Categories: Agricultura

Controle Certo

O feijoeiro comum (Phaseolus vulgaris L.) é afetado por muitos fitopatógenos incluindo fungos, bactérias, vírus e nematóides. A incidência e os prejuízos causados pelas doenças variam significativamente entre as estações do ano e entre um ano e outro, dependendo da cultivar e das práticas utilizadas pelos produtores.

Entre as enfermidades que mais freqüentemente reduzem os rendimentos, tanto no feijão da “seca” como no do outono-inverno, encontra-se a mancha angular, cujo agente causal é o fungo Phaeoisariopsis griseola (Sacc.) Ferr. As perdas no rendimento são maiores quanto mais precoce for o aparecimento da doença na cultura. No Brasil, estas perdas variam de 7 a 70% dependendo da suscetibilidade das cultivares, das condições ambientais e da patogenicidade dos isolados.

Publicidade

Dentre as principais práticas culturais para o controle da doença, podem ser citadas o preparo do solo, a data de semeadura, a utilização de sementes de boa qualidade sanitária e a rotação de culturas.

O emprego de cultivares resistentes é, para o produtor, a forma mais prática e econômica de controle. Entretanto, a variabilidade patogênica apresentada pelo fungo, dificulta a obtenção das mesmas pelos programas de melhoramento. Conseqüentemente, na maioria das vezes, a única alternativa do produtor é utilizar cultivares moderadamente resistentes ou mesmo suscetíveis, tornando imperativo o emprego de produtos químicos para o controle.

CONTROLE QUÍMICO

O controle químico da mancha angular pode ser realizado através do tratamento da semente e pela aplicação de fungicidas na parte aérea das plantas. O controle via tratamento de sementes é pouco efetivo devido à baixa transmissibilidade do patógeno pelas mesmas. O agente causal desta doença é transmitido de lavoura a lavoura, basicamente pelas correntes de ar que levam seus esporos de um local para outro. É importante lembrar que, no controle químico, as pulverizações devem ser iniciadas antes da manifestação dos primeiros sintomas ou imediatamente após a constatação dos mesmos. 

Os fungicidas testados pela Embrapa Arroz e Feijão e suas eficiências relativas, quando aplicados pelo método convencional. A eficiência de cada fungicida foi calculada em relação à testemunha e classificada como: Excelente (E), quando o tratamento apresentou eficiência de controle superior a 90%; Muito Bom (MB), quando o tratamento apresentou eficiência de controle entre 80 e 90%; Bom (B), quando o tratamento apresentou eficiência de controle entre 70 e 80% e, Regular (R) quando o tratamento apresentou eficiência de controle menor a 70%.

Os resultados obtidos permitem concluir que a maioria dos fungicidas testados foi eficiente no controle da mancha angular. O tratamento mais eficiente resultou em uma redução média, na severidade da doença, superior a oito vezes. 

O Tilt e o Effect apresentaram sintomas evidentes de fitotoxicidade, com uma coloração verde-acinzentada e deformações no broto apical das plantas; entretanto, estes sintomas não refletiram no rendimento em grãos dos referidos tratamentos. O Amistar 500 WG, a mistura do Amistar 500 WG com o Effect, o Folicur 200 CE, o Effect e o Brestanid SC, nas doses utilizadas, foram altamente eficientes no controle da mancha angular do feijoeiro comum. 

Com o incremento do cultivo do feijoeiro no outono-inverno, irrigado por pivô central, os agricultores passaram a utilizar a água de irrigação como veículo de produtos químicos. Esta técnica, quando utiliza fungicidas é denominada de fungigação. Após alguns anos de pesquisa nesta área, já é possível recomendar a fungigação no controle da mancha angular. Os fungicidas testados pela Embrapa Arroz e Feijão e suas eficiências relativas, quando aplicados via fungigação.

Os resultados obtidos permitem concluir que o Brestanid SC e o Amistar + Effect foram altamente eficientes no controle da doença. O Folicur, na formulação CE, proporcionou um excelente controle da mancha angular quando aplicado pelo método convencional. Quando aplicado via água de irrigação, por pivô central, sua eficiência de controle foi boa para a formulação PM porém, relativamente baixa para a formulação CE.

Ao se comparar os resultados obtidos quando os fungicidas foram aplicados via fungigação com aqueles aplicados via convencional, verificou-se uma maior redução na severidade da doença quando os produtos foram aplicados pelo método convencional. Entretanto, a aplicação de fungicidas via água de irrigação, além de apresentar redução dos custos de aplicação, torna-se uma excelente opção após o fechamento da cultura quando é praticamente impossível a utilização de máquinas sem afetar negativamente o feijoeiro.

A. Sartorato e C. A. Rava,
Embrapa Arroz e Feijão

* Este artigo foi publicado na edição número 24 da revista Cultivar Grandes Culturas, de janeiro de 2001.

gustavo henrique leite mota piesanti

Published by
gustavo henrique leite mota piesanti

Recent Posts

Preço da Novilha Gorda: O que explica a subida repentina?

Confira a cotação atualizada do preço da novilha gorda em todo o Brasil. Veja onde…

3 horas ago

Preço da Vaca Gorda sobe e anima pecuaristas: Veja valores

Confira o preço da vaca gorda hoje nas principais praças do Brasil. Tabela detalhada com…

3 horas ago

Preço da soja saca de 60 kg: Veja os valores em 30 cidades

O preço da soja saca de 60 kg apresenta variações importantes entre portos e interior.…

4 horas ago

Preço do milho: Veja os valores atualizados em 8 estados

Confira o preço do milho hoje nas principais praças do Brasil. Acompanhe a cotação da…

4 horas ago

Preço do Boi Gordo dispara em SP e atinge R$ 347,00

O Preço do Boi Gordo registra forte alta, chegando a R$ 347,00 em praças paulistas.…

5 horas ago

Preço do Boi China dispara e atinge R$ 350 em praças-chave

Confira a tabela atualizada do preço do boi China em SP, MG, MT e mais.…

5 horas ago

This website uses cookies.