Calor fora de época já causa perdas de algumas culturas

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Rio Grande do Sul: Calor fora de época já causa perdas de algumas culturas.

Se a chuva não for suficiente, acaba fazendo com que parte das sementes germine e outra não.

Conforme dados repassados pelo Núcleo de Informações Hidrometeorológicas (NIH) da Univates, a estação meteorológica, instalada no campus da instituição em Lajeado, registrou somente 33,8mm de chuva durante todo o mês de julho. Com isso, é um dos meses de julho mais secos dos últimos 11 anos, com o volume ficando bem abaixo dos 62mm registrados em julho de 2005.

Entre as principais consequências do calor fora de época e a ausência de chuvas, é o florescimento antecipado das frutiferas, como as rosáceas (pêssegos) e dos citros. Como já fez calor no mês de junho, os pessegueiros floresceram e a forte geada ocorrida em meados de julho, fez as frutas abortarem. É o caso do produtor Marcos Hinterholz, morador de Vila Santa Emília, que tem plantadas 12 variedades de pêssego e que totalizam 300 árvores. Ele conta que o ideal para obter uma produção cheia, são 250 horas de frio durante o ano, e que até o momento, este montante não chega a 50 horas. ‘Com certeza, vou ter perdas acentuadas’, frisa, acrescentando que embora o frio seja necessário para as rosáceas, torce para que não esfrie muito, pois se isto ocorrer, os pessegueiros que agora estão florescendo e depondo frutas, vão abortar e assim ele terá perdas de 100%. Para outras culturas, Hinterholz ainda não sente tanto os efeitos da ausência de chuva, pois aproveita o tempo bom para preparar o solo para plantar o tabaco e está plantando o milho da safra.

Consequências

Por enquanto, as consequências do calor fora de época ainda não são tão sentidas, o que vai ocorrer a partir do momento em que chover. Segundo o chefe do escritório municipal da Emater/RS-Ascar e engenheiro agrônomo, Vicente Fin, o trigo, que é a principal cultura de inverno, depois do perfilhamento, vai emitir o escapo, ou seja, vai alongar a planta para iniciar as inflorescências de produção. No caso das demais culturas, como o milho, o período indicado para o plantio se abre no dia 10 de agosto e com esta temperatura alta, uma vez que a semente é depositada no solo, ela vai germinar com tranquilidade. Com o feijão ocorre o mesmo processo e a soja, mesmo que ela germinasse, ainda não está no período de plantio, o que ocorre a partir do mês de outubro. O tabaco inicia a época ideal a partir de agora, embora uma boa parte dos produtores esteja plantando ou já tenho plantado, principalmente os da região baixa do município.

Por enquanto, para Fin, ainda é cedo para se falar sobre as consequências do calor fora de época e da pouca chuva. Se não ocorrer geada, o agrônomo observa que não terá problemas pois a safra já está encaminhada e, ocorrendo geada, ela pode comprometer o trigo, pois o mesmo está com o escapo floral interno em desenvolvimento, o que pode trazer sérios prejuízos. O tabaco plantado ainda em junho e que está em desenvolvimento, pode ter danos, que podem ser severos ou não, o que vai depender da intensidade da geada, pois se for fraca, não vai afetar o tabaco e nem o milho, o que é diferente com as frutíferas, pois terá reflexos negativos, de modo especial nos citros.

Chuvas

Estão previstas chuvas para esta quarta-feira, 2, e quinta-feira, 3, porém, os volumes não são tão expressivos e se não chover, vai dificultar o plantio de algumas culturas e ainda, de fazer a dessecação das coberturas verdes para preparar o solo para plantar as culturas de verão, como o milho e a soja e o próprio tabaco. ‘Nunca não é bom que ocorram estiagens na implantação das culturas. Se a chuva não for suficiente, acaba fazendo com que parte das sementes germine e outra não e com isto, não há uma implantação uniforme das plantas’, avalia Fin. O detalhe, continua ele, é como vai se comportar o clima a partir do momento em que serão implantadas as culturas de verão, que neste caso sim, é necessário ter uma boa umidade no solo para ocorrer a germinação, mas não precisa ser tão intensa.

FONTE: FOLHA DO MATE.


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