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Distribuidora aposta em produtos da Amazônia na gastro

POR RAPHAEL SALOMÃO, DE SÃO PAULO (SP)

Margeada pelo Rio Guamá, a Ilha do Combu é um frequentado ponto turístico em Belém (PA). É desse lugar que a empresária Marina Cabral tem algumas de suas melhores memórias. “Crescemos na Ilha do Combu. É um lugar que amo e toda vez que vou a Belém, passo lá.”

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Morando em São Paulo há 12 anos, ela foi buscar na infância o nome para o que hoje é o negócio de sua vida. Às lembranças da terra natal, uniu outra paixão cultivada desde cedo: a gastronomia. “Aprendi a gostar da cozinha com o meu pai, cozinheiro de mão cheia. Em São Paulo, fui vendo o interesse em ingredientes da Amazônia”, diz Marina.

Daí surgiu a ideia de criar uma distribuidora desses produtos na capital paulista. Marina conta que foram pelo menos três anos de estudos, especialmente sobre administração, e de planejamento, com idas ao Pará para buscar fornecedores, discussões sobre a viabilidade logística, zoneamento de São Paulo e contato com clientes.

Localizada no bairro do Ipiranga, a Combu foi montada há pouco mais de três meses e marca uma mudança na vida da publicitária. Em função do nascimento da filha, ela encontrou dificuldades para retornar à rotina nas agências de propaganda e deixou a publicidade para tocar o próprio negócio.

O local, um pequeno, mas bem estruturado salão, tem capacidade para armazenar entre 1,5 e 2 toneladas de produtos secos e refrigerados. Pimentas, tucupi, açaí, goma e farinha para tapioca, bebidas, sorvetes típicos e chocolatesestão entre os itens que, além de Belém, chegam de municípios como Santa Isabel do Pará, Santa Bárbara e Ananindeua.

Uma prima da empresária ajuda da administração e um sobrinho faz as entregas. Público prioritário, restaurantes, principalmente dos bairros de Pinheiros e Jardins, respondem por 65% do faturamento. “Nossa clientela de restaurantes ainda é pequena, mas é boa”, garante. A abordagem é feita com o que chama de “kit degustação”, uma cesta de produtos enviada como amostra. Pelo menos por um ano, o plano é consolidar os negócios em São Paulo, embora ela afirme já ter recebido pedidos de outras localidades.

Os outros 35% do faturamento vêm de pessoas físicas, um público a que a empresa acabou se adaptando, trazendo itens já prontos para o varejo. E, assim, a distribuidora vai se tornando também uma loja. “Meus custos são relativamente baixos, já consegui chegar ao meu ponto de equilíbrio. Como sou novidade, meu faturamento cresce agora, mas sei que vai chegar o momento de estabilidade. Tenho que me preparar”, afirma.

Marina quer ir além. O “sonho”, como ela mesma diz, é criar um empório baseado em produtos do Norte do país. Mas transformar isso em negócios depende de como se comportar a demanda. “Eu tenho empórios interessados nos nossos produtos. Se essa clientela crescer, deixo de lado a ideia porque não vou concorrer com meus clientes.”

Parceria com o produtor

Enquanto toca o negócio e sonha com seu empório, Marina Cabral conta que a meta agora é expandir a base de fornecedores. A empresária está procurando parceiros no Amazonas e no Acre. O principal desafio a ser vencido é o logístico, diz ela, já que todos os produtos chegam em São Paulo por rodovia. “Mas é muita riqueza, tem muita coisa bacana que pode ser trazida para cá.”

No Pará, as negociações são feitas diretamente com os produtores. Todos empresas familiares, segundo ela, com quem afirma trabalhar em uma parceria que envolve não apenas a parte comercial, mas também a troca de informações sobre os negócios e o mercado. Especialmente com seus fornecedores com maior capacidade de padronizar produtos de acordo com o pedido pelos restaurantes paulistanos. “Me ajudaram bastante. É difícil encontrar pessoas que, de fato, são parceiras.”

Uma experiência de relacionamento que, ela garante, vem utilizando com outros parceiros. Marina relata que, por diversas vezes, encontrou um fornecedor de um produto de qualidade, mas que não tinha meios, por exemplo, de padronizar e rotular suas embalagens. A saída, conta, foi ela mesma fornecer um primeiro lote de materiais e ajudar na orientação. “A gente acaba se envolvendo com a história das pessoas”, afirma.

Há itens que ela pretende vender, mas não consegue porque ainda está sendo feita essa formalização. Caso da maniva, folha da mandioca usada em pratos típicos, como a maniçoba. Um grupo de produtores está recebendo treinamento e constituindo uma empresa. A expectativa da proprietária da Combu é começar a receber o produto daqui a pelo menos dois meses.

“Evidentemente que cada um tem o seu interesse de negócio. Eu preciso do produto e eles querem ter acesso ao local onde estou. Se isso puder ser feito com uma relação sadia, boa para os dois lados, é melhor. Como fizeram comigo, eu procuro fazer. Minha margem cai em um primeiro momento, mas é sólida. Depois melhora”, acredita Marina.

Revista Globo Rural

gustavo henrique leite mota piesanti

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