Manejo do bezerro do nascimento até 24 horas

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As primeiras 24 horas de vida do bezerro são extremamente importantes para o desempenho futuro do animal. O bezerro, ao nascer, está desprovido de defesas imunológicas e possui uma baixa reserva de nutrientes. Ao mesmo tempo, tem de enfrentar um ambiente hostil, completamente diferente do útero materno, onde as condições eram muito favoráveis como, por exemplo,  temperatura constante, ausência de microorganismos, disponibilidade de nutrientes prontamente utilizáveis e oxigênio à vontade.

 

Agora, após o nascimento, precisa enfrentar um ambiente com variação na temperatura, umidade, conseguir nutrientes e enfrentar bactérias e vírus.   Além disso o estresse do parto agrava ainda mais a situação. O bezerro, muitas vezes, passa por um período de falta de oxigenação que pode levar a uma acidose sanguínea com conseqüente perda de resistência.

 

Deve-se, portanto, procurar adaptar o meio ambiente para condições mais próximas possíveis do ambiente uterínico, e adotar técnica de manejo que venham minimizar o estresse do animal nas primeiras 24 horas de vida, ou seja:

LOCAL/ÁREA

RECOMENDA-SE

NÃO RECOMENDA-SE

Maternidade

Vacas parindo em baia limpa ou piquete sem barro.

Controlar estresse térmico.

Reduzir competição.  

Esquecer de separar as vacas 15 a 30 dias antes do parto do restante dos animais secos.

Fornecer dieta de vacas secas ou em lactação para vacas pré-parto.

Esquecer de limpar baias entre partos

 

Parto

Não deixar a vaca entrar em contato com o bezerro.

Acompanhar o parto, anotando o horário de ocorrência dos eventos.

Oxigenar artificialmente o bezerro  se necessário.

Secar totalmente o bezerro 

imediatamente após o nascimento.

Colocar o bezerro em baia isolada, limpa, higienizada e aquecida, mesmo no verão.

Retirar desta baia somente 24

 horas após.

Curar umbigo com tintura de iodo (7%) imediatamente após o nascimento, e 12 a 18 horas após

Intervir no parto se não for necessário

Colostro – qualidade

Fornecer até no máximo 1hr após o parto.

Fornecer no mínimo 3l na 1a. mamada e 3l, 12hr após.

Usar sonda esofágica se não consumir o suficiente.

 

Usar colostro de vacas com esfíncter de teta danificado.

Usar colostro com sangue ou mastite.

Usar sonda quebrada ou suja.

Deixar o bezerro mamar na mãe.

 

Colostro – qualidade

Medir qualidade.

Congelar em recipientes de 2 litros.

Usar colostro de pior qualidade a partir da 3a. mamada.  

Usar colostro de baixa densidade.

Esquentar para descongelar.  

 

Das práticas recomendadas acima, uma das mais importantes refere-se ao fornecimento do colostro. O bezerro, ao nascer, não possui nenhuma proteção imunológica contra doenças. O colostro é a forma de transferência da imunidade da mãe para o bezerro. O colostro é o primeiro leite secretado pela mãe. É produzido nos últimos 15 dias antes do parto, até a 6a. ou 7a. ordenha. Vários são os fatores que podem interferir neste processo, dentre eles, pode-se citar a qualidade do colostro, sua quantidade, o momento de fornecimento e o contato do animal com bactérias previamente ao consumo do colostro.

 

A qualidade do colostro diz, principalmente, respeito quanto ao tipo de anticorpos presentes. O tipo de anticorpo se refere à exposição da mãe à antígenos comuns ao ambiente que o bezerro irá enfrentar; ou seja, a mãe precisa estar exposta ao mesmo tipo de agentes infecciosos que o bezerro estará exposto nos primeiros 2 meses de vida. Vacas normalmente possuem melhor qualidade de anticorpos por terem se exposto a maior número de antígenos do que novilhas.

 

A quantidade é medida através da densidade específica do colostro, que possui relação direta com a quantidade de anticorpos. Considera-se como bom, o colostro que possui densidade superior a 60 g/l, marginal entre 30 e 50 g/l e ruim, abaixo de 30 g/l. Trabalhos tem mostrado que somente cerca de 60% das vacas possuem colostro classificados como bom. Menos de 30% das novilhas produzem bom colostro. Pode-se compensar a baixa densidade com o fornecimento de maior quantidade de colostro, porém, o bezerro possui um limite de consumo. Recomenda-se fornecer no mínimo 3 l na 1a. mamada e 3 l até 12 horas após. Animais com mais de 40 kg ao nascer poderiam receber 4 l. Se o bezerro não mamar, deve-se forçar o consumo com a ajuda de sonda esofágica.

 

Outro aspecto fundamental é o momento do fornecimento do colostro. Algumas pesquisas mostraram que a absorção de imunoglobulinas começa a cair após 30 minutos do nascimento e que, 24 horas após, a absorção é igual a zero. Isto se deve à ação de enzimas que passam a ser secretadas em maior quantidade e que destroem os anticorpos e, também, devido a redução na possibilidade de absorção das células epiteliais seja devido à sua maturação ou ação de microorganismos. Este último ponto levantado é bastante interessante.

 

Trabalho realizado nos EUA, na década de 70, mostrou que animais que tinham contato com bactérias ambientais patogênicas (Escherichia coli) antes de tomar o colostro invariavelmente ficavam doentes e muitos morriam, enquanto que os que tomavam primeiro o colostro não adoentavam em presença dos mesmos agentes patogênicos. Esta é uma das razões porque recomendamos separar o bezerro da mãe imediatamente após o parto.

 

Outra prática importante é a desinfecção do umbigo. Utiliza-se tintura de iodo a 7%, imediatamente após o nascimento e 12 horas após. O produto deve ser colocado em frasco de boca larga e emborcado sobre o coto do umbigo. Deve-se, também, despejar o líquido no interior do cordão e ao seu redor. Em seguida deve-se amarrar o cordão cerca de 5 cm do corpo com o uso de barbante imerso em solução de álcool a 70%. O restante do iodo, após 12horas, deve ser descartado, sendo de uso individual.

 

Não menos importante é a secagem do bezerro e os cuidados para se evitar falta de oxigenação. Imediatamente após o nascimento o bezerro deve ser secado com o uso de toalhas de pano e secador de cabelo. O que se pretende é deixar o pelo do animal eriçado e fofo para que não perca temperatura corporal. O uso de lâmpadas ou campânulas de aquecimento ajuda o processo. Se a temperatura do bezerro cair para menos do que 38,40C, após 30 minutos do parto, deve-se procurar aquecê-lo. No caso de hipoxia deve-se injetar oxigênio, por 5 a 10 minutos, diretamente nas narinas com a ajuda de sonda.

 

Após 24 horas o animal deve ser transferido para sua baia individual definitiva.

 

Fonte: ESALQ – USP.


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