Paraná vai reduzir em 11% área de trigo

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Com milho rentável, Paraná vai reduzir em 11% área de trigo na próxima safra.

Às vésperas do início do plantio da nova safra de trigo, que começa em abril, a área dedicada ao cereal no Paraná, o maior produtor brasileiro, com mais da metade da produção, deve cair 11% em relação ao ano passado, de 1,3 milhão de hectares para 1,19 milhões de ha. Os dados são do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná.

O clima, a dificuldade de acesso ao seguro agrícola, os elevados custos de produção, o baixo interesse dos moinhos pelo trigo nacional e, principalmente, a concorrência com o milho safrinha, cultivado na mesma época, são alguns dos motivos que explicam a possível queda na área de plantio.

Em Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná, os agricultores Vicente e João Mignosso pretendiam cultivar 145 hectares de trigo, mas o atual preço do milho, cotado a R$ 32 por saca (60 quilos), fez os dois mudarem de ideia. “Os custos de produção, o preço de balcão do trigo e o risco de geada influenciaram na escolha pelo milho. Ultimamente, plantar trigo é cobrir custos”, dizem os irmãos, que na safra passada tiveram prejuízos e colheram menos da metade do que plantaram.

Panorama do trigo no Paraná

A decisão dos produtores em diminuir a área do cereal é resultado da alta rentabilidade do milho e do baixo interesse da indústria pelo produto nacional.

O produtor Carlos Alberto Tomaz, também de Campo Mourão, fez a mesma opção e optou pelo milho nesta safra. Ele conta que está otimista com os preços do cereal e que, em 2015, o trigo não rendeu o quanto ele esperava. “O problema está na hora de vender. O trigo não tem preço. Com a saca de milho nestes patamares, e com expectativa de alta, não tem como não investir”, afirma.

De acordo com o agrônomo Carlos Hugo Godinho, do Deral, devido à produtividade superior do milho, os preços de trigo deveriam estar aproximadamente 1,8 vezes acima dos valores atuais para que a rentabilidade entre as duas culturas se equivalesse. A relação atual de 1,2 entre os preços torna o milho o favorito. “O preço do milho subiu bastante. E a produtividade da cultura também é maior. Em áreas sem muita aptidão climática para o trigo, será mais fácil trocar uma cultura por outra”, diz. Atualmente, o trigo sustenta uma cotação média de R$ 38 a saca de 60 quilos.

Produtividade

Apesar das expectativas em relação à redução de área na próxima safra de trigo, o analista da Consultoria Trigo & Farinhas, Luiz Carlos Pacheco, diz que ainda é cedo para conclusões precipitadas. Ele afirma que o clima, grande vilão da última safra, vai garantir aumento de produtividade neste ano. Os dados do Deral estimam uma colheita de 3,6 milhões de toneladas em 2016, 10% a mais que no ano passado. “Todos os institutos de meteorologia apontam para um clima ideal, chuva no plantio e tempo seco na maturação e colheita. O clima não só vai garantir aumento de produtividade, mas um trigo de boa qualidade”, diz.

Segundo Pacheco, por estar numa posição estratégica, o trigo paranaense vai abastecer os mercados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás e por um bom preço. “O trigo vai sofrer redução de área na Europa e nos Estados Unidos. No médio, longo prazo, os preços vão subir. Não vão explodir, mas será lucrativo para o produtor”, explica.

Fonte: Gazeta do Povo (AgroGP).


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