Insumos: Venda mais lenta de grãos pode atrasar entrega

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Venda mais lenta de grãos pode atrasar entrega de insumos, alerta Andav.

Entidade que representa as distribuidoras descarta a possibilidade de faltar produto, mas teme gargalo logístico.

O ritmo mais lento da comercialização de grãos neste ano pode provocar um gargalo logístico e atrasar a entrega dos insumos para o plantio da próxima safra. O alerta é da Associação Nacional das Distribuidoras de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), que reúne revendedores de sementes, fertilizantes e defensivos no Brasil.

“Se houver problema, não será de abastecimento. Produto não vai faltar, mas a entrega pode ser prejudicada no momento do plantio. A demanda por insumos está reprimida e o produtor deve se definir para evitar atraso”, alerta o presidente-executivo da Andav, Henrique Mazotini.

Com a depreciação de commodities agrícolas, como a soja, em meio a um forte crescimento da produção, o agricultor não tem apenas vendido a safra atual em ritmo menor que a passada. O comprometimento antecipado da produção do próximo ano-safra também está mais lento. Mais recentemente, a alta do dólar estimulou a ida ao mercado, mas consultores avaliam que não foi sufucente para provocar alteração significativa.

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Para se ter uma ideia, em Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil, por exemplo, o Instituto de Economia Agropecuária (Imea) estima que foram vendidos 78,2% da produção colhida na safra 2016/2017, de 31,22 milhões de toneladas. No ano passado, a venda da colheita de 2015/2016 estava em 90,99%.

O mesmo acontece com a antecipação da próxima safra. O volume comprometido de soja de 2017/2018 até este mês é estimado em 4,3% dos 30,58 milhões de toneladas projetados. No ano passado, antes do plantio da temporada 2016/2017, 20,97% estavam vendidos.

O atraso na comercialização dos grãos reflete na demanda por insumos. A Andav estima que, desde o início do ano, cerca de 60% do estimado para a próxima safra foram realizados. No mesmo período em 2016, ano avaliado como “próximo do normal” pela direção da entidade, a proporção demandada estava em 80%.

Revendedores de diferentes regiões chamam a atenção para um detalhe: se os preços dos grãos estão depreciados, o custo dos pacotes tecnológicos também dá sinais de acomodação, o que poderia viabilizar negócio. Em Vilhena (RO), o gerente comercial da Central Agrícola, Robson Rizzon, garante que a relação de troca este ano está mais favorável.

Na preparação da safra 2016/2017, o custo do pacote na região variava de 29 a 30 sacas de soja por hectare. Agora, o conjunto fertilizantes, defensivos e sementes varia entre 27 e 28 sacas. “A semente subiu um pouco, mas o fertilizante está um pouco melhor e o preço do defensivo se manteve”, diz ele.

Mesmo assim, o agricultor tem demonstrado cautela e o nível dos negócios está abaixo da média para o atual período, pontua Robson. A trava dos custos não chega a 40% da próxima safra de soja na região de Vilhena. No ano passado, ressalta, a proporção estava em 60%.

“O produtor está com a expectativa de que o preço da soja suba. Mas a gente já sabe que não dá para manter negócios em aberto e ficar esperando muito mais do que o mercado sinaliza”, acredita o revendedor de insumos.

Quem antecipou as trocas conseguiu bons negócios, afirma Walter Bussadori, sócio da Agro100, sediada em Londrina (PR). A queda do preço da soja, acrescenta, foi acompanhada pela baixa do fertilizante.

“Com dólar na faixa dos R$ 3,10, R$ 3,15, as multinacionais ajustaram os preços dos seus produtos e tabelaram para baixo. Dentro da minha estratégia, consegui colocar para o meu cliente pacotes 10% a 12% mais baratos”, garante.

Boa parte dos negócios da revenda paranaense vem sendo realizada na modalidade de troca conhecida como barter. Em janeiro, 30% do planejado pela revendedora para a safra de verão 2017/2018 estava realizado.

A partir de março, houve uma retração em função dos preços mais baixos dos grãos, pondera Bussadori. Ainda assim, de janeiro a maio deste ano, o faturamento já era 18% maior que o do mesmo intervalo no ano passado. A expectativa é fechar o ano com crescimento, chegando a faturar R$ 1,2 bilhão.

Apesar das preocupações, a visão da Andav, de um modo geral, é otimisma para os negócios com insumos para a safra 2017/2018. O presidente-executivo da entidade acredita em pelo menos manter o nível médio de crescimento registrado desde a safra 2013/2014, em torno de 10%.

“Tenho certeza de que faremos uma nova safra recorde com a incorporação de novas áreas a partir de pastagens degradadas. O agricultor vai plantar mais e melhor”, diz Henrique Mazotini.

POR: RAPHAEL SALOMÃO.


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