Gado nelore: Recomendações e criações
Recomenda-se a formação de rebanho com animais nelorados ou da raça nelore pura, por se tratar de uma raça já devidamente adaptada a regiões de clima tropical, rústica e resistente a ecto e endo parasitos.
A rebanho nelorado poderá ser melhorado com a introdução de gens melhoradores de tourinhos e matrizes oriundos de rebanhos puros, que trabalham com reprodutores e sêmen comprovadamente reconhecidos. Este melhoramento, poderá ser realizado por meio de coberturas ou inseminação artificial.
A criação de animais puros, deve ser preconizada para produção de tourinhos e matrizes puras ou controladas para serem comercializadas a sistemas de produção constituídos por rebanho nelorado.
Para incrementar índices produtivos e reprodutivos do sistema de produção para produção de animais precoces, utilizar o cruzamento industrial no rebanho nelorados na formação de animais F1 (Bos taurus taurus x Bos taurus indicus), preferencialmente por meio do processo da inseminação artificial. Na formação de rebanhos F1, orienta-se inseminar os rebanhos com sêmen de reprodutores das raças Britânicas (angus, aberdeen angus, devon, hereford, red angus, red polled, south devon, etc.).
Dependendo da exigência do mercado e da presença ou não de ecto e endoparasitos nos F1, faz-se a terminação dos F1, encaminhando machos e fêmeas para o abate, ou direciona-se para dois processos: o primeiro, insemina-se as fêmeas F1 com sêmen de reprodutores de raças Continentais (blond d’Aquitaine, charolesa, chianina, charolês, gelbvieh, limousin, marchigiana, piemontês, simental, valdostana, etc.) e, o segundo, com raças sintéticas (beefalo, bonsmara, brahma, canchim, senepol, beefalo, etc.) encaminhando também, todos os produtos (machos e fêmeas) oriundos destes cruzamentos para abate.
É importante, antes do uso destas raças para realizar o cruzamento industrial, verificar a infraestrutura do sistema de produção em relação a gerenciamento, pastagem e sanidade, como também observar a tendência do mercado no Estado para produção de carne bovina.
Curral:
O curral deverá ser bem posicionado em relação à sede e as pastagens, com a finalidade de facilitar o acesso e manejo. Deve ser construído em terreno firme e seco, preferencialmente plano, não sujeito à erosão.
A capacidade do curral terá uma área útil de 2 m2/U.A, divido no mínimo com 6 a 8 divisões, compondo-se de cercas, porteiras, galpão de preferência coberto (abrigar o apartadouro, balança, brete, tronco de contenção e seringa) e embarcadouro. Anexas ao curral poderá ser construída estruturas (curralão, manga de recolher animais, piquetes, etc.), além de facilitar o manejo e acesso ao interior do curral, permitem ampliar, com instalações simples, a capacidade de se trabalhar em lotes de até 500 reses por vez.
Cercas:
As cercas deverão ser de arame liso, com 4 fios, estacas de 2 em 2 metros e mourões de 15 em 15 metros. Para conservar as estacas, orienta-se fazer o tratamento das estacas e mourões com óleo queimado e creozoto. Caso faça preferência por cercas elétricas, construir com três fios e instalar somente nas divisórias internas.
Cochos:
Objetivando o fornecimento de sal mineral de maneira contínua, orienta-se construir os cochos de madeira, com cobertura e colocado um em cada piquete, localizados estrategicamente em locais altos, ficando a uma distância nunca inferior a 1.500 m das aguadas. Os cochos têm as dimensões de 2,5m a 3m de comprimento por 25 a 30 cm de largura e podem ser construídos para atender dois pastos, sendo istalados a uma altura de 0,40m do solo. Para economizar material os mesmos podem ser instalados para atender dois piquetes.
Alimentação:
A pecuária de corte no Estado do Acre é praticada em pastagens cultivadas em substituição à vegetação original de floresta, com o rebanho alimentado essencialmente a pasto, graças às condições climáticas favoráveis ao crescimento das plantas forrageiras na maior parte do ano. Durante o período crítico do ano, mesmo nas microrregiões com menor pluviosidade, é possível alimentar o rebanho a pasto com maior facilidade do que nas demais regiões pecuárias do País. Este é um fator decisivo para a competitividade da atividade, já que o pasto representa o alimento mais barato para a alimentação dos ruminantes e, atualmente, há grande demanda do mercado internacional de carne bovina pelo chamado Boi Verde, criado a pasto.
Formação de pastagens:
Na etapa de formação de pastagens, são importantes os fatores preparo da área, qualidade das sementes, método e taxa de semeadura, e manejo de formação. Para a formação de pastagens em substituição à vegetação natural de floresta, o método de preparo da área recomendado ainda é o tradicional, com broca, derrubada e queima da vegetação.
A pesquisa tem demonstrado que os métodos mecânicos, com uso de tratores de esteira, são prejudiciais para as condições físicas e químicas da maioria dos solos da Amazônia (Dias Filho, 1987).
A broca é necessária para formar a “cama” para a queima, e para facilitar a operação de derrubada, devendo ser realizada a partir do início da estação seca (maio-junho). A derrubada deve ser iniciada após a broca, de preferência durante os meses de maior estiagem (julho-agosto). O mês de setembro é o mais recomendado para realizar a queima da vegetação, que deve ocorrer de 30 a 40 dias após o término da derrubada.
Recomenda-se que a queima seja efetuada em dias quentes e sem ventos fortes, lembrando sempre da necessidade de se aceirar, previamente, o entorno da área a ser queimada. Uma queima bem feita é condição essencial para o sucesso da formação da pastagem, sendo necessário que as operações de broca e derrubada sejam bem feitas e na época certa.
A época de semeadura deve coincidir com o início do período chuvoso (normalmente em outubro), podendo ser feita a lanço (manualmente ou por avião agrícola) ou com uso de plantadeira manual (matraca). O uso de sementes de qualidade, adquiridas de firmas idôneas, e na quantidade correta é fundamental para a obtenção de uma pastagem bem formada.
As taxas de semeadura recomendadas para formação e renovação de pastagens no Acre dependem de alguns fatores, tais como espécie forrageira, condição da área para o plantio e valor cultural das sementes (Tabela 3).
Os valores estão em pontos de valor cultural (VC) por hectare. Para saber a quantidade de sementes em kg/ha, basta dividir os valores pelo VC das sementes. Por exemplo, a taxa de semeadura do brizantão quando a condição de plantio é média, e o VC das sementes igual a 40%, seria de 500/40 = 12,5 kg/ha ou 30,2 kg/alqueire. Para a puerária, recomenda-se a taxa de semeadura de 1,0 kg/ha.
Como forma de avaliar o resultado do plantio, considera-se adequado quando emergirem de 15 a 20 plântulas/m2, para espécies cujas sementes são de tamanho relativamente grande, tais como o brizantão e o capim Pojuca, e de 40 a 50 plântulas/m2, no caso de espécies com sementes menores, como as do gênero Panicum, ou com estabelecimento mais lento, como a Brachiaria humidicola (Souza, 1997).
Fonte: Cnptia (Embrapa).

