Expansão de área sustentou recorde de Mato Grosso

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Mesmo marcada por irregularidades climáticas, em que excesso e falta de chuvas pontuaram as lavouras do plantio à colheita, a safra brasileira de soja 2015/16 atingirá o recorde de 101,7 milhões de toneladas, conforme estimativa feita pela Agroconsult, organizadora do Rally da Safra, com crescimento de 5% sobre 2014/15. Em seu último levantamento (25/02/2016), a perspectiva era de 101,6 milhões de toneladas. A área plantada é de 33,2 milhões de hectares – 4% superior à safra passada.

No extremo climático, o da seca, Mato Grosso só garantiu por mais um ano consecutivo a produção recorde em razão do incremento espacial. Conforme a Agroconsult, a área plantada passou de 8,9 milhões de hectares na safra 2014/15 para 9,1 milhões na atual temporada, o que compensou a queda de produtividade de uma por hectare. Conforme a expedição, que esteve no Estado no mês passado, a média estadual será de 52 sacas/hectare contra 53 sacas no ciclo passado. O saldo é de 28,5 milhões de toneladas, produção recorde para o Estado, volume que supera as 28 milhões da safra passada.

O potencial da safra brasileira de soja poderia ser maior, caso o Mato Grosso e o Paraná, principais produtores, e o MAPITOBA (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia) não tivessem sido afetados pelos problemas climáticos. “Apesar das dificuldades provocadas pelo clima que afetaram principalmente o médio norte e o nordeste de Mato Grosso, a safra não foi tão ruim quanto se esperava porque parte do desempenho do Estado foi compensado pelo ótimo resultado na região oeste”, explica André Pessôa, coordenador geral do Rally da Safra. Com isso, “o Estado irá registrar uma produtividade média de 52 sacas por hectare, ou uma saca a menos em relação à safra passada”, reforça.

No Paraná, a safra foi prejudicada pela maior incidência de ferrugem e pelo excesso de chuvas na colheita.

Goiás e Minas Gerais, que sofreram quebra na safra 2014/15, conseguiram se recuperar, fechando, respectivamente, com 53,1 e 51,3 sacas por hectare. As lavouras também se desenvolveram bem no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e São Paulo e esses estados estão registrando aumento da produção em relação à safra passada.

O pior cenário ocorreu no MAPITOBA. Pessôa explica que, apesar do atraso significativo no plantio, especialmente Maranhão e Piauí, a safra vinha caminhando bem até janeiro, porém a falta de chuvas em fevereiro em toda a região durante o desenvolvimento das lavouras resultou em quebra de safra nos quatro estados.

Mesmo sem a ajuda do clima, a produtividade média brasileira ficou pouco acima do ano passado (1%) em razão do controle preventivo e da menor incidência de pragas e doenças na maioria dos Estados. Pessôa destaca também que os técnicos do Rally da Safra encontraram maior variação no nível tecnológico das lavouras. “Há quatro ou cinco anos, a soja era uma cultura homogênea no Brasil. Agora o quadro tecnológico mudou muito e encontramos produtores que podem chegar a 70/80 sacas por hectare, enquanto outros colhem 40 sacas”, afirma.

MILHO SAFRINHA – Apesar do atraso no início da safra de soja, que gerou temor entre os produtores em relação ao plantio da safrinha de milho deste ano, foi possível recuperar parte do tempo perdido. Diante do bom momento do mercado de milho, a intenção de plantio do milho deverá ser mantida, confirmando a expectativa inicial da Agroconsult de aumento de área de safrinha.

A produção do milho segunda safra é estimada em 58,8 milhões de toneladas, com aumento de 8% sobre a safra passada. A área plantada deverá registrar crescimento de 11%, chegando a 10,7 milhões de hectares. A avaliação de safrinha será feita pelas equipes do Rally em maio.

TRABALHO EM CAMPO – Nesta edição, oito equipes estiveram em campo para avaliar lavouras de soja e outras três irão verificar o milho segunda safra.

Fonte: Diário de Cuiabá. Autor: MARIANNA PERES.


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