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Soja faz Sorriso dobrar de tamanho a cada dez anos

Capital Nacional da oleaginosa busca crescimento industrial e registra problemas de cidade grande, como a diferença de classes.

Há trinta e cinco anos, quando Argino Bedin chegou ao Médio Norte de Mato Grosso, o que encontrou foi uma vila de umas cem famílias. Ele saiu de Renascença, Sudoeste do Paraná, na época uma senhora cidade já com três décadas de história.

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Não faltou quem dissesse que Bedin estava louco. O que alguém podia esperar de Mato Grosso, uma região de madeira e cerrado, onde a melhor opção era plantar arroz.

Ele próprio foi testado. O arroz não se firmava e as terras, cada vez mais fracas, ameaçavam resumir um sonho em aventura, relata. O primeiro lampejo do futuro só veio depois de três safras, em 1982,quando chegaram à região duas variedades de soja.

“Deu 45 sacas por hectare, e todo mundo começou a plantar”. Quatro anos mais tarde, o aglomerado ganharia o status de município. Agora com 28 anos, Sorriso é 11 vezes maior que Renascença em população, e “dobra de tamanho a cada dez anos”, afirma o prefeito Dilceu Rossato.

A prefeitura ainda funciona como um centro de soluções de problemas de toda ordem. No gabinete de Rossato, entra uma pessoa a cada cinco minutos.

Em volta da cidade, condomínios de luxo se expandem e avançam sobre as lavouras. Uma casa de padrão invejável custa R$ 3 milhões. Um lote para uma residência modesta, R$ 140 mil.

São imóveis para produtores rurais ou gestores de multinacionais, concentrados no lado Oeste da BR-163, a rodovia da soja. O que amplia mesmo a população da cidade – que estaria batendo em 90 mil – são os trabalhadores de base. Na Sorriso que cresce ao Leste da BR, o padrão é mais simples, das moradias às mercadorias.

Bedin não tem mais as terras de 35 anos atrás. Tomou decisões acertadas no negócio e na lavoura. Hoje tem três fazendas e planta 15,5 mil hectares de soja, com média de 60 sacas por ha – 10 acima da média nacional.

Como Sorriso, está ampliando sua estrutura para fortalecer os negócios. Investe R$ 8 milhões num armazém para estocar 1 milhão de sacas de milho. É alívio na hora de negociar a safra. Com mais tempo, pode elevar a renda do cereal em 35%, afirma, considerando a alta dos preços locais nos últimos três meses.

A estruturação da produção permite a Bedin comprar adubo com um ano de antecedência, a preços vantajosos. E o futuro – com BR-163 duplicada e a possibilidade de escoar a produção também pelos novos portos do Arco Norte – deve continuar recompensando a coragem de sobra na década de 1970.

Fonte: Gazeta do Povo (AgroGP).

Equipe Agron

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