Categories: Animais e Pecuária

Professor Mateus condena o fogo para marcar bovinos

POR SEBASTIÃO NASCIMENTO

O professor Mateus Paranhos, um dos maiores especialistas em bem-estar animal no Brasil, do Departamento de Zootecnia, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (Unesp de Jaboticabal), está conduzindo uma campanha contra o uso da marca a fogo na face dos bovinos. Segundo o professor, que eu já entrevistei aqui na revista Globo Rural, a face do animal é uma das áreas do corpo com maior sensibilidade à dor. “Essa área não deveria ser usada para colocação da marca de fogo”, ele enfatiza.

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Mateus Paranhos enviou uma Carta Aberta ao ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, solicitando a revisão da exigência da marcação a fogo na face dos bovinos para fins de controle da vacinação contra a brucelose, além de outras finalidades.

Escreve o professor: “A preocupação com a questão do bem-estar dos animais de produção é crescente no mundo todo e, como não poderia deixar de ser, também no Brasil. Nesse sentido é quase unânime o reconhecimento de que a marcação a fogo é dolorosa para os bovinos, como demonstrado em estudos que encontraram evidências concretas de estresses em vacas e bezerros durante e após a marcação a fogo, além de fortes evidências de sensação de dor.”

Segundo Paranhos, a Associação Americana de Medicina Veterinária manifestou a opinião, em 2011, de que a marca de fogo causa dor e estresse nos animais. O professor informa que já existem várias iniciativas para banir o uso da marca a fogo. “Por exemplo, nos EUA, o USDA tem planos de banir essa prática quando utilizada para fins de controle sanitário. O próprio USDA relatou que, em função da crescente preocupação do público com relação a marca a fogo, o órgão está considerando rever a regra de marcação na face, uma vez que ela causa estresse severo em bovinos.”

Tem mais: “no Brasil há iniciativas semelhantes, buscando encontrar soluções para que não seja necessária a colocação da marca de fogo na face dos bovinos. De fato, em meu entendimento, esta prática deveria ser banida para fins de registros genealógicos e de controle da vacinação de brucelose”, escreve o professor.” Segundo ele, “existem alternativas que permitem evitar a marca de fogo nesse local e a mais simples dela é a mudança do local para colocação da marca, usando preferencialmente a perna do animal para fazê-lo. Fazendo isso se minimiza a dor e o sofrimento do gado sem desrespeitar a lei número 4.714, de 29 de junho de 1965, que determina no seu artigo 1º que o gado bovino só poderá ser marcado a ferro candente na cara, no pescoço e nas regiões situadas abaixo da linha imaginária, ligando as articulações fêmuro-rótulo-tibial e húmero-rádio-cubital, de modo a evitar os defeitos na parte do couro de maior utilidade, denominada grupon.”

“Essa lei não foi concebida com o objetivo de promover o bem-estar animal, mas sim de reduzir os danos causados no couro, por conta da marcação a fogo”, escreve Paranhos.
Terminando, o professor Paranhos afirma acreditar que é tempo para se tomar uma atitude mais progressista na definição de métodos que permitam uma identificação segura e que não cause sofrimento desnecessário aos bovinos.

Mateus Paranhos: “É quase unânime o reconhecimento de que a marcação a fogo é dolorosa para os bovinos” (Foto: Rogerio Cassimiro/Ed. Globo)

gustavo henrique leite mota piesanti

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