Mato Grosso perde a poleposition
Sem chuvas e com custos nas alturas, poucos produtores se arriscam e os paraenses lideram.
Pela primeira vez, os sojicultores mato-grossenses não saíram a frente na condução da nova safra brasileira de soja, o ciclo 2015/16. Com custos nas alturas e o medo de uma estiagem como a vivenciada no ano passado, fizeram com que eles segurarem a vontade de soltar as plantadeiras nos campos. Os paranaenses, beneficiados pelo inverno chuvoso, abriram o ano-safra da oleaginosa.
Até mesmo grandes grupos que têm um rigoroso calendário a ser cumprindo para fazer lavouras de soja, milho e algodão no mesmo ciclo, adiaram o quanto puderam o início dos trabalhos, que ao contrário dos últimos anos, não começaram junto após o fim do Vazio Sanitário, em 15 de setembro. Conforme o primeiro levantamento da consultoria AgRural, até a última sexta-feira, Mato Grosso exibia o menor volume plantando para o período, 0,3% de uma estimativa total de mais de 9 milhões de hectares. No mesmo momento do ano passado, 1,6% da área prevista e 1,3% da média dos últimos cinco anos.
Como explica a analista da AgRRural, Daniele Siqueira, sem previsão de bons volumes e com altas temperaturas e pouca umidade no solo, o plantio em Mato Grosso segue limitado, até o momento, às áreas irrigadas e àquelas onde se pretende plantar algodão safrinha após a colheita da soja. “Por isso, o plantio total ainda não chega a 1% da área de soja do Estado. Pressionados pelas margens apertadas e com más lembranças da safra passada, quando a falta de chuva em outubro interrompeu os trabalhos iniciados em setembro, os produtores têm evitado semear sem previsão de boas precipitações”
Em Lucas do Rio Verde (360 quilômetros ao médio-norte de Cuiabá), por exemplo, pancadas irregulares de até 10 milímetros (mm) foram registradas, mas, sem previsão de maiores volumes nos próximos dias, o plantio começou só em áreas de pivô. Em Sapezal (460 quilômetros ao noroeste da Capital), município que vem ano a ano se destacando pela precocidade das lavouras de soja, a movimentação das plantadeiras ainda não é vista por conta da falta de chuvas e de previsões positivas de precipitações que justifiquem plantio no pó.
A analista destaca que a 2015/16 de soja no país começou com tempo seco e muito quente no Centro-Oeste. “Em ano de custos mais altos e de preços mais baixos em dólar, poucos arriscam plantar nas áreas onde ainda não há previsão de boas chuvas. Por isso, quem puxa o ritmo da semeadura neste início de safra, 2% da área nacional de soja estão plantados, é o Paraná, que deve receber bons volumes de chuva a partir deste final de semana e que já contava com mais umidade no solo”.
Primeiro a plantar, o Paraná tem 10% de sua área semeada, contra 7% há um ano. De olho na previsão de chuvas para o final de semana, os produtores do oeste intensificaram o plantio no pó nos últimos dias.
A AgRural estima a área brasileira de soja em 32,8 milhões de hectares (+2,7%), com produção potencial de 99,4 milhões de toneladas (+3,4%).
Fonte: Diário de Cuiabá. Autor: Marianna Peres.

