Duas novas tecnologias transgênicas para o algodão foram aprovadas no fim da semana passada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Uma delas foi desenvolvida pela Bayer e é resistente a insetos e tolerante aos herbicidas glifosato e glufosinato de amônio. A Monsanto também conseguiu aprovação da sua variedade de algodão que é tolerante aos herbicidas dicamba e glufosinato de amônio. A Dow AgroSciences ainda aguarda na fila para aprovar seus materiais genéticos resistentes a lagartas e tolerante ao glufosinato de amônio.
Após a aprovação, o produtor ainda deve esperar em torno de três anos até que as tecnologias cheguem ao mercado. O consultor técnico da Abrapa, Edivandro Seron, explica que as tecnologias ainda precisam aguardar a manifestação do Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS para depois serem submetidas pelas empresas obtentoras ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
O ministério verifica as características das cultivares e os seus benefícios agronômicos, a partir da legislação aplicada para o Registro Nacional de Cultivares-RNC. A CTNBio é responsável por atestar a biossegurança das tecnologias em relação ao meio ambiente, ao homem, aos animais e demais espécies vegetais. “Mas até chegarem à CTNBio, cada tecnologia já passou em média por dez anos de pesquisas e testes, com investimentos médios em torno de US$150 milhões”, diz o consultor.
Além disso, na etapa de campo para desenvolver as variedades que possuem novas tecnologias, os obtentores aguardam mais dois anos, até completarem o dossiê, que é submetido à CTNBio, menciona Seron. Segundo o presidente da Abrapa, Arlindo de Azevedo Moura, a entrada de novos materiais genéticos quebra o ciclo de resistência de pragas e plantas daninhas da lavoura, causado pelos longos períodos de exposição aos produtos disponíveis no mercado. A última aprovação para o algodão na CTNBio foi em 2016, após ter tido uma lacuna de quatro anos.
Moura ainda ressaltou que é importante se atentar para a segurança de novas tecnologias genéticas e de químicos, entretanto esse processo é uma demanda atual do agronegócio brasileiro. “A legislação preconiza que, ao chegar à CTNBio, haja um prazo de 90 dias para a emissão de um parecer mas, na prática, o tempo médio tem sido de 18 a 24 meses”, afirma.
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