Sojicultores investem na produtividade da lavoura

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Seguindo orientação técnica, sojicultores investem na produtividade e impulsionam suas médias.

Rally Cocamar Bayer e Spraytec de Produtividade rodou pela região da cooperativa nos últimos dias para mostrar as práticas adotadas pelos produtores que vêm fazendo a diferença nos resultados.

A família Palaro começou a cultivar soja em Cianorte no ano de 1966. “Fomos os primeiros”, diz o produtor Ivo, que cultiva 62 alqueires com o irmão José no município e região. Naquela época, a cultura ainda era uma novidade no norte do Paraná, semeada nas entrelinhas do café e conduzida de uma maneira impensável para os dias de hoje: “a colheita era manual e depois de as vagens secarem ao sol, a gente ainda precisava bater com um ferro para retirar os grãos”, recorda-se Ivo. Ele conta que um japonês aparecia para comprar tudo e mandar para o Japão.

As lembranças desse passado são recordadas pelos Palaro em meio a risos. De lá para cá, as técnicas evoluíram e, com a mecanização da lavoura, tudo foi ficando mais fácil. A família comprou a primeira colheitadeira em 1973.

Dos tempos do café, só restou a velha tulha na propriedade, mas atualmente, os Palaro andam mais sorridentes do que nunca e por uma razão em especial: a grande safra de soja que estão acabando de colher. Na tarde de segunda-feira, dia 20, o Rally Cocamar Bayer e Spraytec de Produtividade passou por lá.

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HISTÓRICO – “Nunca colhemos tanto”, afirma José, de 59 anos, ao lado do irmão Ivo, de 67. Ao longo dos anos, ambos se profissionalizaram no cultivo da oleaginosa, que cede espaço para o milho no inverno. Cooperativistas, eles são considerados uma referência regional e aprenderam a potencializar a produtividade seguindo à risca a orientação técnica prestada pela Cocamar. E, nesta safra 2016/17, ainda contaram com uma providencial mãozinha de São Pedro, que mandou chuvas com certa regularidade, mesmo durante a estiagem que castigou a região na fase inicial de desenvolvimento da lavoura. A expectativa dos Palaro é fechar os trabalhos com média acima de 160 sacas por alqueire. “Nossa melhor soja é a que foi semeada no dia 15 de setembro”, comenta Ivo, para admiração da vizinhança, que não conseguiu o mesmo desempenho com a lavoura mais precoce. A apenas quatro quilômetros dali, por exemplo, por causa da seca, teve gente que colheu apenas 60 sacas por alqueire.

INVESTIMENTO – Correção do solo com calcário e aplicação de gesso, adubação diferenciada e complemento nutricional para as plantas: os Palaro investiram conforme o recomendado, cuidando para que os resultados fossem os melhores possíveis. Ivo conta que, em vez de 400 quilos de adubo por alqueire, conforme havia sido orientado pelo agrônomo da cooperativa, a quantidade foi maior, 600, causada por uma desregulagem da máquina. “Sem problema, a gente viu o quanto valeu a pena”, completa.

Médias altas e outras nem tanto

Nesta safra, não faltam histórias de gente bem-sucedida. Perto de Cianorte, em Jussara, na Estrada Cristalina, a colheita também será recorde nos 78 alqueires da família Zanzim. Na segunda-feira, quase no final da colheita, a média do produtor Márcio Zanzim, de 40 anos, era de 173,5 sacas por alqueire. Só para comparar, a média geral dos produtores da unidade local, da Cocamar, deve ficar em 130.

“Ficamos numa zona de transição entre a seca e as chuvas”, pontua Márcio. Outros não tiveram a mesma sorte: ali mesmo, no município, houve casos de lavouras muito danificadas pela seca que, em alguns locais, persistiu por cerca de 45 dias. Nesse caso, a média não passou de 70 sacas por alqueire.

SOLO ESTRUTURADO – Problemas climáticos à parte, Márcio conta que, há oito anos, vem trabalhando na estruturação do solo, utilizando adubação química de base e também bastante adubo orgânico, obtido junto a três aviários próprios. Para esta safra, foram aplicados nada menos que 14 toneladas de cama de frango por alqueire. “O solo bem estruturado ajudou a aguentar melhor às variações do clima”, cita o engenheiro agrônomo Jorge Luiz Vecchi, da unidade da Cocamar em Jussara. Outro cuidado do produtor foi com a prevenção de fungos e doenças de final de ciclo.

Bom resultado na palhada

A média de 170 sacas por alqueire, nesta safra, é também o recorde pessoal de Marcel Franklin Rafael, de Terra Boa. Sua melhor colheita havia sido há três anos: 150 sacas por alqueire. Marcel conta que há oito anos começou a cultivar capim braquiária no inverno para proteger o solo no verão. “Eu faço isso em sistema de rotação”, diz o produtor, que investe para obter a melhor produtividade possível. A braquiária protege a superfície do sol intenso, da chuva forte, inibe o aparecimento de ervas daninhas e o seu enraizamento traz muitos benefícios ao solo. Na segunda-feira, em que a temperatura a campo era de 36ºC, o solo a descoberto fervia com a insolação e o calor forte; já, sob a palha, se mantinha relativamente fresco. “Isso é o que faz a diferença no período primavera-verão, geralmente marcado por altas temperaturas, influenciando na produtividade das lavouras”, comenta Ademir Caetano, o Mirim, técnico agrícola da unidade local da cooperativa.

