e comercialização de bens e serviços de modo autogerido, ou seja, de forma justa e igualitária, sem envolver hierarquia e outros mecanismos capitalistas. A economia solidária aponta para uma nova lógica de desenvolvimento sustentável com geração de trabalho e distribuição de renda, mediante um crescimento econômico com proteção dos ecossistemas.
Aliado ao contexto de economia solidária, o Movimento “Pedagogia das Virtudes” envolve voluntariamente entidades públicas e privadas, com o objetivo de promover estudos, pesquisas e debates que despertem e fortaleçam, na sociedade, valores éticos universais, como paz, amor, justiça social e fraternidade.
O seminário reúne os conceitos dessas duas vertentes complementares com o objetivo de apresentar ao público as experiências concretas e exitosas de economia solidária praticadas e vivenciadas pelos palestrantes. “A ideia é mostrar que é perfeitamente possível e viável desenvolver modelos de economia solidária no Brasil. Essa forma de produção vem se apresentando, nos últimos anos, como inovadora alternativa de geração de trabalho, renda e inclusão social”, explica a pesquisadora Terezinha Dias.
Troca de sementes entre comunidades indígenas: exemplo de sucesso de economia solidária
Durante o seminário, Terezinha vai apresentar uma experiência concreta e de sucesso de economia solidária no país: a promoção de feiras para trocas de sementes realizadas entre povos indígenas.
A iniciativa começou em 1997 com o povo indígena Krahô, do Tocantins, graças a uma parceria entre a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, a Associação União das Aldeias Krahô – Kapey e a Fundação Nacional do Índio – Funai.
Segundo a pesquisadora, “as feiras de sementes estimulam a conservação das variedades agrícolas tradicionais, além de incentivarem os povos indígenas a cultivarem espécies tradicionais, colaborando para a conservação e ampliação da sua variabilidade genética”.
Hoje, nove feiras já foram realizadas dentro do território indígena Krahô nos municípios de Itacajá e Goiatins (TO), sendo a última em 2013. Esses eventos fortalecem a segurança alimentar e a conservação de sementes in situ /on farm (em seus locais de origem), além de promover capacitações dos povos indígenas nas áreas de agroecologia e artesanato, entre outras.
As feiras reúnem, em média, cerca de 2.500 pessoas, incluindo indígenas e profissionais que atuam em áreas relacionadas, como técnicos governamentais, representantes de ONGs, universidades e instituições de pesquisa brasileiras, entre outros.
O sucesso da Feira Krahô de Sementes Tradicionais resultou na ampliação dos parceiros envolvidos na sua realização. Hoje, participam também do evento a Articulação Nacional de Agroecologia – ANA, a Rede Cerrado e a Petrobrás, entre outras instituições.
E o mais importante: ampliou a realização de feiras de sementes para outras etnias indígenas brasileiras, como os Xerente (TO), os Pareci (MT) e os Kayapó (PA).
As feiras de sementes se consolidaram como importantes instrumentos de promoção da agrobiodiversidade, com foco no desenvolvimento local sustentável e na valorização cultural de comunidades indígenas. Prova disso é que a Funai incorporou-as definitivamente em suas estratégias de etno-desenvolvimento.
“A troca de sementes entre os índios já acontecia tradicional e culturalmente, mas o apoio da Embrapa e das outras instituições envolvidas tem sido determinante para ampliar a dimensão do evento, envolvendo indígenas de vários estados e até de outros países”, afirma Terezinha. Além de sementes tradicionais, as feiras possibilitam às etnias compartilharem também aspectos culturais, como festas, cantos, danças, comidas, pinturas corporais, e artesanatos, tornando o evento uma grande troca de saberes e conhecimentos. “Ou seja, um exemplo concreto e saudável de economia solidária”, finaliza.
O 7º Seminário “A Pedagogia das Virtudes na Economia Solidária” acontece no dia 25 de março, de 14 às 16 horas, na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Parque Estação Biológica, final Av. W5 Norte, atrás da 2ª DP).

