Análise semanal sobre o mercado de grãos
Resumo da semana:
O mercado continuou voltado ao clima norte-americano e espera-se que as condições continuem desfavoráveis para o plantio e estabelecimento das culturas.
Neste ambiente ainda indefinido, onde não se sabe qual será a área cultivada e o rendimento alcançado, as cotações seguem voláteis. Além disso, conforme novas perdas sejam confirmadas, novas rodadas altistas devem ser registradas.
E nesta segunda-feira (03/jun), em reflexo a esse ambiente de incerteza, as cotações futuras operam em campos distintos. Os vencimentos mais curtos passam por ajustes técnicas, enquanto os contratos mais longos registram novas valorizações.
No mercado físico, as indicações mais altas foram convidativas para a soja e ampliaram as negociações, tanto para indústrias domésticas como para exportação. Já a colheita do cereal ainda não ganhou tração e mantém ajustadas as negociações no mercado spot.
O câmbio caiu 2,89% ao longo da última semana, encontrando com importantes suportes de preços e fechando a semana a R$ 3,926.
Mercado futuro na tela
No acumulado da semana, o saldo foi positivo para as commodities em bolsa, mas a movimentação técnica na sexta-feira (31/mai) para embolso dos lucros devolveu parte dos ganhos.
Além disso, o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que poderia taxar produtos importados do México também gerou temores, aumentando a pressão negativa, já que o país vizinho é o 2º maior importador de produtos agrícolas norte-americanos.
E assim, os contratos de milho para julho e setembro na B3 subiram ao redor de 8,0% ao longo da última semana. Já na sexta-feira (31/mai), devolveram os ganhos em movimentação técnica, na esteira das desvalorizações em Chicago.
Mas o fortalecimento do milho em bolsa gera oportunidades para os produtores do cereal, permitindo assegurar um mínimo em R$ 37,00/sc para as vendas de julho e setembro, a partir do pagamento de prêmio em torno de R$ 1,00/sc.
E ainda, na segunda-feira (03/jun), serão atualizadas as exportações brasileiras e a proporção plantada nos EUA. Espera-se continuidade do desempenho positivo para os embarques de milho, além de manutenção do cenário desafiador para a semeadura norte-americana.
Portanto, a semana deve começar com volatilidade no radar, com possível pressão positiva às cotações futuras.
A soja em Chicago acumulou altas próximas a 6% na última semana, apesar de registrar queda no último pregão da semana.
E assim como o milho, as previsões de produção norte-americana na temporada 2019/20 certamente passarão por ajustes negativos, com os mapas climáticos indicando chuvas nos próximos dias, havendo potencial de novas valorizações para os grãos.
Enquanto isso, no físico…
Embora o plantio do milho tenha se antecipado nesta temporada, a colheita ainda não ganhou a tração que se esperava para esta época. Mas com os mapas climáticos indicando período seco na região central do país a partir de junho, a colheita da safrinha pode avançar.
Também existe a expectativa de que os rendimentos em campo se registrem maiores do que as previsões atuais da CONAB, a Companha estima produtividade média em 93,88 sacas por hectare, resultando em uma colheita de 69,15 milhões de toneladas na safrinha (e produção total em 95,25 mi tons).
Com possíveis reajustes da produtividade nesta safra de verão do milho, o país deve se aproximar ou quebrar o recorde de 97,84 milhões de toneladas de 2016/17. Aliás, o mercado já começa a prever produção total ao redor de 100 mi de tons.
Com a colheita ainda ganhando impulso, a comercialização também segue relativamente lenta em algumas regiões, além disso, produtores também começam a se afastar do mercado na expectativa de novas valorizações para a matéria-prima.
Já as negociações com a soja estão mais aquecidas após os importantes reajustes dos preços. Houve reporte de amplo volume sendo negociado em Primavera do Leste/MT ao final da última semana, com fábricas e a exportação como destino, o grão foi negociado por R$ 70,00/sc (FOB) para entrega em fevereiro/20.
Em Paranaguá, os preços de balcão ficam ao redor de R$ 83,50/sc (CEPEA) – trata-se do maior valor desde novembro de 2018.
Os prêmios nos portos também têm mantido patamares relativamente convidativos, embora tenham passado por ajustes na última semana. Na média, os prêmios para embarques em julho/agosto ficam ao redor de US$ 1,15/bushel.
Vale destacar que apesar da grave situação climática nos EUA ainda imprimindo riscos e com potencial de elevar ainda mais as referências, as cotações domésticas encontram-se nos maiores patamares do ano, momento interessante para aqueles que vendem a matéria-prima iniciar a composição da média.
No mercado externo
O Ministério da Economia divulgou os dados completos das exportações de maio, com desaceleração para os embarques na última semana.
A média diária com a soja estava em 540,40 mil toneladas no início de maio, terminando o período com desempenho de 478,47 mil toneladas/dia.
No total, o país enviou 10,53 milhões de toneladas do grão – queda de 0,22% em relação ao volume embarcado no mês anterior, e recuo de 18,6% ante o mesmo período do ano passado.
Os preços médios também recuaram, a média de US$ 346,54 por tonelada registra-se 3,11% inferior na comparação com abril/19 e 14,36% menor ante maio/18.
E os embarques com milho somaram 979,30 mil toneladas, cravando um novo recorde para o mês de maio.
O ritmo médio diário fechou o mês em 44,5 mil toneladas – avanço de 119,4% ante o mês anterior, e ficando 1.543% superior frente o mesmo período do ano passado.
O valor médio em US$ 178,40 por tonelada é 4,1% menor em relação ao mês anterior, mas 7,5% superior em relação a maio/18.
O destaque da semana
O câmbio continua mostrando fortes variações, perdendo o suporte em R$ 4,00/US$ e acumulando queda de -2,89%, o fechamento na sexta-feira (31) ficou em R$ 3,926.
A variação acontece após diminuição do ruído no cenário político local, gerando maior otimismo para avanços da reforma da Previdência no congresso. Ademais, o pacto entre os presidentes das Casas do Congresso e do Supremo Tribunal Federal também serviram como uma injeção de ânimo ao mercado.
Além disso, os recuos também podem ser encarados como um movimento de correção, após alta expressiva, atingindo R$ 4,101 no dia 17 de maio – o maior valor em 8 meses.
E o que está no radar…
Nesta semana as atenções devem se manter voltadas ao clima nos EUA, e o novo boletim de progresso do plantio deverá atualizar o mercado sobre o desempenho a campo.
A expectativa é que os avanços dos trabalhos em campo nos EUA continuem limitados, gerando impactos positivos aos preços internacionais. Vale lembrar que para a soja, ainda existe janela de plantio, mas o tamanho da área a ser cultivado segue em aberto, assim como os rendimentos que serão alcançados para os grãos nesta temporada.
Fonte: Gustavo Machado é engenheiro agrônomo e consultor de mercado pela Agrifatto.