O produtor Marcel não dependeu só da braquiária. Ele faz correção do solo periodicamente, já mapeou toda a área e, nesta safra, em especial, decidiu investir um pouco mais para tentar aumentar a produtividade. Com orientação especializada, aplicou enxofre a lanço, boro e fez inoculação via solo. A propriedade dele, com 40 alqueires de soja, sedia uma das unidades do Programa de Aumento de Produtividade Sustentável de Soja (Paps), da Cocamar. Ali, com o acompanhamento de consultores contratados pela cooperativa, são aplicadas tecnologias de ponta para que sirvam de referência aos produtores da região.

A trajetória de Moacir Fala, de São Jorge do Ivaí, é parecida com a de Marcel. Ele começou a cultivar braquiária em consórcio com o milho de inverno, há nove anos, e sua propriedade conta, igualmente, com uma unidade do Paps. No domingo (19), praticamente concluindo a colheita, Moacir registrava uma produtividade de 165 a 170 sacas de soja em 20 alqueires. “O produtor tem que estar antenado, saber das novidades, aplicar os conhecimentos que vão surgindo”, afirma Moacir. Segundo ele, seu desempenho pode ser creditado, em grande parte, aos benefícios proporcionados ao solo pela braquiária.

Recuperando o solo

Na terra roxa, independentemente dos fatores climáticos, é perceptível também o que os produtores podem fazer para ampliar a produtividade. Em Floresta, região de Maringá, o agricultor Antonio Pedrini decidiu enfrentar o problema da compactação do solo em uma de suas áreas, fazendo, nesta safra 2016/17, um investimento no perfil do solo. Para isso, buscou a orientação técnica e foi acompanhado pelo engenheiro agrônomo Robson Arrias, da unidade local da cooperativa. “A diferença foi grande”, resume Pedrini, que concluiu a colheita no domingo (19). Nessas áreas, o produtor chegou a colher acima de 180 sacas por alqueire, enquanto que, nas demais, a média foi de 145. “Valeu a pena”, ressalta Pedrini, citando que mesmo com a estiagem no começo do ciclo, sua colheita foi a maior de todos os tempos: “Em 30 anos como produtor, nunca colhi tanto.”

A recomendação dele é que os produtores acreditem nas tecnologias “e não tenham dúvidas de que é possível produzir cada vez mais”.

La Niña trouxe má distribuição de chuvas

De acordo com o engenheiro agrônomo Emerson Nunes, coordenador técnico de culturas anuais da Cocamar, que acompanhou a equipe do Rally a Cianorte, Jussara e Terra Boa, a safra foi marcada por variação de produtividade, decorrente dos efeitos de um fenômeno climático La Niña de moderada intensidade. “Tivemos um cenário de má-distribuição de chuvas sobretudo no início do ciclo”, comenta Nunes. De novembro em diante, as precipitações normalizaram.

Em praticamente todos os municípios onde a cooperativa atua, nas regiões noroeste e norte do Paraná, sudoeste do Mato Grosso do Sul e oeste de São Paulo, é grande o número de produtores que registram altas produtividades, com a colheita avançando em ritmo intenso no noroeste paranaense, onde caminha para a reta final, enquanto os trabalhos na região norte devem intensificar-se na segunda quinzena deste mês.

 

A Cocamar reflete esse bom momento e, em suas estruturas operacionais, vem recebendo, por volta de 50 mil toneladas do grão todos os dias, a maior quantidade de todos os tempos.

No arenito, a melhor safra

Depois das preocupações com a estiagem no início, que causou danos de maior ou menor intensidade às lavouras semeadas mais cedo, não faltou água. Com isso, a expectativa para a maioria dos produtores é de uma colheita acima da média dos últimos anos.

O clima não foi perfeito, mas vai possibilitar que as novas fronteiras para a soja, como a região do arenito caiuá, no noroeste paranaense, concorram no mesmo nível de patamar, em se tratando de produtividade, com as regiões de terra roxa.

NÚMEROS – No areião de Perobal, município vizinho a Umuarama, o produtor Gérson Bortoli diz estar contente com o que vem conseguindo neste início de colheita. Este foi o melhor ano desde que começou a lidar com soja, em 2004. Bórtoli fechou a safra com média superior a 160 sacas.

Números assim podem ser encontrados também em Iporã, a 50 quilômetros dali, onde Albertino Afonso Branco, o “Tininho”, chegou a 162 sacas por alqueire, um recorde pessoal.

Tanto Bortoli quanto “Tininho” são “referenciais” em suas regiões, conforme avaliam os engenheiros agrônomos da Cocamar que lhes prestam orientação técnica. O primeiro é assistido por Erick Marinelli, da unidade de Umuarama. O segundo, por Fernando Ceccato, de Iporã. Nas duas cidades, a cooperativa possui estruturas de atendimento para armazenar grãos.

