Categories: Agricultura

Mulheres do agro: 71% com dificuldades para trabalhar

O agronegócio ainda é um ambiente bastante masculino, mas esse cenário vem mudando nos últimos anos. A porteira está se abrindo para a participação feminina e elas estão capacitadas para atuar no campo. 

Uma pesquisa da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) consultou 301 mulheres que atuam na agropecuária. De acordo com o estudo, 60% das entrevistadas têm curso superior e 88% das entrevistadas são independentes financeiramente. As informações fazem parte de uma pesquisa apresentada nesta terça-feira (25/10) durante o primeiro Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, realizado em São Paulo. 

Publicidade

Embora estejam satisfeitas com a atuação nesse setor, 71% das mulheres consultadas consideram que já enfrentaram problemas motivados por questões de gênero. Enquanto os homens são mais aceitos no ambiente de trabalho, elas relataram que sentem dificuldades para serem ouvidas ou ascender profissionalmente, mesmo que sejam capacitadas para isso.

Barreiras

A agrônoma Camila Felli, formada pela Esalq/USP, confirma a dificuldade de ganhar voz no campo. Ela trabalha na fazenda da família, que investe na produção de grãos e na pecuária. “Hoje eu trabalho na Fazenda Piracicaba, em Balsas (MA) e sou a única mulher na parte do campo. Eu vejo que lá eu tenho dificuldade com o gerente-geral e com o gerente-agrícola, que são homens mais tradicionais e têm mais dificuldade de aceitar a minha opinião por mais que eu seja formada em agronomia”, diz Camila. 

A maioria das mulheres entrevistadas reside nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. A área de atuação com maior presença feminina é a agricultura, com 42% de participação, sendo as principais culturas soja, milho e hortifrúti. Na sequência é listada a pecuária, com 25% das mulheres entrevistadas, agropecuária, com 20%, e agroindústria com 13%. 

A produtora rural e conselheira fiscal da cooperativa Comigo, Selvani Zanuzzi, acredita que a mulher já tem um papel fundamental no agronegócio. “Na fazenda, nós trabalhamos todos juntos, eu, o marido e os filhos, e a minha opinião é muito importante”, afirma. Quando foi nomeada conselheira da cooperativa, ela achou que seria difícil e que não seria bem-vinda porque os outros cinco membros eram homens. Porém, ela conta que foi surpreendida e que foi muito bem recebida.

Fonte: Farming

Marielli Souza Portella

Published by
Marielli Souza Portella

Recent Posts

5 mudanças que o café brasileiro terá de provar à Europa

A rastreabilidade do café será decisiva para manter exportações à União Europeia. Entenda como o…

10 horas ago

5 diferenças entre geada branca e geada negra; Confira

A Geada Negra preocupa produtores por causar necrose e perdas severas nas lavouras. Entenda as…

10 horas ago

União Europeia veta carne bovina do Brasil e preocupa exportações

União Europeia veta importações de carne bovina do Brasil após novas regras sanitárias e aumenta…

11 horas ago

Europa acende alerta e mercado do boi gordo sente impacto

Mercado do boi gordo recua após pressão da União Europeia, avanço das escalas e demanda…

11 horas ago

Preço do milho: Lista completa das principais praças (13/05)

Confira a atualização do preço do milho para a saca de 60 kg neste dia…

14 horas ago

Preço da soja: Onde a saca está mais cara neste 13 de maio?

Confira a cotação atualizada do preço da soja nas principais praças do Brasil. Saiba onde…

14 horas ago

This website uses cookies.