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Brasil investe no melhoramento genético do feijão fava

Brasil deve iniciar em 2017 programa de melhoramento genético do feijão fava

 

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Universidade Federal do Piauí encabeçará a ação, que vai contar com a cooperação técnica da Embrapa e de outras instituições de pesquisa e ensino do Brasil, México e Colômbia.

Brasília, 30 de dezembro de 2016 – O feijão fava (Phaseolus lunatus L.) é uma espécie alimentar de grande importância no Brasil, sobretudo na região nordeste. Entretanto, apesar dos inúmeros benefícios que apresenta para a nutrição, saúde e segurança alimentar, ainda é uma cultura que tem recebido pouca atenção da pesquisa a nível nacional, sobretudo no aspecto do melhoramento genético. A Universidade Federal do Piauí (UFPI) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) trabalham há mais de 10 anos para ampliar o conhecimento genético acerca dessa cultura agrícola, investindo em ações de coleta de variedades tradicionais em diversas regiões brasileiras, caracterização molecular e conservação em seus bancos genéticos. O conhecimento gerado aponta para a necessidade de iniciar no País um programa nacional de melhoramento genético do feijão fava, em colaboração com outras instituições nacionais de pesquisa e ensino e de países da América Latina que já possuem vasta experiência nessa área, como México e Colômbia.

            A criação desse programa é uma das conclusões da 1ª Reunião internacional de pesquisa sobre feijão-fava, realizada em Teresina, PI, no período de 07 a 09 de dezembro de 2016. O evento reuniu especialistas nacionais e internacionais e discutiu estratégias para o melhoramento genético da cultura no Brasil, México e Colômbia.

            A fava é muito famosa em todo nordeste brasileiro. É também uma importante fonte proteica para diversas comunidades indígenas brasileiras. Com um grão pouco maior que o do feijão, é ótima companheira do arroz, não só no sabor, como também no teor nutricional, já que é uma leguminosa rica em diversos nutrientes, como proteínas, fibras alimentares, vitaminas e minerais, além de possuir baixo teor de gordura e ser livre de gordura saturada. Por todos esses benefícios para a nutrição e saúde humana, é fundamental que essa cultura seja mais difundida no País.

            Segundo a pesquisadora e chefa adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia – unidade da Embrapa localizada em Brasília, DF – Marília Burle, que participou da reunião internacional, o evento foi muito produtivo, especialmente porque possibilitou reunir experiências do Brasil, México e Colômbia com essa cultura, abrangendo todos os aspectos importantes no que se refere à pesquisa agropecuária. “O foco principal da reunião foi “o que sabemos e não sabemos sobre Phaseolus lunatus“. Isso significa que tentamos esgotar todas as questões relacionadas à essa cultura, com base no estado atual do conhecimento e nas principais lacunas que precisam ser esclarecidas, incluindo: conservação, domesticação, reprodução e pragas e doenças relacionadas ao seu cultivo”, explica.

            Durante o evento, os especialistas presentes apresentaram a situação da pesquisa com o feijão fava em seus respectivos países. Marília falou sobre a conservação dessa espécie no Brasil; Jaime Castillo, do Centro de Investigação Científica de Yucatán (CICY), em Mérida, expôs a pesquisa no México; e Maria Isabel Sanchez, da Universidade Autônoma de Bogotá, relatou o que está sendo feito na Colômbia.

            A palestra de abertura da reunião internacional foi do pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental Francisco Freire sobre o exemplo de sucesso do feijãocaupi no Brasil. Freire foi o principal responsável pelo sucesso do programa de melhoramento genético dessa espécie de feijão no País, o que lhe rendeu inclusive o prêmio Frederico de Menezes Veiga em 2009. Esse prêmio é outorgado pela Embrapa todos os anos a cientistas que se destacam na pesquisa agropecuária na Empresa e em instituições parceiras. Foram apresentadas também palestras de professores da UFPI sobre: perspectivas do melhoramento do feijão-fava no Brasil (Ângela Celis de Almeida Lopes e Regina Lucia Ferreira Gomes); avanços na fixação biológica de nitrogênio em feijão-fava (Ademir Sergio Ferreira de Araújo) e doenças do feijão-fava no Brasil (José Evandro Aguiar Júnior).

 Cooperação técnico científica em prol do melhoramento genético da fava

             De acordo com a chefe de P&D, um dos resultados da reunião será a formação de um grupo de trabalho em rede, incluindo Brasil, México e Colômbia, sobre estudos e colaboração em Phaseolus lunatus. Esse grupo ficará responsável por buscar mecanismos de intercâmbio de recursos genéticos; capacitar estudantes e pesquisadores; padronizar métodos e protocolos de análise genética e por criar o programa de melhoramento genético de feijão fava no Brasil e na América Latina, para o qual deverá prospectar financiamento local e internacional.

            As ações no Brasil serão lideradas pelos professores e alunos da UFPI, que segundo Marília, constituem hoje a equipe mais atuante na pesquisa com feijão fava no País, em parceria com a Embrapa e outras instituições. “Após mais de 10 anos de pesquisa com recursos genéticos dessa espécie, é chegada a hora de se estruturar um programa nacional de melhoramento de fava. Acredito que a Embrapa tem muito a contribuir nesse futuro programa, sob a liderança ativa da UFPI”, constata a pesquisadora.

Coleta de variedades de fava em parceria com o México     

            O evento derivou também na definição de ações de coleta de variedades tradicionais de fava no Maranhão, norte de Minas Gerais, Mato Grosso e em outros estados brasileiros, em conjunto com a UFPI, Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e com pesquisadores mexicanos.

            A próxima reunião será realizada no Centro de Investigação Científica de Yucatán (CICY), em Mérida, México.

Fernanda Diniz

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