Excesso de chuva compromete 40% da safra de arroz no PR

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Pelo menos 40% do arroz que deveriam estar sendo colhidos, no Paraná, perderam-se, por causa das chuvas que atingem o noroeste do Estado desde os últimos meses do ano passado e provocaram o alagamento das margens do Rio Ivaí, no entorno de Querência do Norte (a 200 quilômetros de Maringá). A região é responsável por cerca de 95% da produção paranaense do grão.

Os reflexos da frustração da safra serão a falta do cereal, no mercado, no decorrer deste ano e a tendência de alta nos preços do produto. O Paraná produz, apenas, 30% do arroz que consome, o resto é importado do Rio Grande do Sul e de países do Mercosul, principalmente, Uruguai e Argentina. Nessas áreas também o alto volume de chuvas, provocado pelo fenômeno El Niño, resultou em queda na produção. O impacto da baixa na produtividade deve ser sentido na mesa do brasileiro dentro de 30 ou 40 dias.

Querência do Norte é o principal produtor de arroz irrigado, plantando entre 6,5 mil e 7 mil hectares a cada safra. Em condições normais, a produtividade chega a cerca de 150 sacas, por hectare. Na safra passada, o município colheu 36 mil toneladas, o que faz do arroz a base da economia do município. A cultura é explorada tanto em grandes fazendas quanto nos assentamentos de ex-trabalhadores sem-terra.

De acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Arroz Irrigado do Paraná (Apai), Kleber Hudson Canassa, os problemas dos rizicultores começaram em setembro passado, quando deveria ocorrer o plantio, mas as chuvas em excesso atrapalharam. Segundo o Simepar, principal instituto meteorológico do Paraná, o volume de chuvas, em 2015, foi cerca de 60% superior ao registrado em 2014, provocando as cheias do Rio Ivaí. “Muitos não conseguiram semear na época certa e os que o fizeram logo tiveram as plantações debaixo d’água”, destaca. “Quando as chuvas diminuíram, em outubro, alguns voltaram a plantar, mas veio nova cheia e o que foi replantado também foi perdido”, ressalta.

Segundo um levantamento feito pela secretaria de Desenvolvimento Econômico, Agricultura e Pecuária da prefeitura, muitos produtores perderam tudo. Outros, vão colher bem menos. O agricultor Elias Fernandes, que planta arroz há décadas e diz que nunca viu uma situação como a atual, calcula a perda de 20 alqueires da área cultiva por ele e um prejuízo que deve se aproximar de R$ 400 mil.

Héder Canassa, irmão de Kleber, estima que deixou de colher 20 mil sacas. “Encheu tudo d’água e perdemos tudo, plantamos de novo e perdemos de novo”, lamenta.

No assentamento Che Guevara, onde vivem 25 famílias produtoras, e propriedades vizinhas cerca de 600 alqueires ficaram alagados e devem deixar de produzir cerca de 160 mil sacas nesta safra.

Nos últimos dias, as chuvas diminuíram na região de Querência do Norte – embora as cheias sejam provocadas pelas chuvas que caem nas cabeceiras do Rio Ivaí e na região central do Paraná -, mas mesmo produtores das regiões mais altas, onde as plantas não ficaram submersas, estão tendo dificuldades para colher por causa dos estragos provocados pelas chuvas nas estradas. Várias linhas estão intransitáveis devido às erosões e, pelo menos, 12 pontes foram levadas pela água. “Tem muito arroz no ponto de colheita, mas com as estradas danificadas nem as máquinas conseguem chegar nas propriedades para colher, nem os caminhões podem transportar o produto até a cidade”, explica o presidente da Apai.

Os produtores dizem que, além das perdas do arroz, que ficou encoberto pelas águas, a produtividade caiu por falta de luminosidade na lavoura. Como os últimos meses foram de céu nublado, as plantas não receberam sol necessário para a formação dos grãos e, assim, eles ficaram menores. Esse fenômeno está sendo verificado também nas outras culturas sazonais, como a soja e o milho.

Fonte: O Diário de Maringá. Autor: Luiz de Carvalho.


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