A cooperativa não apenas recebe a safra, como está focada no objetivo de que os agricultores explorem ao máximo o potencial produtivo da lavoura. Para isso, comercializa os insumos necessários “e faz a transferência de tecnologias”, explica Marinelli. “A Cocamar repassa informações e novos conhecimentos para que eles tenham a maior rentabilidade possível”.

IMPULSO – Foi dessa maneira que, há mais de uma década, os dois produtores ficaram conhecendo o sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF), incentivado há quase 20 anos pela cooperativa.

“Eu consegui impulsionar minha atividade graças à integração”, afirma Bortoli, lembrando que atuava somente como pecuarista e jamais havia pensado em mexer com soja. Hoje, não se vê mais sem as duas coisas: “uma complementa a outra”. Para “Tininho”, a soja deixou de ser apenas uma ferramenta que era utilizada para reforma do pasto. “Hoje, ela cumpre essa função e dá lucro”. Nos oito anos em que faz integração, garante nunca ter se decepcionado com a oleaginosa.

Os dois e os outros tantos produtores que cultivam perto de 10 mil alqueires com sistemas integrados na região da Cocamar, devem seu sucesso ao rigor com que seguem as orientações dos técnicos. “Não adianta fazer pela metade”, alerta Marinelli; “na integração, os detalhes podem fazer toda a diferença”, adverte Ceccato.

Sem braquiária, não tem conversa

Gérson Bortoli e “Tininho”, estão entre os que costumam cumprir à risca o que manda o figurino, em busca dos melhores resultados. Como a indispensável proteção do solo com palhada de capim braquiária, sem a qual não daria nem para começar a conversa.

A braquiária é sobressemeada na reta final da soja ou cultivada logo após terminada a colheita.

“Neste ano, em especial, todo mundo que protegeu o solo com braquiária, se deu bem”, afirma o agrônomo Fernando Ceccato, da Cocamar/Iporã.

A soja faz a reforma dos pastos degradados no período do verão. Até que a oleaginosa volte a ser cultivada, no ciclo seguinte, o solo será mantido com braquiária solteira ou em consórcio com a cultura do milho. Em ambos os casos, esse capim servirá de comida para o gado. Segundo “Tininho”, a fartura de massa verde é tamanha que os animais chegam a engordar pelo menos 900 gramas por cabeça ao dia durante quase três meses seguidos. “É igual a um confinamento”, pontua, lembrando que nesse período, por ser o auge do inverno, o gado geralmente sofre com a falta de alimento nas propriedades que persistem no superado modelo tradicional. Assim que o gado sai, o pasto é dessecado quimicamente.

Atraso ainda é grande

A quantidade de pastos degradados no noroeste paranaense é de perder de vista, com média pouco superior a duas unidades animais por alqueire e um retorno econômico insignificante, segundo dados oficiais. “Tem pecuarista que está tendo prejuízo e nem sabe fazer a conta”, assinala o agrônomo Erick Marinelli. Sinal de que o potencial para o desenvolvimento de sistemas mais produtivos, como a integração, tem pela frente um campo fértil para continuar avançando nessa região.

Se o atraso na pecuária é visível, o mesmo se pode perceber entre os que se arriscam a cultivar soja sem o mínimo de cuidados técnicos. No caminho para a propriedade de Bortoli é possível avistar que alguns produtores cultivaram soja sem cobertura do solo. Observa-se que as plantas não tiveram o mesmo desenvolvimento. Cresceram menos e o número de vagens por planta é reduzido. Pior do que isso, ainda, é a erosão que, a exemplo da degradação causada pela velha pecuária extensiva, vai levando embora o maior patrimônio do agricultor: o próprio solo.

“Tem muito pecuarista que possui fazenda mas está ficando pobre, porque a rentabilidade dele vai minguando ano após ano”, assinala o presidente do Conselho de Administração da Cocamar, Luiz Lourenço, considerado um dos principais incentivadores da ILPF no país. De acordo com Lourenço, há um esgotamento gradativo das pastagens, porque a atividade, em muitos lugares, continua sendo extrativista. “Ao longo de décadas, não há reposição de nutrientes básicos”.

A grosso modo, comenta, um produtor assim consegue tirar no máximo quatro arrobas de carne por alqueire ao ano, considerando apenas os custos diretos. Com a arroba cotada a R$ 150, isto daria R$ 600, “o que é muito pouco”. Sem falar que o gado, nessas condições, geralmente demora quatro anos para ser terminado, porque ganha peso com a recuperação natural dos pastos no verão, mas emagrece no inverno. É o conhecido “boi sanfona”.

Em projetos bem conduzidos de ILPF, compara Lourenço, a produtividade pode chegar a 30 arrobas de carne por alqueire ao ano, uma quantidade dez vezes maior. E, graças à oferta de alimento e ao manejo adequado, os animais ainda vão mais cedo para o abate, o que potencializa a pecuária e garante ao consumidor um produto de melhor qualidade.

Fonte: Jornal Cocamar.


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