Análise do amido fecal na melhora da nutrição bovina
Com a intensificação dos sistemas de produção, prática laboratorial é empregada em bovinos confinados. Estratégico e eficiente, o confinamento otimiza a propriedade e geralmente é conduzido no período da seca, devido à escassez de forragem de qualidade. Entretanto, somente cerca de 10% dos animais abatidos hoje no país são de confinamentos. Mercado, preços, animais para terminação e fontes de alimento são requisitos influenciadores, positiva e negativamente. O amido fecal é um indicador do aproveitamento do amido na dieta, no qual é possível ter maior controle sobre o que é destinado aos animais.
“O amido fecal dá uma estimativa bem próxima do que está acontecendo com o animal e isso é importante para a efici- ência alimentar. Ele é o coração do confinamento e o aproveitamento pode variar de 80 a 100%”, esclarece o professor da Universidade da Califórnia (EUA), Richard Zinn, em palestra em Campo Grande. A ferramenta é simples, de acordo com o nutricionista, sem muitos detalhes para ser colocada em prática foi inicialmente utilizada para avaliar a floculação do milho.
“O produtor recolhe dez amostras de fezes de um mesmo lote e mesma dieta e envia o material seco para um laboratório credenciado, que por sua vez, mede a porcentagem de amido e entrega, em 24 horas, o valor de digestibilidade do lote”, detalha Zinn. Técnica é conhecida fora do país e pela bovinocultura de leite Atualmente, Canadá, Estados Unidos e México adotam em grande escala a tecnologia. No Brasil, a pecuária leiteira já observa os impactos positivos desse controle.
Dados experimentais indicam que “para cada unidade percentual de variação na digestibilidade do amido tem- -se 300 ml de variação na produção de leite. Portanto, se o índice passar de 80% para 95% deve-se esperar um aumento de 4,5 kg de leite ou melhora na condição corporal dos animais”, revela Marcelo Hentz Ramos, médico-veterinário, que acompanha o professor Richard Zinn durante o Ciclo de Palestras do 3rlab.
O especialista em nutrição de ruminantes comenta que na pecuária de corte o uso desse instrumento ainda é incipiente, mas com perspectivas favorá- veis. “É um efeito muito grande no desempenho que pode fazer com que o boi coma menos e produza a mesma quantidade de carcaça. É um produto integrado ao animal, passa pelo manejo, pelo trato, pela rotina e tudo isso é acompanhado”.
“Era uma análise restrita e de custo elevado. Hoje, há uma facilidade laboratorial, rápida e que permite ao nutricionista da propriedade ajustar a dieta do confinamento, melhorando assim o aproveitamento dos grãos processados”, avalia o consultor Rodrigo Splenger.
Para ele, o produtor rural tem apostado no confinamento, com crescimento gradativo, e em tecnologias de ponta, reflexos da forte demanda por exportação da carne bovina nacional nos últimos anos. Conforme a Assocon (Associação Nacional dos Confinadores), em 2015, os confinamentos brasileiros engordarão 4,47 milhões de animais, 7,6% superior a 2014.
Fonte: Jornal O Estado MS.

